O talentoso chef Pivete começou a carreira lavando pratos em um restaurante e hoje assina delícias da culinária francesa
07/10/2008 01:36

Quem conhece o chef de cozinha Francisco Nascimento, o “Pivete”, 39 anos, sabe que o apelido que recebeu no começo da sua profissão jamais interferiu na grandeza do seu talento. Cozinheiro de mão cheia, e por que não dizer de coração cheio, ele fala de sua profissão com um prazer admirável, como se saboreasse as delícias francesas que prepara todas as noites, no badalado Piaf Restaurante. Quem conversa com Pivete, percebe o amor intenso que ele tem pelo que faz, porém, um amor quase “pivete”, quando comparado ao prestígio dado a ele pelos patrões e clientes.
Pivete nasceu em Sobral e viveu lá até os oito anos, período em que veio morar com a família em Fortaleza. De origem humilde, durante a adolescência precisou ajudar nas despesas da casa e foi trabalhar em um mercadinho em Paracuru. A saudade da família e da namorada que ficara em Fortaleza o faziam ter interesse em voltar a morar junto a eles. A oportunidade chegou cheia de surpresa. A namorada ficou grávida e fazia-se necessário que ele voltasse à capital para assumir a nova família. Aproveitando a indicação de um amigo, ele retornou para trabalhar lavando louças em um restaurante de comidas nordestinas da Praia de Iracema.
No novo trabalho, o rapaz observava os pratos sendo feitos por auxiliares de cozinha e, em pouco tempo, atrevia-se a preparar suas primeiras receitas. Trabalhava há apenas três meses no novo emprego, quando soube que um outro restaurante dispunha de vagas para auxiliar de cozinha. Não perdeu tempo, e foi contratado como auxiliar. Naquele momento, sem imaginar, Pivete conheceria Sandra Gentil, uma das maiores culinaristas do Ceará, que seria sua professora na arte de preparar pratos elaborados com a sofisticação francesa. Durante os quatro anos que passou no restaurante, época em que recebeu o apelido dos seus colegas de trabalho, por ser baixinho e muito novo, o rapaz permaneceu sob os ensinamentos de Sandra, o que atribuiu a ele uma certificação que nenhuma escola o deu até hoje.
No início, a namorada Adriana, que hoje é sua esposa, mãe dos seus três filhos, Bruno, 19, Brena, 12 e Beatriz, 10, mostrou-se contrária à profissão de Pivete. Dizia ela que não gostava que o marido passasse as noites fora de casa, mas foi convencida pelos argumentos dele de que era uma profissão boa, “que dava dinheiro”.
Como receita do seu sucesso, o chef atribui ao amor pela cozinha. Ainda assim, ele pretende mudar de ramo no futuro e deixar os clientes na saudade. “Quero colocar meu próprio negócio e trabalhar somente com carnes ou com culinária nordestina”, idealiza.
Mais de Pivete
Retorno financeiro
“Ganho razoavelmente bem. Consegui comprar minha casa, meu carro, minha moto e não deixar faltar nada para a minha família.”
Reconhecimento
“Maior do que o prazer de fazer um prato bonito e gostoso, é o prazer de receber elogios dos clientes.”
Satisfação
“Gosto de ver o cliente comer com os olhos antes de saborear.”