Buchicho
quadrinhos
HQ mania
O Buchicho Teen apresenta a história de três adolescentes que compartilham a mesma paixão: são siderados pelo universo dos quadrinhos. Conheça um pouco mais da mania de Rodolfo, Lucas e Hellen
Juliana Girão
da Redação
09 Out 2008 - 00h35min
H de História. Q de Quadrinhos. O nome parece simples, mas o universo que abrange essas duas letrinhas é enorme. Tem HQ de ficção, humor, terror, drama, temas infantil e adulto e, é claro, de aventura de super-heróis. “É como no cinema. Mas é lógico que cada país vai ter sua particularidade. Um filme de drama francês é diferente de um drama americano”, explica o quadrinista e artista plástico Weaver Lima, criador das tirinhas Raitec (1997) e Johnny Rude e Kid Vicius (1997) publicadas no O POVO.
Consideradas símbolos da nona arte, as HQs ganharam diferentes nomes em cada canto do mundo. São “comics” nos Estados Unidos, “fumetti” na Itália, “banda desenhada” em Portugal. Mas o grande sucesso de hoje vem do Japão. São os chamados mangás. “Na década de 60 e 70, eram muito famosos os quadrinhos de terror. Na década de 80, os super heróis. Na década de 90, chegaram os quadrinhos japoneses”, conta. “Hoje em dia até o quadrinho underground é famoso”, completa.
Isso sem falar que os quadrinhos ganharam o cinema, a televisão, os videogames e a indústria de brinquedos. Com tanto sucesso assim, não é de se estranhar que muita gente comece a rabiscar as primeiras linhas para criar seus próprios personagens. O Buchicho Teen desta semana foi atrás de histórias de meninos e meninas que adoram ler quadrinhos e agora estão aprendendo os segredos desse traçado. Quem sabe eles não virão a ser quadrinistas profissionais?
FUTURO QUADRINISTA
O primeiro desenho foi aos cinco anos de idade. Inspirado por um seriado animado exibido na TV Globo, o estudante Lucas Albuquerque Rebelo, 15, resolveu pegar o lápis e o papel. O resultado? “Acabei fazendo aquela bolinha com bracinhos de palitinho”, lembra. Incentivado por um tio, começou a ler e reler histórias em quadrinhos. Com aquelas imagens na cabeça, foi crescendo a vontade de desenhar. Há dois meses o estudante, que mora na Cidade dos Funcionários, começou um curso de desenho para aprimorar sua técnica. Sonha em se tornar profissional. “Quero fazer faculdade de arquitetura, ter emprego garantido, mas quero viver de quadrinho”, planeja. Filho de uma professora e de um vendedor de automóveis, Lucas se diz caseiro. Vai pouco a festas e gosta mesmo é de ficar em frente ao computador, treinando art concept. Gasta pelo menos umas duas ou três horas por dia. Fã da HQ Spawn, além do Homem Aranha, Hulk e Homem de Ferro, Lucas já criou o seu próprio personagem: Caveira Scarlet. Vestido de uniforme vermelho berrante, o personagem ainda não tem roteiro, mas já ganhou personalidade própria. “Ele é do tipo frio, não tem piedade, é sozinho”, adianta.
O TOQUE FEMININO
Quem pensa que quadrinho é coisa de menino engana-se. Como toda garota da sua idade, a estudante Hellen Pollini, 15, adora assistir ao seriado Gossip Girl e ficar horas diante do computador, mas ela também não deixa de lado duas de suas paixões: mangás e animes. Mas Hellen não é só leitora. Inspirada pelo estilo japonês, ela faz suas próprias composições. “Minhas amigas gostam dos meus desenhos. Geralmente desenho pessoas e o que vem na cabeça”, conta. Fã de Dragon Ball, Inuyasha, Shaman King e Pokémon, Hellen rabisca desde criança. Na época, quando passava férias na fazenda da família, nas proximidades de Morada Nova, costumava desenhar cavalos, árvores, galinhas, cachorros e os primos da mesma idade. “Eu desenhava em casa e meus pais elogiavam”, lembra. A própria mãe sugeriu que Hellen procurasse um curso na área. Há dois meses começaram as aulas. “Eu acho que eu levo jeito”, comenta. Moradora do bairro José Walter, Hellen não pensa em seguir carreira nos quadrinhos. “Eu queria fazer veterinária, mas também queria ser atriz. Não decidi”, conta.
LOUCO POR HQs
Sabe paixão à primeira vista? Foi justamente o que sentiu o estudante Rodolfo Bluhm, 15, quando conheceu mais de perto os quadrinhos japoneses, os chamados mangás. No começo deste ano, ele foi a um evento, organizado em Fortaleza, que reúne jovens e adolescentes aficionados pela cultura japonesa. Não deu outra. A vontade de aprender a fazer aqueles desenhos era tanta que Rodolfo procurou com urgência um curso especializado. “Não tinha vaga, daí eu reservei. Eu fui o primeiro para o semestre seguinte”, conta o adolescente, que mora no bairro Dionísio Torres. Mas ele não parou por aí. Além dos desenhos, começou a ter aulas de língua japonesa. “Normalmente, os desenhos que passam em televisão, quando são dublados, não têm nada a ver”, explica. Para completar, Rodolfo entrou para um grupo urbano chamado Otaku, com fãs de mangá e cultura japonesa, e ainda encontrou tempo para a prática de taekwondo. “Eu me transformei. Eu achava ridículo adolescente que gostava disso. Mas eu vi que não é bem assim. Eu pensava que era uma coisa sem história. Quando a gente começa a ler, não dá para largar”. Filho de empresários, quando o assunto é o futuro como quadrinista, Rodolfo garante que é apenas um hobby. Mas já tem um plano em curto prazo. “Se o curso (de desenho) der certo, eu pretendo fazer um mangá meu com meus amigos. O primeiro mangá brasileiro legal. Perfeito”.
ONDE APRENDER
Estúdio Daniel Brandão - Av. Santos Dumont, 3131A, sala 817, Torre Comercial do Del Paseo - Aldeota. Fone: 3264 0051. E-mail: daniel.s.brandao@gmail.com. Oferece cursos de desenho básico, história em quadrinhos e mangá. Com duração de cinco meses, custam R$ 40 a taxa de matrícula e R$ 90 a mensalidade. A idade mínima para o curso de mangá é de 12 anos e para desenho ou quadrinhos, 14 anos.
Oficina de Quadrinhos da Universidade Federal do Ceará (UFC) - Projeto de extensão do curso de Comunicação Social, o curso abre vagas a partir do próximo semestre. O local de funcionamento ainda não está definido. O curso é gratuito. É cobrada apenas uma taxa - de valor simbólico - para inscrição. A idade mínima é de 15 anos. Não é obrigatório saber desenhar. Outras nfopelo e-mail: oficina.quadrinhos.ufc@gmail.com
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