Carlos Henrique Camelo
da Redação
Uma fazenda de criação de camarões localizada em Itapipoca foi invadida na madrugada de ontem por famílias ligadas ao Movimento dos Trabalhadores Sem Terra(MST). De acordo com o MST, as famílias têm uma audiência marcada para hoje às 15 horas com representantes do Incra, da Secretaria do Desenvolvimento Agrário e da Prefeitura de Itapipoca
23/01/2007 01:19
Cerca de 150 famílias ligadas ao Movimento dos Trabalhadores Sem Terra(MST) invadiram na madrugada de ontem a fazenda Qualibrás, no município de Itapipoca, a cerca de 150 km de Fortaleza, usada para criação de camarão em cativeiro. De acordo com Marcelo Matos, integrante da direção do MST, a intenção do grupo é protestar contra a lentidão do processo de reforma agrária no estado e denunciar a destruição ambiental de mangues na região provocada pela pesca de camarões em cativeiros.
Marcelo Matos disse que as famílias que participaram da invasão fazem parte dos acampamentos Malamba e Guaribas, na região do litoral do Ceará. Segundo ele, algumas delas estão acampadas há quase cinco anos aguardando a desapropriação de terras e emissão de posse. Outra reivindicação, de acordo com o diretor estadual do MST, é a demarcação das terras indígenas no Ceará. "Os Tremembés estão conosco nesta invasão".
Ele afirmou que no estado existem cerca de 1.700 famílias ligadas ao MST, divididas em 25 acampamentos, esperando pela reforma agrária. De acordo com Marcelo Matos, a meta do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra), para o ano passado, era assentar 2.000 famílias no estado, mas apenas 206 famílias receberam os lotes. "Em protesto a esta lentidão o movimento decidiu que 2007 será um ano vermelho e a nossa intenção é invadir as fazendas onde existem famílias acampadas", afirmou.
O superintendente estadual do Incra, Clésson Monte, informou que está de férias e que o caso está sendo acompanhado pelo seu substituto Raimundo Pinto, que não foi localizado pelo O POVO. Clésson Monte disse que o primeiro passo em casos como este é levantar informações sobre o imóvel invadido e realizar uma vistoria no local.
Ele refutou os dados apresentados pelo diretor estadual do MST. De acordo com o Superintendente do Incra, a meta para o ano passado era assentar 1.760 famílias, mas só foram assentadas cerca de 805. Clésson Monte aponta como fatores que atrapalharam o cumprimento da meta, a demora para a aprovação da Lei Orçamentária Anual, que só ocorreu em maio, a greve dos servidores do Incra e as eleições. "Nós só tivemos quatro meses efetivamente para a realização de operações".
Apesar disso, de acordo com ele, o Incra disponibilizou mais de R$ 28 milhões em crédito para famílias assentadas no estado. "Não se pode avaliar o curso da reforma agrária apenas por obtenção de terra. A reforma agrária é um conjunto interligado de várias ações do governo, para viabilizar os assentamentos". Clésson Monte disse ainda que as famílias que não foram assentadas ano passado seriam este ano. "Nós temos 150 imóveis em estágios avançados para assentamento e seguramente até o final do ano todas as famílias acampadas serão acolhidas com a terra", promete.
De acordo com o MST, as famílias acampadas têm audiência hoje às 15 horas, com representantes do Incra, da Secretaria do Desenvolvimento Agrário do Ceará e da Prefeitura de Itapipoca, para discutir o processo de reforma agrária no estado. O POVO não conseguiu entrar em contato com os proprietários da fazenda Qualibrás.