Ceará
GREVE
Aulas da UVA devem ser retomadas na segunda
Uma determinação judicial põe fim à greve dos professores da Universidade do Vale do Acaraú (UVA). Os docentes devem retomar as atividades nesta segunda-feira, 30. Os professores prometem recorrer da decisão
Rocélia Santos
da Redação
28 Out 2006 - 01h17min
Por força de uma determinação judicial, os professores da Universidade Vale do Acaraú (UVA) tiveram que acabar com a greve, iniciada no dia 21 de junho. Acatando um pedido feito por alguns estudantes de Direito da universidade, a juíza Joyce Sampaio Bezerril Fontenelle, da 4ª Vara da Comarca de Sobral, declarou a greve ilegal e determinou o retorno imediato dos docentes as atividades acadêmicas. Em caso de descumprimento da decisão, o Sindicato ou os professores, "em caso de recusa isolada", estão sujeitos a pagarem multa de R$ 10 mil por dia. O retorno das aulas está marcado para segunda-feira, 30.
Os professores foram pegos de surpresa com a determinação. "Já sabíamos do movimento de uns cinco ou seis estudantes que estariam tomando essa atitude, mas não esperávamos por essa determinação. O que podemos fazer agora é retornar as aulas e, na segunda-feira, vamos nos reunir para discutir o que faremos. Vamos continuar lutando, mas vamos tentar agora nos mobilizar de outra forma", afirma o professor Nicolau de Lima Bussons, do comando de greve do Sindicato dos Professores da UVA (Sindiuva).
Segundo Nicolau, a categoria irá acionar a assessoria jurídica do Sindicato para recorrer da decisão judicial. Na segunda-feira, os professores realizarão, também, uma assembléia geral para avaliar o movimento e discutir as novas diretrizes a serem tomadas. A reitoria da Urca lançou um edital, ontem, convocando "todos os professores de todos os cursos de graduação da universidade" para reiniciarem suas atividades docentes nesta segunda-feira. A assessoria da reitoria da UVA informou que a universidade vai cumprir a determinação, tanto que já convocou todos os alunos e professores a retomarem as aulas na segunda-feira.
A decisão da justiça foi tomada no dia 26 de outubro, a partir de uma ação ordinária com pedido de liminar antecipatório, impetrada por Fernando Magalhães Angelim e outros alunos universitários contra a Universidade Estadual Vale do Acaraú e o Sindiuva. Na ação, eles alegam que, por conta da greve, "enormes prejuízos vêm sofrendo os autores, os quais tiveram frustrados direito justo conquistado mediante vestibular, ocasionando obstáculo à colação de grau e a perda de oportunidade de trabalho e ascensão em cargo público mediante aprovação em concurso".
Os professores da Universidade Estadual do Ceará (Uece), em greve há 142 dias, solidarizaram-se com os colegas da UVA. "É lamentável, como pode o Estado deixar que as questões das universidades sejam resolvidas na justiça. Falta um projeto político de valorização das universidades públicas estaduais", critica o presidente da Seção Sindical dos Docentes da Uece, Célio Coutinho. Segundo o professor, "é lamentável que a justiça venha intervir em um processo que estava em plena fase de negociação".
Apesar do retorno dos docentes da UVA, a greve na Uece continua. Ele avisa que, nesta quarta-feira, dia 1º de novembro, haverá uma audiência pública na Assembléia Legislativa para discutir o Orçamento Estadual para 2007. "Queremos garantir que os deputados farão uma emenda para garantir recursos financeiros para que o Plano de Cargos e Carreiras dos professores possa ser implementado", informa Coutinho.
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