Rosa Sá
da Redação
A aroeira é uma árvore que está incluída na lista oficial de espécies da flora brasileira que estão ameaçadas de extinção. A que foi retirada do sítio Flores para ser o pau de Santo Antônio em 2007, na tradicional em Barbalha, está sendo mantida na mesma área de onde foi arrancada, até que haja um acordo entre a organização da festa religiosa e os responsáveis pelos órgãos ambientais
19/05/2007 01:15

Um impasse está marcando este ano a realização do carregamento do pau da bandeira, evento que é uma tradição de 78 anos, na abertura da festa de Santo Antônio, padroeiro do município de Barbalha, cidade da região do Cariri, distante 532 quilômetros de Fortaleza. Como já é de costume, cerca de 15 dias antes do início da festa, homens vão em busca de uma árvore de boa altura para cortar, a fim de servir de mastro para a bandeira do santo homenageado. Este ano, porém, o corte de uma aroeira de 37 metros de altura, árvore incluída na lista oficial de espécies da flora brasileira ameaçadas de extinção, está causando o problema.
O tronco arrancado da área do sítio Flores, distante cinco quilômetros do centro da cidade, foi apreendido numa operação conjunta do Instituto Chico Mendes e do Ibama. Com isso, o pau está sendo mantido na mesma área de onde foi arrancado, tendo o Instituto Chico Mendes, que é presidido pelo professor Jackson Antero, como fiel depositário.
Conforme Eraldo Oliveira, chefe do escritório regional do Ibama no Cariri, desde 2005 que o problema da retirada de árvores para a festa de Barbalha e de mais de 32 outras paróquias vem sendo discutido, tendo em vista que a retirada do caule principal sempre causa a derrubada de outras oito a 10 árvores. "É uma devastação sem precedentes e neste sentido conversamos para que houvesse um disciplinamento dessa festa religiosa e cultural, ressaltando a questão ambiental", disse, explicando que foi solicitado às paróquias que buscassem alternativas. "Será que o pau do ano anterior não servia para outro ano?", questiona.
Oliveira afirma que o episódio ocorrido este ano foi grave. De acordo com Oliveira, o organizador da festa, Rildo Teles, havia encaminhado uma solicitação à administração da Área de Proteção Ambiental (APA) Araripe, e antes que houvesse resposta dos órgãos ambientais, entraram na mata e fizeram o corte de uma madeira que é protegida por lei.
Oliveira diz que como a árvore já foi arrancada e não tem mais condições para ser replantada, deverá ser utilizada na festa do padroeiro. "Longe do órgão ambiental querer barrar a festa que é tão tradicional, mas não dá para fazer as coisas totalmente desordenadas", disse, lembrando que diante do problema do aquecimento global é necessário todo o cuidado com a questão do meio ambiente.
Rildo Teles foi autuado e irá responder a processo administrativo e criminal. Teles disse ter ficado surpreso com a medida, uma vez que, segundo ele, no dia 9 de maio foi ao Ibama solicitar, por meio de ofício, a aquisição de 100 mudas de plantas nativas para fazer o reflorestamento do local de onde a árvore foi retirada. Ainda conforme Teles, no mesmo ofício foi pedida a presença de técnicos do Ibama para acompanhar o corte, mas não houve qualquer resposta do órgão neste sentido. Ele diz esperar que haja um consenso entre as partes. (Colaborou Amaury Alencar)
SAIBA MAIS
FESTA DE SANTO ANTÔNIO
A festa do padroeiro de Barbalha, Santo Antônio, aberta anualmente com a carregamento do pau da bandeira, é maior atração turística do município também conhecida como Festa do Pau da Bandeira. O evento ocorre há cerca de 78 anos e reúne o que há de melhor do folclore da cidade - como os grupos de reisado, penitentes e zabumbas - e barracas com comidas típicas, bares, muita arte e shows que atraem cerca de 50 mil pessoas todas as noites (mais do que a população da cidade). A tradição consiste em cortar um enorme tronco de aroeira - com cerca de 22 metros e duas toneladas - para o ritual de abertura da festa. A árvore recebe a bênção do vigário ainda na mata, na Serra do Araripe, e depois é levada até a sede da igreja, nos ombros dos devotos, em um cortejo que reúne milhares de pessoas. São seis quilômetros de caminhada carregando o tronco. Na frente, uma carroça leva a "cachaça do vigário" para os fiéis. No final do percurso, o tronco é fincado na frente à Igreja Matriz e é transformado em mastro para a bandeira de Santo Antônio.
PROGRAMAÇÃO
26 de maio - Noite das Solteironas, na praça da Igreja Matriz
27 de maio
10 horas - cortejos de 50 grupos de cultura popular, 12 quadrilhas juninas e 29 grupos da educação
15h às 17 horas - apresentações musicais na praça da Igreja do Rosário, Marco Zero, Matriz e Estação
De 28 de maio a 4 de junho - quermesses e apresentações musicais