Rita Célia Faheina
enviada a Pindoretama e Horizonte
Alunos, pais e professores aprendem juntos a cuidar dos dentes prevenindo as cáries e doenças da boca. Isso graças a um trabalho feito em parceria entre o Programa Saúde da Família (PSF) e a Prefeitura de Pindoretama, município do Litoral Leste do Estado
14/09/2007 01:46

"As boas razões para cuidar dos dentes:
- Reconhecimento social
- Saúde
- Boa digestão
- Vida profissional
- Boa pronúncia
- Boa aparência
- Economia"
(Aviso colocado no "cantinho da escovação", na Escola Aurelina Falcão em Pindoretama)
Depois do lanche, as crianças já sabem para onde se dirigir. Não vão direto para a sala de aula, mas para o "cantinho da escovação". Sentam na calçada do pátio, na sombra das árvores e aguardam as professoras distribuírem as escovas, o creme dental e a caneca com água. Mesmo que seja rotina, as orientações são necessárias e as educadoras da Escola Municipal Aurelina Falcão explicam todo o processo, enfatizando que a limpeza da língua também é muito importante. Todos os meninos e meninas obedecem, inclusive os portadores de necessidades especiais, já adolescentes, que estudam na escola. Mas não só os professores estão atentos à limpeza dos dentes e da boca. O próprio dentista comparece à escola com regularidade para a aplicação do flúor e para a avaliação da saúde bucal dos estudantes.
Em Pindoretama, cidade que fica no Litoral Leste do Estado, a 55 quilômetros de Fortaleza, as equipes do Programa Saúde da Família (PSF) trabalham em parceria com a Secretaria Municipal da Educação para o acompanhamento nas escolas. Semanalmente, os odontólogos (são seis equipes do PSF, cada uma com um dentista) dão palestras para a comunidade escolar (professores, alunos, funcionários e pais) e diariamente é feita a escovação supervisionada. "Enfocamos hábitos de higiene, alimentação saudável e o incentivo aos cuidados com a dentição das crianças, a prevenção das doenças da boca", diz Guilherme Luna, coordenador de Saúde Bucal de Pindoretama.
Ele diz que desde o ano 2000, quando o profissional dentista foi incluído na equipe do PSF, foi iniciado o trabalho de parceria. "A educação é o melhor meio para prevenir as doenças. Conversamos com os diretores e professores, damos palestras aos pais e examinamos as crianças. Quando é necessário o atendimento no Centro de Saúde Bucal, marcamos e vai um carro pegar as crianças na escola." O Centro atende de segunda-feira a sexta-feira e há prioridade também para as gestantes e idosos encaminhados pelas enfermeiras e médicos das equipes do PSF.
Guilherme Luna sabe que o resultado desse trabalho é de longo prazo e, em termos de números, ainda não dá para avaliar se o trabalho preventivo já prevalece sobre o curativo, "mas notamos a grande redução das cáries e dentes perdidos. Os filhos levam o exemplo para os pais e também aos vizinhos e à comunidade". Para o odontólogo, o que se almeja é a ampliação do atendimento, fazer com que as famílias compreendam a importância de manter dentes saudáveis através de bons hábitos alimentares e a limpeza correta. "É um dever nosso e um direito de todos da comunidade."
Segundo a professora Willaneide Carneiro, da Escola Municipal Aurelino Falcão, há tempos a inclusão foi adotada nas salas regulares. Crianças e adolescentes especiais (portadores de Síndrome de Down e deficiência cerebral) estudam no Ensino Fundamental e têm um avaliação individual. “As dificuldades de aprendizagem, da fala, da audição, por exemplo, são tratadas por profissionais do Núcleo de Educação Especial do Município. Eles também têm o atendimento odontológico como todas as crianças da escola”, diz Cláudia Costa, também professora.
CONSELHO AOS PAIS
- Não manifestar seus próprios temores diante dos filhos. O medo, que muitas crianças apresentam na primeira visita ao consultório dentário, é devido, quase sempre, a ter ouvido relatos tenebrosos de "experiências" paternas.
- Não utilizar o dentista como ameaça. As célebres frases como "não faça isso, senão faço o dentista te arrancar um dente", ou, "mando o doutor te dar uma injeção". Fazem crer que estas coisas são tremendamente ruins pois são oferecidas como castigos.
- Fazer os filhos se familiarizarem com o consultório dentário. Para isso, eles podem ser levados, algumas vezes, como acompanhantes de alguma pessoa da família, que esteja em tratamento dentário. Isto, no entanto, deve ser feito com muito cuidado. De uma maneira completamente natural, sem chamar a atenção da criança para os aspectos negativos. É necessário ter cuidado até com as frases: "viu que não dói nada? ". A palavra dor não deve ser mencionada. A criança deve ser levada ao consultório dentário da mesma forma como é levada pela mãe quando vai ao cabeleireiro.
- Fazer com que seus filhos valorizem os bons dentes e que se sintam orgulhosos de tê-los bem limpos e tratados.
- Não levar a criança ao consultório pela primeira vez quando ela estiver com dor. Esta é uma falta imperdoável dos pais. Uma criança que chega ao consultório com dor, obriga o profissional a nela intervir sob condições completamente adversas, em um tecido dolorido e sem a confiança do pequeno paciente. Isto pode causar um traumatismo psíquico, que será levado por toda vida.
- A criança deve iniciar os exames dentários aos 3 anos e depois, periodicamente, de 6 em 6 meses. Ainda que tudo pareça normal. Assim, ficará familiarizada com o odontólogo e, este, não terá necessidade de usar intervenções imediatas, dedicando algumas sessões apenas para conseguir a simpatia e confiança da criança, o que é fundamental para o tratamento dentário.
Autores: Cleber Bidegain Pereira e Nayene Leocádia Manzutti Eid
Mais informações: www.abcdasaude.com.br
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