Ceará
PESCA DE LAGOSTA
Pescadores exigem mais licenças
Na manhã de ontem, pescadores da colônia Z-9 de Aquiraz fizeram manifestação na Praia do Iguape. Eles querem a permissão para a pesca da lagosta por barcos de mais de quatro metros e indenização de caçoeiras, tipo de rede predatória e proibida, para poderem arcar com a troca do material
Lucinthya Gomes
Especial para O POVO
15 Mai 2007 - 01h11min
Na manhã de ontem, pescadores da colônia Z-9 realizaram uma manifestação na Praia do Iguape, em Aquiraz. Eles reivindicavam que todas as embarcações acima de quatro metros fossem liberadas para a pesca da lagosta. "193 embarcações estão proibidas de pescar. Para essas famílias, isso é o caos social, um desestímulo para os filhos de pescadores continuarem a pescar lagosta", argumenta.
Outro problema citado por ele está relacionado aos pescadores que trabalhavam com a caçoeira, tipo de rede de pesca considerada predatória, cujo uso também foi proibido. "Nós também queremos a indenização dos caçoeiras, para que esses pescadores possam trocar de material", diz, acrescentando que o manzuá é o tipo de rede autorizado pelo Governo.
Nilton enfatiza ainda que muitos desses pescadores trabalham na área desde muito cedo e "não sabem fazer outra coisa". Durante a manifestação, os pescadores levantavam faixas com os dizeres: "queremos o direito de trabalhar dentro da lei. Não nos tornem marginais", "Vamos salvar a lagosta sem matar o pescador", "Somos mais de 500 famílias candidatas a passar fome. A quem vamos recorrer?". De acordo com Nilton, essas famílias costumam faturar um salário mínimo por mês.
Conforme o presidente da Colônia de Pescadores, ao negar concessão a esses trabalhadores, a Seap não apresentou alternativas de trabalho. Durante a manifestação, os trabalhadores decidiram que, caso esses pedidos não sejam atendidos, a partir de segunda-feira, dia 21, eles irão a Fortaleza e acamparão na Praia de Iracema para dar continuidade às reivindicações. A colônia Z-9 de Aquiraz conta com sete portos de desembarque: Porto das Dunas, Japão, Prainha, Presídio, Iguape, Barro Preto e Batoque.
Números
248
embarcações no município de Aquiraz trabalham com a pesca da lagosta
55
delas obtiveram a permissão para continuar na atividade a partir de 16 de junho, quando acaba o período de defeso
193
embarcações não conseguiram autorização para pescar
600
pescadores, em média, foram prejudicados pela falta de licença
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