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Ceará

PESCA DE LAGOSTA

Pescadores exigem mais licenças

Lucinthya Gomes
Especial para O POVO

Na manhã de ontem, pescadores da colônia Z-9 de Aquiraz fizeram manifestação na Praia do Iguape. Eles querem a permissão para a pesca da lagosta por barcos de mais de quatro metros e indenização de caçoeiras, tipo de rede predatória e proibida, para poderem arcar com a troca do material


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15/05/2007 01:11

DAS 248 embarcações do Iguape, apenas 55 foram licenciadas para a pesca da lagosta(Foto: LIA DE PAULA)
DAS 248 embarcações do Iguape, apenas 55 foram licenciadas para a pesca da lagosta(Foto: LIA DE PAULA)

Com o objetivo de ordenar a pesca da lagosta, a Secretaria Especial de Aqüicultura e Pesca da Presidência da República (Seap) realizou processo de seleção entre as embarcações que atuam neste tipo de atividade, para conceder permissões. A partir do dia 16 de junho deste ano, só embarcações permissionadas poderão pescar lagosta. No Ceará, a medida apresenta impactos. De acordo com o presidente da colônia de pescadores Z-9 de Aquiraz, Nilton Martins de Castro, das 248 embarcações existentes no município, apenas 55 foram contempladas com a licença. Ele estima que cerca de 600 pescadores foram prejudicados pela falta de permissão.

Na manhã de ontem, pescadores da colônia Z-9 realizaram uma manifestação na Praia do Iguape, em Aquiraz. Eles reivindicavam que todas as embarcações acima de quatro metros fossem liberadas para a pesca da lagosta. "193 embarcações estão proibidas de pescar. Para essas famílias, isso é o caos social, um desestímulo para os filhos de pescadores continuarem a pescar lagosta", argumenta.

Outro problema citado por ele está relacionado aos pescadores que trabalhavam com a caçoeira, tipo de rede de pesca considerada predatória, cujo uso também foi proibido. "Nós também queremos a indenização dos caçoeiras, para que esses pescadores possam trocar de material", diz, acrescentando que o manzuá é o tipo de rede autorizado pelo Governo.

Nilton enfatiza ainda que muitos desses pescadores trabalham na área desde muito cedo e "não sabem fazer outra coisa". Durante a manifestação, os pescadores levantavam faixas com os dizeres: "queremos o direito de trabalhar dentro da lei. Não nos tornem marginais", "Vamos salvar a lagosta sem matar o pescador", "Somos mais de 500 famílias candidatas a passar fome. A quem vamos recorrer?". De acordo com Nilton, essas famílias costumam faturar um salário mínimo por mês.

Conforme o presidente da Colônia de Pescadores, ao negar concessão a esses trabalhadores, a Seap não apresentou alternativas de trabalho. Durante a manifestação, os trabalhadores decidiram que, caso esses pedidos não sejam atendidos, a partir de segunda-feira, dia 21, eles irão a Fortaleza e acamparão na Praia de Iracema para dar continuidade às reivindicações. A colônia Z-9 de Aquiraz conta com sete portos de desembarque: Porto das Dunas, Japão, Prainha, Presídio, Iguape, Barro Preto e Batoque.


Números

248
embarcações no município de Aquiraz trabalham com a pesca da lagosta

55
delas obtiveram a permissão para continuar na atividade a partir de 16 de junho, quando acaba o período de defeso

193
embarcações não conseguiram autorização para pescar

600
pescadores, em média, foram prejudicados pela falta de licença

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