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Ceará

PATRIMÔNIO HISTÓRICO

Dono de casarão promete preservá-lo

Motivo de manifestações e discussões em Quixeramobim, o Casarão José Felício está passando por obras de contenção estrutural para que, depois, possa ser concluído o processo de tombamento do imóvel

Rocélia Santos
da Redação

22 Dez 2006 - 02h00min

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O CASARÃO, erguido no início do século XIX por donos de escravos, ainda mantêm as características coloniais em sua arquitetura(Foto: DIVULGAÇÃO)
O casarão de José Felício, localizado no centro da cidade de Quixeramobim, a 224 quilômetros de Fortaleza, voltou a ser pauta de discussão na cidade. Esta semana, operários iniciaram obras no local, preocupando mais uma vez a população que, desde o início do ano, teme pela demolição do imóvel. A população local se queixa da falta de informação a cerca do que realmente está sendo feito no local. Mas o dono do prédio histórico, Francisco Alves, mais conhecido como Chico Elói, promete preservá-lo.

Segundo o engenheiro da Coordenadoria do Patrimônio Histórico e Cultural (Copac) da Secretaria de Cultura do Estado (Secult), Paulo Renato, o proprietário do casarão, Francisco Alves Fernandes, com autorização e supervisão da Secult, está realizando obras de "contenção estrutural" para evitar que, com a chegada das chuvas, o prédio venha a desabar. "Estamos realizando um trabalho de prevenção, erguendo algumas paredes, que haviam sido derrubadas, para que ela possa receber a cobertura, pois estava destelhada. Nossa preocupação maior é com a chegada das chuvas, para que a casarão venha a ruir", explica.

O casarão, erguido no início do século XIX por donos de escravos e que ainda mantêm as características coloniais em sua arquitetura, virou notícia no início do ano após o atual proprietário iniciar obras para demolir o imóvel para a ampliação de seu comércio, fato que revoltou a população local. As obras foram paralisadas e o Governo do Estado, a pedido do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), iniciou o processo de tombamento do casarão.

A coordenadora da Copac, Eveline Vasconcelos, conta que, para o casarão ser tombado, ele precisa estar em perfeito estado. Por isso, as obras de contenção e, posteriormente, restauração. Ela afirma que, terminada as obras, o prédio será avaliado para, então, ser concluído o processo de tombamento, que existe desde o início do ano. "Não se faz tombamento de obra em ruína. Primeiro é preciso recuperar o imóvel para depois, o processo dar seguimento", observa. Eveline informou ainda que encaminhou um pedido ao Ministério Público Estadual para que acompanhe o andamento das obras.

O proprietário do casarão, Francisco Alves, mais conhecido como Chico Elói, ainda não sabe o que fará com o casarão após concluídas as obras. Ele conta que, no início, não sabia da importância histórica do prédio, por isso iniciou a demolição. "Depois que a gente conhece um pouco mais a história, acha até bonito os detalhes antigos. Por isso é interesse meu, agora, manter tudo como era antes. A fachada não será mexida, vamos pintar com a mesma cor que tinha antes, vamos até mandar colocar telhas de modelo antigo. Ainda não sei se vou morar lá ou se vou colocar algo relacionado a artesanato. Mas é interesse meu agora preservar o prédio", declarou.

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