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Morre aos 80 anos o ator Fernando Torres


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05/09/2008 00:56

Ator e diretor teatral Fernando Torres, com a filha Fernanda (Divulgação)
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Ator e diretor teatral Fernando Torres, com a filha Fernanda (Divulgação)

O ator e diretor teatral Fernando Torres morreu ontem aos 80 anos em sua casa de Ipanema, no Rio. Ele era casado com a atriz Fernanda Montenegro desde 1952. Seu último trabalho na TV foi na telenovela da Rede Globo, Laços de Família, de Manoel Carlos, em 2000. No cinema, ele atuou em Redentor, de 2004, dirigido por seu filho, Claudio Torres.

O corpo de Torres deve ser cremado, sem haver velório. Além de Claudio, deixou outra filha, a atriz Fernanda Torres, e três netos. Nascido em Guaçui, no Rio, em 14 de novembro de 1927, Torres fez parte do Teatro Brasileiro de Comédia (TBC) e foi co-fundador do Teatro dos Sete, em 1959, ao lado de Gianni Ratto, Sergio Britto, Ítalo Rossi e Fernanda Montenegro.

Sua encenação de O Beijo no Asfalto, de Nelson Rodrigues, rendeu ao ator o título de diretor revelação. Após o término da companhia, em 1966, ele passou a dirigir espetáculos no palco.

Torres recebeu o prêmio Governador do Estado da Guanabara com Amante de Madame Vidal, de Louis Verneuil, no qual revelou uma visão crítica sobre os costumes da época, em 1973. Três anos depois, foi eleito melhor ator pela crítica teatral da cidade de São Paulo. Na TV Globo, estreou como diretor de Minha Doce Namorada, em 1971. No cinema, atuou ainda em Engraçadinha Depois dos 30, de J. B. Tanko, e Veja Esta Canção, de Cacá Diegues, entre outros. (da Folhapress)


Comentários sobre a morte de Fernando Torres

Amigos e colegas de profissão falam sobre o ator, que morreu em sua casa, no Rio, hoje.

* Sérgio Britto, ator: "Fernando era uma pessoa maravilhosa, um grande artista e um grande homem. O teatro dava a ele uma força especial. Ele tinha paixão pelo trabalho. Foi uma pessoa inacreditável, de quem eu falo com muita emoção. Conheci Fernando fazendo teatro universitário no Rio de Janeiro. Trabalhamos juntos até a década de 70 e nunca perdemos o contato através desses anos todos."

* Miguel Falabella, diretor e ator: "Na minha história, ele terá sempre um lugar de honra. Ele, de certa forma, mudou a minha vida. Uma vez, disse pra mim: "Rapaz, você está perdendo tempo e dinheiro (atuando). Escreva". Ele era um homem extremamente culto e que gostava de seus pares. Contava muitas histórias, tinha uma veia cômica aguçada. A última vez que estive com ele foi no CCBB, quando a família fez uma homenagem por ocasião dos 80 anos dele. O mundo fica mais pobre e nós também."

* Tony Ramos, ator: "É muito doloroso tudo isso, mas, ao mesmo tempo, quero lembrar dele pela grandeza que teve. Era um ator da maior importância para esse País, que lutou contra a ditadura, que estava com uma peça pronta para estrear, que foi proibida, e que, da noite para o dia, teve que achar, com Fernanda, sua companheira, uma outra peça. Eles lutaram sempre, batalharam para criar seus dois maravilhosos filhos. Tinha uma cultura enorme, e, ao mesmo tempo, tinha humor e silêncio na sua observação da própria vida."

* Lilia Cabral, atriz: " Apesar do pouco tempo de convivência, ele foi um dos mestres da minha vida, sempre carinhoso, generoso, tirando nossos vícios. Foi um grande companheiro e o meu melhor marido (na novela Laços de Família)".

* Hugo Carvana, diretor e ator: "Trabalhamos juntos nos anos 60. Ele era uma pessoa muito querida, muito amiga, um homem de teatro, batalhador incansável, belíssimo ator. O teatro brasileiro perde um representante autêntico e fiel. Assim como Fernanda (Montenegro) perde uma pessoa amada, perdemos todos nós, o Brasil, o teatro, os amigos. É um momento muito doloroso para todos os que fazemos arte e cultura nesse País".

* Marieta Severo, atriz: "Fizemos um novela juntos e, apesar de não termos contracenado, sempre nos cruzamos pela vida. Ficamos próximos quando ele produziu "Calabar" (peça de autoria de Chico Buarque, seu ex-marido). Tinha enorme admiração por ele e acompanhava sua carreira. Fernando era um artista refinado, atento, criativo e um ser humano da maior grandeza. Ele teve uma participação fundamental no nosso teatro, no cinema e em tudo o que fazia".

* Rosamaria Murtinho, atriz: "Era bom ator, diretor e uma pessoa extremamente inteligente. Sua inteligência vai fazer falta ao teatro. Como diretor, era amigo dos atores, tinha cuidado. Era companheiro e humilde no ato de representar. Não achava que se bastava, não era arrogante."

"Ele era uma pessoa boa, sabia somar, conciliar forças opostas, intermediar. Uma pessoa inspirada, de grande doçura. Um colega extraordinário"
Cecil Thiré, ator e diretor

"Sabia viver, tinha alegria, deu um grande exemplo de amor ao teatro. A imagem que tenho dele é a do talento, do amor à família. Nunca perdi nada do trabalho dele"
Eva Wilma, atriz

"Com uma capacidade extraordinária como ator e criador, seja no teatro, no cinema ou na televisão do País, Fernando Torres teve papel fundamental na modernização de linguagens e repertórios da cena brasileira"
Juca Ferreira, ministro da Cultura


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