Marcos Cavalcante
da Redação
Madeira de áreas protegidas da Chapada do Araripe estariam sendo retiradas ilegalmente. A denúncia, do Ministério Público Federal, também revela que servidores do Ibama estariam sendo convenientes com a ação
13/06/2007 01:32
O juiz Bruno Leonardo Carrá, da 16ª Vara do Ceará, concedeu liminar determinando a suspensão dos Planos de Manejo Florestal Sustentável (PMFS) que garantiam a extração de madeira da Chapada do Araripe, das autorizações para transporte do material, além da apreensão de cinco veículos da família Roriz. Segundo o chefe do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) no Cariri, Eraldo Pereira, o grupo agia há mais de 10 anos cortando árvores ilegalmente. "Eles possuíam a licença para determinada área, mas acabavam retirando madeira de outros cantos próximos às cidade de Jardim", explica Eraldo.
Segundo a ação cautelar, o grupo irmãos Roriz, formado por Antônio Roriz Filho, Fernando Antônio de Sá Roriz e Walter Sá Roriz, também seria responsável por "esquentar" as autorizações para transporte. A prática consiste em supervalorizar a quantidade de madeira transportada nos caminhões, fazendo com que mais veículos funcionassem com a mesma autorização. "O Ibama possui mais de 51 autos de infração explicando a forma de agir do grupo", explica. Entre as áreas que não deveriam ser exploradas estão mais de 70 hectares das fazendas Redenção e São Miguel, pertencentes à Usina Manoel Costa Filho. A empresa teria um acordo com os irmãos Roriz para retirada ilegal de lenha.
De acordo com a ação movida pelo Ministério Público Federal, uma das operações do Ibama e outros órgãos responsáveis pela fiscalização ambiental do Araripe, realizada em 29 de abril de 2005, flagrou um caminhão transportando lenha ilegalmente. No episódio, Walter de Sá Roriz teria tentando impedir a condução do veículo e da carga ao pátio da delegacia da Polícia Federal de Juazeiro do Norte. "Todo o Ibama está sendo ameaçado, direta ou indiretamente. A PF está investigando de onde partiu uma ligação dizendo que iriam encher a cara deles (agentes) de bala", diz Eraldo. Atualmente, três agentes do Ibama cuidam da área.
Além de integrantes da família Roriz, a ação cautelar do MPF também é contra o Ibama. Segundo o texto, a falsificação da documentação de transporte teria contado com a participação de servidores do órgão, que seriam responsáveis pela elaboração e execução dos PMFS. O caso está sendo apurado administrativamente, de acordo com Eraldo Pereira.
O POVO tentou entrar em contato por telefone na noite de ontem com membros da família Roriz, mas o telefone de Antônio foi o único registrado no serviço Telelistas, mas estava sigiloso. Também não constava o número da Usina Manoel Costa Filho.
FIQUE POR DENTRO
A Chapada do Araripe compreende uma área de 220 quilômetros de extensão, que percorre os estados do Pernambuco e Piauí, além do Ceará. Parte desta região, aproximadamente um milhão de hectares, forma a Área de Proteção Ambiental (APA) da Chapada do Araripe, que percorre 38 municípios dos três estados.
Fundada em 1997, a área possui mais de 300 fontes de água perenes que abastecem importantes cidades da região, como o Crato.
Além da APA, a chapada também possui a Floresta Nacional (Flona) do Araripe, última reserva de vegetação florestal da região. A Flona foi a primeira floresta nacional do Brasil, fundada em maio de 1946.
Atualmente, as plantações de mandioca, o aumento das pastagens e a extração de lenha estão entre os principais problemas ao meio-ambiente da chapada.
FONTE: www.portalbrasil.net, www.ibama.gov.br e fundacaoararipe.org.br