Ceará
ARARIPE
Orquestra se prepara para Mostra de Música de Araripe
Rocélia Santos
da Redação
21 Mar 2007 - 03h33min
Transformar a vida de crianças e adolescentes através da música, retirando-as da ociosidade. Foi com esta proposta que surgiu a Orquestra Filarmônica Chapada do Araripe. Atualmente, a orquestra está estruturada como uma escola de música para instrumentos de sopro e corda e atende 45 músicos, com idade entre 13 e 20 anos. Hoje, o grupo está se preparando para a primeira apresentação, em maio, na abertura da II Mostra Brasileira de Música Antiga de Araripe.
Elisandro Carvalho, presidente do Instituto Atos, organização não-governamental idealizadora do projeto, conta que a orquestra surgiu de outro projeto desenvolvido pela ONG, o Cabaças e Cordas, que reúne adolescentes no processo de construção de rabecas (um instrumento musical que antecede o violino) a partir de cabaças e materiais recicláveis. A ONG conseguiu bolsas de iniciação científica júnior da Fundação Cearense de Apoio ao Desenvolvimento Científico e Tecnológico (Funcap) para 30 adolescentes.
"Começamos com 30 jovens, dando formação teórica e prática em música medieval voltada para a rabeca. Mas tínhamos o sonho de montar uma Orquestra Filarmônica. No ano passado, submetemos o projeto à Secretaria da Ação Social (SAS) e conseguimos recursos do Fundo Estadual de Combate à Pobreza (Fecop) e do Programa de Fortalecimento Musical da Secretaria da Cultura do Estado do Ceará (Secult) e montamos a Orquestra", explica.
Com os recursos obtidos, foram adquiridos todo o instrumental: 10 violoncelos, 20 violinos, 10 violas, quatro contrabaixos e um fagote. A Orquestra conta ainda com 15 rabecas construídas pelos próprios alunos. "Temos também como objetivo realizar um trabalho de pesquisa, interpretação, preservação e divulgação do cancioneiro popular, por meio da realização de concertos e gravação de CD e DVD com o registro do repertório cantado pelos cegos, emboladores, repentistas e cantadores de feira do Cariri Cearense", afirma Carvalho.
Em 2007, o trabalho com as crianças e adolescentes cresceu. Com a entrada de recursos e de mais alunos, relata Carvalho, em janeiro deste ano surgiu o Centro de Pesquisa em Música Antiga, também sediado em Araripe. Atualmente, o Centro, além dos dois programas iniciais da ONG Atos (Cabaças e Cordas e a Orquestra Filarmônica), abrange também a Orquestra de Meninos do Araripe, que trabalha com crianças entre 7 e 11 anos.
No total, são mais de 90 jovens envolvidos com a música erudita. "O Centro de Pesquisa é pioneiro em nível nacional, pois reúne acervo documental, em áudio e vídeo, sobre os grandes artistas da música antiga existente no mundo. Aqui, nós acolhemos todos os jovens que nos procuram. Nossa regra é não voltar nenhuma criança".
Para Carvalho, o Centro de Pesquisa em Música Antiga significa não só dotar a região do Cariri de um espaço que tente desvendar as interseções histórico-culturais, mas ao mesmo tempo, contribuir para a organização de acervo documental, audiovisual e banco de partituras dos períodos medieval, renascentista e barroco da música antiga, priorizando o registro e documentação dos trabalhos desenvolvidos por grupos e artistas brasileiros. "Outra importante contribuição a ser originada no projeto é o resgate, registro sonoro e divulgação das trovas, romances e narrativas dos 'cantadores de feira', cujo cancioneiro anônimo e ancestral, tem valor antropológico e cultural inestimáveis para a preservação da memória e da cultura popular cearense e nordestina", conclui.
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