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PREVENÇÃO

Comitês discutem redução de mortalidade infantil

Apesar de o Ceará apresentar a maior redução do País na mortalidade infantil, os óbitos ocorridos no período perinatal ainda preocupam os municípios. É o que aponta representantes dos Comitês de Prevenção à Mortalidade Infantil formado por cidades cearenses


18 Jan 2008 - 00h18min

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Cerca de 60% da taxa de mortalidade infantil do Ceará são relativas a mortes no período perinatal(Foto: Cristina Horta/Estado de Minas/AE)
Sete representantes de cidades cearenses se reuniram ontem na sede da Sociedade Cearense de Pediatria (Socep), em Fortaleza, para discutir ações para redução da mortalidade infantil. Eles fazem parte dos comitês de Prevenção à Mortalidade Infantil, órgãos estabelecidos em municípios com mais de 80 mil habitantes. No encontro de ontem, eles apontaram que mortes ocorridas entre a 22ª semana de gestação até o sétimo dia de vida da criança, chamado período perinatal, ainda preocupam.

Cerca de 60% da taxa de mortalidade infantil do Ceará são relativas a mortes ocorridas nesse período, segundo a representante do comitê de Fortaleza, Ana Paula Brilhante. "Esse ainda é o grande nó. É preciso investir em pré-natal de qualidade, acompanhamento de adolescentes grávidas. Tem de haver mais investimento". Segundo ela, Fortaleza teve uma taxa de mortalidade infantil de, aproximadamente, 15 óbitos para cada mil nascidos em 2007. Dessa taxa, 55% são relativos a mortes ocorridas no período perinatal.

Outro fator, apontado pela representante do comitê de Iguatu (localizado a 384 quilômetros de Fortaleza), Magna Veruska, é a atenção hospitalar no período perinatal. O município, segundo ela, tem berçário de médio risco, mas não dispõe de UTI neonatal. "Se alguma criança precisar desse tipo de atendimento, tem de vir para Fortaleza". Conforme Veruska, a taxa de mortalidade infantil de Iguatu em 2007 foi de 17,27 óbitos para cada mil nascidos - dez pontos a menos em relação a 2004, quando o município registrou 27,2 óbitos para mil nascidos.

A presidente da Socep, Anamaria Cavalcante e Silva, aponta um paradoxo: as mortalidades que ocorrem no período perinatal são sinal de progresso. "Porque as mortes que acontecem depois do primeiro mês de vida são as mais evitáveis, como diarréia, pneumonia e doenças que podem ser prevenidas por vacina. À medida que resolvemos esses problemas, as mortes ocorridas no primeiro mês ou primeira semana de vida se sobressaem". Segundo ela, os óbitos ocorrem, principalmente, por prematuridade. Ela destaca também a importância de um pré-natal feito com qualidade e de um bom serviço de atenção ao parto. "Ainda há mães perambulando na hora de parir, em busca de um serviço de qualidade".


E-mais

Em dezembro de 2007, o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) divulgou pesquisa indicando que o Ceará foi o estado onde houve a maior queda na mortalidade infantil: 72,4% em 26 anos.

A presidente da Sociedade Cearense de Pediatria (Socep), Anamaria Cavalcante e Silva, explica que os Comitês de Prevenção à Mortalidade Infantil, do qual fazem parte profissionais da saúde dos municípios, têm o objetivo de monitorar os óbitos de crianças enfatizando os que poderiam ser evitados. Ela explica que é utilizada uma técnica chamada autópsia verbal, que consiste em verificar o local onde houve a morte da criança e a unidade de saúde onde ela era acompanhada para identificar os fatos que podem ser evitados em outros casos.

Os municípios do Ceará que mantêm comitês são Sobral, Maracanaú, Itapipoca, Caucaia, Maranguape, Iguatu, Fortaleza, Juazeiro do Norte e Crato. O próximo encontro dos comitês será realizado em fevereiro. A Socep é responsável por acompanhar, além do Ceará, os estados do Maranhão, Piauí, Rio Grande do Norte e Paraíba.

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