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MÚSICA ANTIGA

Araripe ganhará centro de pesquisa

Araripe, localizada no Interior cearense, poderá vir a ter o primeiro Centro de Pesquisa em Música Antiga do País. O projeto, idealizado por Elisandro Carvalho, é fazer com que o local sirva como centro de pesquisa das tradições musicais nordestinas e referencial em acervo musical

Marcos Cavalcante
da Redação

06 Jan 2007 - 14h33min

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OS ALUNOS, além das aulas de música, aprendem a fazer seus próprios instrumentos (Divulgação)
A cidade de Araripe (562 quilômetros de Fortaleza) está sendo preparada para ser a primeira do País a possuir um Centro de Pesquisa em Música Antiga do Brasil. A idéia, que está sendo desenvolvida pelo diretor da Organização Não Governamental (ONG) Instituto Atos, Elisandro Carvalho, é fazer com que o centro funcione como um local de pesquisa para estabelecer ligações entre a música produzida até a metade do século XIX com as tradições musicais nordestinas existentes. "Também não existe um lugar de referência para acervo de partitura, discoteca de música para que os pesquisadores possam acorrer", destaca.

Por enquanto, os recursos para as obras do Centro de Pesquisa em Música Antiga virão do prêmio Ceará Vida Melhor, ganho pelo Instituto Atos, e da busca de financiamento do município de Araripe e empresas particulares. Ainda não existe um prazo para a conclusão das obras. "O Centro vai funcionar em uma sede alugada. Vai haver uma reforma para ter um local com estudo prático e teórico e um local para receber os instrumentos da Orquestra Filarmônica Chapada do Araripe", destaca. A filarmônica, lembra Elisandro, composta por 45 integrantes, teve os instrumentos comprados com recursos do Fundo Estadual de Combate à Pobreza (Fecop), e será composta por 10 violoncelos, 20 violinos, 10 violas, e quatro contrabaixos e um fagote (instrumento de sopro), a maior em quantidade de instrumentos do Ceará.

No projeto musical desenvolvido no município de Araripe, o Instituto Atos também possui uma escola de fabricação de instrumentos, a Cabaças e Cordas, para a confecção de instrumentos musicais artesanais. "Cada aluno constrói seu instrumento. A rabeca é fabricada com a metade de uma cabaça, onde depois são aplicados os instrumentos de marchetaria e aplicados materiais profissionais, como cordas e afinadores de violino", completa.

Um total de 30 alunos, a partir dos 15 anos, participa do projeto graças à bolsas de iniciação científica de meio salário mínimo (R$ 175,00) da Fundação Cearense de Apoio ao Desenvolvimento Científico e Tecnológico (Funcap). "Minha meta é conseguir ampliar o número de bolsas para 45 e igualar com o total de instrumentos da filarmônica. Seria ótimo, unia os dois projetos", ressalta.

Uma dessas alunas que ele quer ver compondo a filarmônica de Araripe é Daniele de França, 17 anos. Ela foi uma das primeiras a ingressar no Instituto Atos e diz gostar bastante de música. "Aprecio mais a rabeca e o violino", ressalta. Ela diz que começou a apreciar música instrumental por não gostar de tocar violão, como o irmão. "Minha família me deu força, a gente aprende a fazer os instrumentos, ocupo meu tempo livre e estou pensando em continuar na música", completa Daniele.

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