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Ceará

CANINDÉ

Ceará no mapa da desertificação

O município cearense de Canindé e seus distritos entraram no mapa da região em avançado processo de desertificação do País. Este domingo é o Dia Mundial de Combate à Desertificação e à Seca


16 Jun 2007 - 17h06min

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A paisagem de degradação do solo e da planta nativa, efeito da desertificação,  já toma conta do sertão de Canindé e adjacências (Foto: Fco Fontenele)
A madeira da Japuara não dá mais pra fazer uma cerca. A mata nativa está morrendo. O solo castigado aponta sinais bem visíveis de que ali começa um processo degenerativo. Japuara é um distrito de Canindé, no sertão cearense, a 126 quilômetros de Fortaleza. Foi ali que a primeira área para a Reforma Agrária no Brasil foi desapropriada na década de 70, segundo o Sindicato dos Trabalhadores Rurais do Município. No caminho para Japuara, notam-se as marcas do descaso do homem: a queima da terra, madeira e até cactos.

Além de Irauçuba, na Região Norte do Estado, Canindé e distritos em seu entorno entram no mapa dos territórios em estágio avançado de desertificação. Segundo estimativa do Painel Intergovernamental de Mudanças Climáticas da Organização das Nações Unidas (ONU), em torno de 16% da área brasileira correm risco de virar desertos ou semi-desertos em 60 anos. Trinta e dois milhões de pessoas (cerca de 18% da população do País) podem ficar sem a terra como meio de sustento.

No Dia Mundial de Combate à Desertificação e à Seca, neste domingo, 17, o anúncio da ONU é de que o grande território da Região Nordeste, o norte de Minas Gerais e parte do estado do Espírito Santo estão ameaçados por esse processo. Atualmente, cinco áreas do País, incluindo os municípios cearenses, avançam na desertificação: Gilbués, no sul do Piauí; a região do Seridó, localizada entre os estados do Rio Grande do Norte e Paraíba, onde 20 municípios sofrem com os efeitos degenerativos do solo; e Cabrobó, em Pernambuco, com mais 22 municípios castigados.

Acredita-se que sejam necessários entre 200 mil anos (e isso dependendo do solo e do clima) para a renovação de apenas 2,54 centímetros da camada superior do solo degenerado. Os gastos, segundo contabiliza a Organização Não Governamental (ONG) Contas Abertas, ficariam para o Governo federal, em torno de R$ 1 bilhão a serem aplicados nos próximos 13 anos. Em 2003 foi lançado o Programa de Ação Nacional de Combate à Desertificação (PAN Brasil) e os gastos foram de apenas R$ 3,5 milhões.

"Usar a lenha ou queimar a madeira para fazer o carvão são ações que comprometem as áreas de Canindé. Mesmo próximo à BR-020 (que corta o município de Canindé) notam-se áreas degradadas", informou o secretário de Políticas Sociais do Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Canindé, Alfredo Paz. Ele disse ainda que o papel dos sindicalistas é conscientizar os agricultores fazendo visitas às comunidades, dando palestras e também indo às emissoras de rádio.

"Conscientizamos sobre o não uso dos agrotóxicos e do cultivo do nim indiano, uma planta que é usada como inseticida natural", acrescenta Ailton Soares, secretário de Informação e organização Sindical do STR de Canindé. Ele se refere à colaboração da ONG Esplar (Centro de Pesquisa e Assessoria) e da Comissão Pastoral da Terra (CPT). O agrônomo Marcus Vinícius, da Esplar, cita como forma de recuperar os territórios afetados o replantio de árvores, principalmente vegetação nativa, acabando de vez com o desmatamento.


Mais informações
panda.igeo.pt/pancd/; www.iydd.org/ e www.andi.org.br

Para saber mais sobre desertificação:
http://www.unccd.int/ Convenção das Nações Unidas de Combate à Desertificação


FIQUE POR DENTRO

A Conferência das Nações Unidas sobre o Desenvolvimento e Meio Ambiente, a ECO-92, realizada no Rio de Janeiro em junho de 1992, teve como resultado a Agenda 21, documento que tem como principal objetivo alcançar o Desenvolvimento Sustentável no planeta, bem como a elaboração de uma Convenção para o Combate à Desertificação.

A desertificação é definida como sendo "a degradação da terra nas regiões áridas, semi-áridas e sub-úmidas secas, resultante de vários fatores, entre eles as variações climáticas e as atividades humanas".

Segundo dados das Nações Unidas, o processo de desertificação vem colocando fora de produção aproximadamente 60.000 km
de terras férteis por ano. E as perdas econômicas anuais chegam a 4 bilhões de dólares, com um custo de recuperação de 10 bilhões de dólares por ano, em todo o mundo.

As principais causas da desertificação são: a salinização de solos por irrigação, o sobre-pastoreio e o esgotamento do solo e dos recursos hídricos por procedimentos intensivos e não adaptados às condições ambientais, e o manejo inadequado na agropecuária.

A desertificação, que implica na perda da capacidade produtiva das terras, vem provocando importantes fluxos migratórios para os centros urbanos, agravando problemas sócio-econômicos, como a miséria, o desemprego e a pressão sobre a infra-estrutura.

No Brasil, as áreas susceptíveis à ocorrência de desertificação (zonas áridas, semi-áridas e sub-úmidas secas) encontram-se na Região Nordeste e ocupam mais de 900,000 km2.

Estudos indicam que as áreas mais gravemente afetadas pela desertificação na Região Nordeste abrangem cerca de 181.000 km
, em diferentes Estados e as perdas econômicas podem chegar a 100 milhões de dólares anuais.


Mais informações: www.iicadesertification.org.br


PARA LER

Desertificação
Autores: Schenkel, Celso; Matallo, Heitor
Editora: Unesco
Ano: 2003 - 2.ed., 126 páginas
PREÇO: R$ 20,00 - US$ 8.00 - Ç 7,00
Trata-se de um conjunto de artigos em que a Unesco busca o estímulo ao debate e aos trabalhos que se desenvolvem nos países com problemas de desertificação e seca, em especial, no Brasil. Entre os temas contemplados, destaca-se a avaliação do problema da desertificação, a sistematização da informação, os custos da desertificação e o papel sócio-ambiental da mulher.

Meio Ambiente Brasil
Avanços e Obstáculos Pós Rio-92
Organizadores: João Paulo Capobianco, Aspásia Camargo e José Antônio Puppim de Oliveira.
Panorama da situação ambiental no Brasil atual. Refere-se aos acordos da Rio-92 e aponta as dificuldades e possibilidades na realização de algumas medidas firmadas no evento em 92.
Como adquirir: www.socioambiental.org.

Biodiversidade Brasileira
Autor: Ministério do Meio Ambiente
Avaliação e Identificação de Áreas e Ações Prioritárias para Conservação, Utilização Sustentável e Repartição de Benefícios da Biodiversidade Brasileira. O Ministério do Meio Ambiente elaborou a publicação a partir de relatórios de eventos de avaliação dos biomas brasileiros.
Informações: cid@mma.gov.br.
http://www.fao.org/desertification/default.asp?lang=en

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