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PREOCUPAÇÃO

51% dos adultos estão acima do peso no País

A pesquisa mostra que atualmente 3% dos brasileiros são obesos mórbidos, índice que tende a crescer. O estudo só analisou pessoas com mais de 18 anos, o que pode esconder um porcentual ainda maior de pessoas acima do peso

Emilio Sant'Anna
da Agência Estado

05 Jan 2008 - 00h28min

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Mais da metade da população brasileira (51%) está acima de seu peso ideal. Uma pesquisa da Sociedade Brasileira de Cirurgia Bariátrica e Metabólica (SBCBM), realizada em todas as regiões do País com 2.179 pessoas, revela um dado ainda mais preocupante: entre as pessoas de 18 a 25 anos, esse índice é de 66%.

Segundo o presidente da SBCBM, Luiz Vicente Berti, as conseqüências desse quadro devem ser sentidas em breve pelo Sistema Único de Saúde (SUS). "Se não tomarmos uma atitude, nenhum sistema de saúde terá dinheiro para pagar essa conta no futuro", afirmou em São Paulo. A pesquisa mostra que atualmente 3% dos brasileiros são obesos mórbidos, índice que tende a crescer.

"A pessoa com sobrepeso hoje pode se tornar o obeso de amanhã e o obeso mórbido de um futuro próximo", declarou. "Estamos sentados em cima de uma bomba que pode explodir em muito pouco tempo". O estudo só analisou pessoas com mais de 18 anos, o que pode esconder um porcentual ainda maior de pessoas acima do peso.

"Quando alguém vê um adolescente fumando ou ingerindo álcool, se preocupa com isso, mas o mesmo não ocorre quando vê uma criança comendo na frente do computador ou da televisão", exemplificou. Apenas 38% dos entrevistados afirmam praticar atividades físicas e 20% usam algum tipo de droga como álcool ou cigarro. As conseqüências também podem ser medidas: 58% das 2.179 pessoas apresentam algum problema de saúde.

Para 27%, a hipertensão é a principal dessas doenças. Mas outras, como diabete, problemas nas articulações e depressão, também costumam acometer essas pessoas. Em 15% das casas visitadas pelos pesquisadores, seus moradores afirmaram fazer algum tipo de dieta. Os motivos mais citados para a restrição alimentar são a hipertensão, diabete e doenças cardíacas.

"Esses dados mostram que alguma coisa tem de ser feita, pois lá na ponta o único tratamento para a obesidade mórbida é a cirurgia, que não é isenta de riscos", afirmou Berti. De acordo com o médico, a cirurgia bariátrica (de redução do estômago) pode ter até 1,5% de risco de morte.

Os gastos com saúde acompanham os estágios da obesidade. Enquanto uma pessoa com peso considerado normal gasta por ano cerca de R$ 750,00, com remédios e consultas, por exemplo, esse valor sobe para R$ 1.047,00 para os que têm sobrepeso. Os que são considerados obesos leves gastam R$ 1,5 mil por ano. Os obesos mórbidos, cerca de R$ 1,8 mil.

Além das doenças e gastos associados à obesidade, as atividades cotidianas são outro problema para essas pessoas. Comprar roupas, amarrar os sapatos, subir escadas e manter uma vida sexual foram algumas das atividades em que os entrevistados relataram encontrar as maiores dificuldades.

Para a secretária Christiani Boiago, de 35 anos, a vontade de ter uma "velhice saudável" fez com que passasse por uma cirurgia bariátrica há cinco meses. Nesse período, passou de 112 para 80 quilos e diminui sua taxa de glicemia, que era quase igual a de um paciente diabético. "Não sou de comer doces, nem gosto de chocolate, mas comia muita massa e salgados fora de hora", contou.

Desde antes da operação, paga por seu plano de saúde, a secretária teve o auxílio de um psicólogo para aprender a controlar sua ansiedade. Christiani pesava 62 quilos e após um relacionamento mal resolvido, passou a pesar 120. O acompanhamento psicológico e a reeducação alimentar, segundo o presidente da SBCBM, são fundamentais para evitar que o paciente engorde depois da operação. (das agências de notícias)

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