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"Vale a pena ser de Deus"

Paula Lima
da Redação

A banda Dominus é uma das atrações do Halleluya. O vocalista Léo Rabello conversou com o Buchicho sobre música católica e a mensagem de evangelização e alegria dos shows


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21/07/2007 14:53

(Foto: Divulgação)
(Foto: Divulgação)


Um grupo de amigos juntou-se para cantar músicas de Deus. Ficaram conhecidos como a banda que animava missas e grupo de oração de jovens católicos. Levaram para dentro da igreja percussão e louvações ao Senhor em ritmo de axé. A comunidade católica mineira aprovou e começaram a surgir convites de outras paróquias e interior do estado. Dezoito anos depois, o vocalista da banda Dominus, Léo Rabello, 32, quer que a música católica ultrapasse as paredes das igrejas e ganhe espaço na grande mídia.

A Dominus é uma das atrações do Halleluya, evento de música católica que acontece entre os dias 25 e 29 de julho, em Fortaleza. Ano passado o show da Dominus reuniu 110 mil pessoas para cantar as músicas de “evangelização”. A banda é um fenômeno da música católica, chamada de Jota Quest católico já chegou a 100 mil cópias vendidas, fez apresentações na Argentina, cantou para o Papa Bento XVI e prepara-se para o primeiro show nos EUA.

Em entrevista por telefone ao Buchicho, Léo Rabello fala sobre o mercado da música católica e a mensagem positiva que a Dominus quer transmitir aos jovens. A música da banda é canal para a evangelização e para “mostrar que não é careta ser um jovem da igreja”, conta Léo.


O POVO – Como surgiu a idéia da banda? Vocês sempre cantaram música católica?
Léo Rabello - Já começamos na música católica, tocando em pequenos grupos de jovens e também nas missas. Já nas missas começamos fazendo algo meio diferente, levando bateria e percussões, isso deu uma diferenciada. Começou que grupos de outras igrejas chamaram a gente para tocar em outras paróquias, recebemos convites para ir para o interior do estado, e aí a banda começou.

OP – Quando a música virou profissão?
Léo – Depois de uns oito anos fazendo shows começamos a viver de música. No começo eu trabalhava com engenharia elétrica, sou formado na PUC. Demorou, mas hoje somos todos voltados para a música.

OP – Os integrantes sempre foram católicos, você nasceu em família católica?
Léo – São de vários movimentos. Hoje em dia os integrantes são todos católicos, mas já passaram evangélicos pelo grupo. Eu sempre fui católico.

OP – Qual o perfil do público alvo de vocês, quem são esses jovens fãs da Dominus?
Léo – São jovens que participam muito da igreja, e também os que não participam tanto. São crianças, adolescentes, gente entre 12 e 30 anos. Nosso maior público está no Nordeste.

OP – Qual a mensagem que vocês querem passar?
Léo - Que vale a pena ser um jovem de Deus, que tem valores positivos de honestidade, moral, ética, esses que são valores cristãos. Queremos mostrar que não é careta ser um jovem da igreja. A gente pode ser feliz sem consumir drogas, é possível ser feliz sem encher a cara.

OP – Apenas jovens católicos se interessam pela música da Dominus?
Léo – Não, tem muita gente que compra cd nosso e é não é da igreja. Até porque nosso objetivo é de pesca, de arrebanhar pessoas para a igreja. Mas posso dizer que os jovens que escutam nossa música um dia serão da igreja.

OP – Então o show de vocês é uma evangelização?
Léo - É, isso mesmo. O show é um pretexto, uma maneira de chamar atenção dos jovens para as mensagens que queremos passar.

OP – Funciona? Qual retorno vocês tem disso?
Léo – Recebemos muitos e-mails e cartas de jovens que foram tocadas pelas mensagens dos shows e querem mudar de vida, buscar a presença de Deus. Tem jovem que diz que quer largar as drogas. Uma vez aconteceu de um menino, que foi ao nosso show, escrever um depoimento dizendo que nunca tinha sentido na vida uma alegria daquelas. Contou que tinha tentado suicídio na noite anterior, passou perto de onde acontecia o show, parou para ver o que era aquilo e gostou. Escreveu pra gente querendo saber o que fazia para se livrar das drogas.

OP – E aí qual a orientação?
Léo – A gente bate um bom papo e encaminha pra quem organizou o evento pra poder participar dos grupos de jovens de lá, da igreja.

OP – Você já falou em alegria. Mas qual a receita para atrair a atenção dos jovens?
Léo – Um show profissional, bem feito. Nosso show não perde em nada para grandes nomes da música secular. Tem equipe técnica profissional, muita dança. O jovem gosta de música de qualidade, quando a gente capta a atenção desse jovem, eu falo algumas mensagens, entre uma música e outra. Falo algumas coisas, não dou uma palestra, mas passo uma mensagem.

OP – Que tipo de mensagens são essas?
Léo – Que vale a pena ser de Deus, que ninguém precisa de drogas. São frases que eu sinto que são importantes, e acredito serem inspiradas por Deus. Só ao lado do espírito santo, podemos ser felizes.

OP – Em quais cantores que fazem sucesso na mídia você se influencia?
Léo – Na música baiana em geral, e nas bandas mineiras como Skank e Jota Quest.

OP – Vocês são chamados de Jota Quest católico, o que você acha da definição?
Léo - A mídia sempre coloca comparações, porque não tem referências da música católica. Então usa referência da música secular, e essa comparação é para falar do sucesso de público. Nosso som não tem muito a ver com o Jota Quest, mas podemos ser comparados porque é uma banda que o povo gosta.

