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Espanha dará trégua a viajantes do Brasil

Uma solução com relação a brasileiros barrados na Espanha deve ser tomada depois da posse do premier reeleito Rodríguez Zapatero. Amorim e Moratinos concordaram que é preciso avaliar a rigidez dos espanhóis, que vem sendo seguida no Brasil

Iuri Dantas, Silvana de Freitas e Luiz Francisco
da Folhapress

13 Mar 2008 - 01h46min

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Celso Amorim adiantou que imigração será tema de diálogo (Foto: JOSÉ CRUZ/ABr)
O ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim, acertou com o governo da Espanha uma espécie de trégua na rigidez contra a entrada de brasileiros naquele país até o início de abril. No próximo mês, de acordo com o ministro, as chancelarias espanhola e brasileira sentarão à mesa para discutir a possibilidade de adotar novas ferramentas de controle migratório entre os dois países.

A trégua foi acertada em um telefonema entre Amorim, em Brasília, e seu colega espanhol, Miguel Ángel Moratinos, em Madri, ontem pela manhã. Representa uma primeira tentativa de entendimento desde o início da crise provocada pela expulsão de estudantes brasileiros que passariam por Madri a caminho de congressos em Portugal.

"Não lembro se (Moratinos) usou especificamente a palavra trégua. Eu interpreto como a palavra trégua, como uma mitigação do que vem ocorrendo recentemente", disse Amorim posteriormente à Comissão de Relações Exteriores do Senado. A Embaixada da Espanha na capital brasileira confirmou o telefonema e o abrandamento das regras sobre os turistas brasileiros.

Os dois chanceleres concordaram que é preciso avaliar a rigidez dos espanhóis.

Em fevereiro, a média diária de brasileiros inadmitidos na Espanha foi de 15, contra seis em 2006. A reunião bilateral precisa aguardar, porém, a formação do novo gabinete de José Luiz Zapatero, primeiro-ministro reeleito no domingo, o que deve ocorrer no início de abril.

Até lá, Moratinos comprometeu-se a conversar com o ministro do Interior, Alfredo Pérez Rubalcalba, e pedir um abrandamento na aplicação das regras de imigração em vigor. As regras são impostas pela União Européia (UE), porém sua aplicação varia de país a país. "Vamos ver, examinar e vigiar. O chanceler deu a entender que fará um esforço para que não haja problemas, mas não disse se evitarão todas (as negativas) ou algumas. O ideal é que não houvesse nenhuma", acrescentou Amorim.

O aumento de brasileiros inadmitidos na Espanha ganhou repercussão quando a mestranda em Física da Universidade de São Paulo (USP), Patrícia Camargo Magalhães, foi barrada, no início de fevereiro em Madri. No último dia 5, os alunos de mestrado do Instituto Universitário de Pesquisas do Rio de Janeiro (Iuperj), Patrícia Rangel e Pedro Luiz Lima também foram, barrados.

Um dia depois desse segundo caso, espanhóis começaram a ser barrados em aeroportos brasileiros. Até ontem, 24 casos tinham sido registrados. O ministro da Justiça, Tarso Genro, reafirmou que o governo brasileiro vai tratar com rigor a entrada de espanhóis no País: "Vamos exercer com toda a plenitude, com todo o rigor a nossa soberania", disse. A Polícia Federal na Bahia passou a inspecionar todos os estrangeiros que chegam ao Brasil pelo Aeroporto Internacional Deputado Luís Eduardo Magalhães, em Salvador.

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