Daniela Nogueira
da Redação
01/04/2008 00:18

O produto é raro. Mas, a partir da semana que vem, pode se tornar mais freqüente na mesa dos cearenses. O mel da abelha jandaíra será colhido em dois dias, hoje e amanhã, no Sertão de Crateús, a 401 quilômetros da Capital. Lá, 25 produtores foram capacitados por um consultor do Rio Grande do Norte que cria esse tipo de abelha. A ação deve gerar mais renda para as famílias do Interior, além de contribuir para que a jandaíra retorne à natureza, por meio de suas reproduções.
As abelhas jandaíras que estão sendo criadas no Interior vieram do Sertão do Seridó (RN) e foram compradas pela Associação Caatinga, que desenvolveu o projeto. No Ceará, a abelha estava praticamente extinta do seu ambiente natural, tanto pela ação do homem, que pratica o desmatamento e as queimadas, como pela extração errada do mel. A vinda de abelhas italianas e africanas para o local onde as jandaíras viviam também prejudicou sua existência, já que passou a haver a disputa por espaço nos ocos das árvores.
Colheita
O mel será colhido de 100 colméias. Cada produtor recebeu quatro. A capacitação foi feita, em outubro do ano passado, pelo consultor potiguar Ezequiel Macedo. Os melicultores aprenderam sobre a criação das abelhas, a extração do mel e a replicação das colméias. De acordo com William Dantas, gerente da Reserva Natural Serra das Almas, em Cratéus, a criação começou logo após a capacitação. As abelhas foram, inicialmente, alimentadas pelos produtores. Quando começou a quadra chuvosa e a floração apareceu, a comida foi cortada para que elas começassem a trabalhar.
A primeira colheita do mel foi feita em fevereiro, "mas ele não era comercialmente viável", explica William Dantas, porque as abelhas haviam sido alimentadas artificialmente e isso poderia comprometer a qualidade do mel. A segunda colheita, portanto, é considerada a mais segura para ser considerada mel de jandaíra puro. Por ser um produto "raríssimo e muito refinado", há uma estimativa da Associação de que o litro seja vendido a um preço entre R$ 60 e R$ 80. Cada embalagem de 250 mililitros (ml) deverá custar até R$ 20 ao consumidor. Após a colheita, a espera será apenas pela finalização da embalagem.
Mas não pára aí. Depois desse cultivo, os próximos passarão a ocorrer mensalmente. A perspectiva é de que haja sempre a duplicação da produção da colheita em relação ao mês anterior. No segundo semestre, quando houver o período de estiagem, os melicultores replicarão suas colméias, o que também aumentará a produção, já que as abelhas produzem larvas. "Com o nascimento de uma abelha-rainha, a colméia pode ser duplicada", diz.
Foi a primeira vez que os agricultores trabalharam com esse tipo de abelha. A experiência foi válida para todos, garante o gerente da Serra das Almas. "Todos eles têm muito carinho pelas abelhas. A dificuldade inicial era só para ofertar a alimentação artificial, mas agora o trabalho é só coletar o mel".
SERVIÇO
O mel de jandaíra será vendido sob encomenda na Associação Caatinga, localizada na rua Cláudio Manuel Dias Leite, 50 - Cocó (próximo ao Shopping Iguatemi). A embalagem com 250 ml de mel custará entre R$ 15 e R$ 20. Mais informações: (85) 3241 0759.
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