OP – As letras das músicas de vocês são textos católicos ou ensinamentos do papa. Quais assuntos não falar? A música baiana é cheia de letras sensuais, vocês criticam essas posturas?
Léo – A gente não faz crítica, simplesmente fazemos com que a nossa banda não faça nenhuma apologia a pornografia. Entendemos que o nosso corpo é templo de Deus, onde Deus habita, somos a primeira banda católica a levar dança para o palco, mas uma dança alegre, sem sensualidade. Não entramos em assuntos polêmicos que envolvem o Papa, como aborto. Falar de Deus é mais importante, deixamos os detalhes para a burocracia. Nem fica musical falar sobre certos assuntos, mas apesar disso, assinamos em baixo de tudo o que o Papa está falando, porque é o que a nossa igreja prega e o que está no evangelho.

OP – Como foi a experiência de tocar para o Papa Bento XVI na visita dele ao Brasil?
Léo - Foi muito legal. Até porque quem chamou a gente foi o CNBB, órgão máximo da nossa igreja, então eles reconheceram a banda como algo bom para a juventude. Foi uma coroação do nosso trabalho, a mídia estava toda lá, foi uma oportunidade de fazer mais pessoas conhecerem nosso trabalho, e a música católica. Somos uma banda que já vendemos mais de 100 mil cópias de CDs. Essa exposição na mídia torna o trabalho mais rentável.

OP – Vocês já deram início a uma carreira internacional, fizeram shows na Argentina. Como é o mercado da música católica internacional? Você canta em espanhol?
Léo – Já fomos quatro vezes para a Argentina e no dia 31 de outubro vamos pela primeira vez tocar nos Estados Unidos. O mercado brasileiro de música católica, sem dúvida, é mais forte. Somos considerados o País da melhor música católica do mundo, e ainda estamos engatinhando, aí você vê. Fiz algumas versões de músicas em espanhol, mas não vou cantar em inglês, canto em português ou espanhol e falo em inglês.

OP - A banda deu origem a Associação Cultural Dominus, hoje chamada de Associação Arte pela Paz, que auxilia jovens carentes. Como surgiu esse projeto?
Léo – Fomos percebendo que a música é um excelente modo de retirar jovens de situação de risco, que chamamos de vulnerabilidade social. Se você joga a arte para esse jovem ele tem grande chance de não entrar no mundo do crime. Evangelização e ajuda social são a mesma palavra. Já atendemos mais de 600 jovens, são cento e poucos por semestre, nosso trabalho é um auxílio educação.

OP – Falando em ação social, o dinheiro arrecadado em shows e com a venda de CDs é revertido para essa associação ou alguma outra instituição de caridade?
Léo – Injetamos parte do dinheiro na Associação, e como ninguém vive de vento, temos nosso cachê. Olha, a venda de discos caiu muito, o MP3 acabou com essa história de comprar CD, a gente só faz para deixar a matriz, nosso DVD já é vendido pirata por aí. A maior parte da nossa renda vem dos shows.

OP – Vocês dão apoio a novas bandas católicas, jovens que estão começando agora na música católica?
Léo - A gente apóia através da nossa produtora. Oferecemos gravação no nosso estúdio, agenciamento, indicamos o show deles. O que é muito bom, porque somos conhecidos então se estamos indicando é porque a banda merece, mas claro que indicamos depois de analisar. Hoje agenciamos quatro bandas, fora muitas outras que já indicamos.

OP – São 18 anos de estrada quais os erros e acertos dessa trajetória?
Léo – Poderia dizer que houve erro na difícil convivência com o ser humano. Lidar com músicos, pessoas, é a grande dificuldade. Vejo como dificuldade o cenário mesmo, a música católica ainda está muito engatinhando. Para você ver o público evangélico é mais fiel do que o católico. Fizemos um show para 110 mil pessoas em Fortaleza, mas foi de graça, se cobrasse 10 reais não daria esse público. Não é competição com a música evangélica, eu amo as músicas evangélicas, e temos que aprender com eles. O músico evangélico sobrevive só de música, para o católico conseguir tem que sambar.

OP – Qual o objetivo da Dominus, onde a banda pretende chegar?
Léo - Nosso sonho é que a música católica atinja meios maiores, gostamos muito de tocar para o Papa porque isso também deu visibilidade na mídia secular. Fomos matéria na TV, jornais, rádios. Queremos chegar a todas as pessoas.

OP – Então vocês querem tocar nas FMs, dividir espaço com um Funk que fale de cachorras não vai incomodar?
Léo - Tomara que isso aconteça. Nossa idéia é essa mesmo, chegar no cara que escuta o funk das cachorras, que nunca vai parar numa rádio católica para nos ouvir, mas se nossa música estiver tocando em todo lugar talvez ele escute nossa mensagem e transforme de alguma maneira o modo de ver a vida.


Serviço:
Halleluya
Dias 25 a 29 de julho. Condomínio Espiritual Uirapuru (CEU). Av. Alberto Craveiro, 2222, Castelão. Grátis.

Saiba Mais
Show da Dominus no Halleluya para 110 mil pessoas.
http://www.youtube.com/watch?v=-HieSXFR5m4

Bastidores da banda Dominus no Carnaval 2007, em Canção Nova.
http://br.youtube.com/watch?v=AKtRRMp41AU

Para ouvir a música Timbal.
http://br.youtube.com/watch?v=YUf6yguBsys&mode=related&search=


Discografia

Canção que Liberta – 1997
Confia Brasil – 1999
Dominus 3 – Ao Vivo – 2001
Dominus mais Perto – 2003
Contemplar o Senhor – 2004
Dominus Salvador ( VD e DVD) - 2006


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