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Ceará

ALUNA DE RUSSAS

Cearense participa de Jornada Espacial

Érica Azevedo
da Redação

Brena do Carmo Cardial, 14 anos, nunca tinha saído do município de Russas e conheceu de perto onde são fabricados os satélites brasileiros. Ela participou da III Jornada Espacial, em São José dos Campos, no interior de São Paulo


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12/11/2007 01:03

Brena do Carmo Cardial (no Centro) sonha em ser uma pesquisadora ou especialista em engenharia aeroespacial(Foto: DIVULGAÇÃO)
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Brena do Carmo Cardial (no Centro) sonha em ser uma pesquisadora ou especialista em engenharia aeroespacial(Foto: DIVULGAÇÃO)

Bom desempenho nos estudos, incentivo da escola e apoio familiar foram a receita para uma jovem estudante do município de Russas, a 165 quilômetros de Fortaleza, estar entre os 49 estudantes do Brasil a participarem da III Jornada Espacial, organizada pela Agência Espacial Brasileira (AEB). Brena do Carmo Cardial, de 14 anos, não só conseguiu ficar entre os primeiros na X Olimpíada Brasileira de Astronomia e Astronáutica (OBA), como conquistou o melhor resultado do Nordeste. Como prêmio, os alunos da jornada participaram de palestras, cursos e oficinas sobre a temática espacial, durante uma semana, em São José dos Campos (SP). O encerramento foi no último dia 4.

Astronomia e astronáutica não são disciplinas obrigatórias no conteúdo escolar dos ensinos fundamental e médio. Então, como fazer para despertar o interesse dos alunos para um assunto pouco acessível nos livros didáticos? Foi exatamente este o objetivo da olimpíada, segundo a professora de Brena, Érica Gonçalves: "Fazer com que os alunos tenham interesse sobre a questão envolvendo o espaço, instigar o aluno a descobrir coisas novas, até porque o conhecimento passado nos livros é sempre muito vago, já que as informações sobre esse assunto se atualizam rapidamente", explicou.

E não é que Brena mordeu a isca? Sempre motivada às leituras e à pesquisa, ela, que é aluna do 9º ano da Escola Bezerra de Menezes, não alcançou uma ótima posição na olimpíada à toa. "A minha escola participa da prova desde 1999 e durante esses anos os alunos sempre ganharam medalhas pelo desempenho, mas somente este ano foi inserido o ensino fundamental e por sorte eu fui chamada", disse Brena, que retificou depois o pensamento. "Fui chamada por competência, sorte, as duas coisas".

Ela e outros 48 estudantes, além de uma turma de 16 professores, visitaram o local onde são fabricados e testados os satélites brasileiros, o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe). Também viram onde são desenvolvidos foguetes e veículos espaciais, no Comando Geral de Tecnologia Aeroespacial (CTA), e conheceram o Instituto de Tecnologia Aeronáutica (ITA).

Sorte ou competência, o fato é que Brena ficou maravilhada com tudo o que viu na jornada, que superou, em muito, as suas expectativa. "Eu conversava com as minhas colegas de quarto que pensavam igual a mim. A gente não acreditava que aquilo estivesse acontecendo com a gente", exclamou a menina que detalhou, de forma vibrante, a experiência que seu grupo vivenciou de lançar um foguete no espaço.

Certo que o foguete era feito de garrafa pet de dois litros, cheio de água e ar. "Teve foguete que chegou a 350 metros de altura e quando caía no chão praticamente se autodestruía por causa da pressão da água e do ar", explicou a estudante que sonha em ser, talvez, uma pesquisadora, especialista em engenharia aeroespacial. "Primeiro eu pensava em ser dentista. Aí veio a olimpíada e eu sempre gostei muito de matemática. Depois que visitei o ITA me pergunto, será que eu quero fazer engenharia? Agora estou agrupando meus pensamentos para saber o que eu quero fazer. Ainda tenho seis anos pela frente para tomar a minha decisão".


FIQUE POR DENTRO

A Olimpíada Brasileira de Astronomia e Astronáutica (OBA) é realizada em parceria com a Agência Espacial Brasileira (AEB) e a Sociedade Brasileira de Astronomia (SAB). O objetivo é despertar nos jovens o interesse pela ciência e, até, a iniciação de uma carreira na área científica.

Alunos dos ensinos fundamental e médio de todo o País realizam, anualmente, provas de conteúdos referentes ao espaço, sendo que 30% do conteúdo é referente a astronáutica e 70% à astronomia. Além disso, os alunos com a melhor classificação participam da Jornada Espacial, que tem o objetivo de aprofundar os conhecimentos sobre a área espacial.


E-MAIS

Em Russas, um dos municípios do Ceará onde foram aplicadas as provas, 58 alunos do ensino fundamental I e II participaram da olimpíada. A aluna Brena do Carmo Cardial obteve o melhor resultado no Nordeste. No município, 23 alunos foram aprovados, com médias acima de seis.

De acordo com a professora Érica Gonçalves, da Escola Bezerra de Menezes, há seis anos a instituição aderiu à parceria com a Olimpíada Brasileira de Astronomia e Astronáutica. Ela explicou que os conteúdos são ministrados durante as aulas e em horário extra nos sábados. As provas são aplicadas em diferentes níveis de conteúdo, até o 9º ano, em período determinado pela organização da olimpíada.


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