Yanna Guimarães
da Redação
Mais de 300 pacientes, somente em Baturité, já foram beneficiados com o programa Telessaúde. O Telessaúde funciona em 13 municípios. Até o fim do ano, serão instalados outros 83 pontos no Estado
06/03/2008 01:17
No município de Baturité, a 96 quilômetros de Fortaleza, cerca de 300 pacientes foram poupados da viagem à Capital para fazer eletrocardiograma de agosto do ano passado até hoje. O sistema Telessaúde, implantado pelo Ministério da Saúde na Universidade Federal do Ceará (UFC), além de diminuir os custos do transporte do paciente, garante ao usuário do Serviço Único de Saúde (SUS) o laudo médico com mais rapidez. Já foram 2.600 eletrocardiogramas realizados pelo programa. O projeto teve início em nove estados, incluindo o Ceará.
Em cada um deles, devem ser conectados 100 pontos instalados em unidades básicas de saúde. Por meio do sistema, que equipa os centros e universidades com infra-estrutura de informática e telecomunicação, é possível fazer webconferência, chats, biblioteca virtual, discussões entre médicos e consultas virtuais. No Ceará, já foram implantados 13 pontos dos 100 previstos. Foram beneficiados os municípios de Baturité, São Gonçalo do Amarante, Umirim, Guaiuba, Acarape, Ocara, Nova Russas, São João do Jaguaribe, Morada Nova, Limoeiro do Norte, Canindé, Horizonte e Jaguaribe.
Foram gastos R$ 311 mil, dos R$ 1,141 milhão destinados ao programa no Estado. A previsão é que até o fim deste ano, todos estejam instalados. "O eletrocardiograma, por exemplo, é feito por um clínico-geral no interior do Ceará, que passa um arquivo digital com os dados para um médico em Minas. O resultado do exame sai no mesmo dia para o paciente", explica o coordenador do núcleo de Telessaúde do Ceará, Luiz Roberto de Oliveira, que é médico-cirurgião de cabeça e pescoço. Outra facilidade do Telessaúde é que, nos casos identificados como mais urgentes, os pacientes já são enviados para a Capital com a consulta marcada. Assim, não precisam ficar esperando numa casa de apoio e não viajam sem necessidade.
"Se há uma suspeita de infarto, o exame pode orientar se o paciente precisa ser transferido ou não. Isso faz com que haja uma racionalização de gastos". Além da telecardiologia, no Ceará também já funcionam pontos de teledermatologia, que começou em janeiro deste ano. "Existiam municípios com demanda de até 90 pacientes esperando consulta nesta área. E a cada semana resolvemos de quatro a cinco casos", explica o professor. As consultas podem ser realizadas com a presença dos pacientes, se necessário. Tudo é feito por uma equipe formada por quatro profissionais. Os exames têm sido diagnosticados com auxílio de médicos em Minas Gerais.
Luiz Roberto explica que um software permite a segurança das informações do paciente. "São os mesmo cuidados de um atendimento presencial. Há sigilo e confiabiliadade. Garantimos que a informação de um paciente chegará no ponto onde será analisada do mesmo jeito que estava onde começou o atendimento". Por esta razão, não são usados programa convencionais de webconferência e chats. "Nossa intenção é servir de apoio à atenção básica. Não é uma tentativa de levar o especialista ao Interior, é qualificá-lo para que ele possa aumentar a resolutividade e aumentar a qualidade da saúde", completa.
FIQUE POR DENTRO
Projeto Piloto Nacional de Telessaúde em Apoio à Atenção Básica é apoiado pelo Governo Federal por meio do Ministério da Saúde.
No País, além do Núcleo Ceará, o Projeto Piloto tem núcleos ainda nos estados do Amazonas, Goiás, Minas Gerais, Pernambuco, Rio Grande do Sul, Rio de Janeiro, São Paulo e Santa Catarina. Cada núcleo está ligado a uma universidade. No Ceará, a sede do projeto é o Laboratório de Informática da Faculdade de Medicina da Universidade Federal do Ceará.
Propostas do Projeto: apoiar na formação e atualização permanente dos profissionais de saúde (visão educacional) e na parte assistencial, oferecer a possibilidade do profissional de saúde que está no município, de ter uma segunda opinião médica (contato com outros especialistas antes de encaminhar o paciente para outro tipo de atendimento).
Projeto dispõe de sistema de segurança para garantir o sigilo dos casos discutidos por meio de webconferência (mantida a ética médica)
O PROJETO NA PRÁTICA
Um dos critérios para implantação do projeto é que o município tenha banda larga. Isso porque será utilizado a webconferência (pela Internet).
O núcleo da UFC terá médico de plantão para atender a demanda oriunda dos municípios participantes do projeto. O contato poderá ser via e-mail, fax ou por meio da webconferência.
O projeto deverá ser estendido para outras áreas.
A teleconsulta é transmitida da sala de uma unidade básica de saúde que dispõe de um computador com webcam e conectado à Internet. Do local, o médico entra em contato com o médico do núcleo, discute diagnóstico, condutas de tratamento, pode enviar exames para que o laudo seja fornecido ou para esclarecer dúvida.
quando se tem boa vontade, não se defende Filas, cria-se maneiras para acabar com elas PARABENS
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