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Joel Silveira, jornalista e escritor, morre aos 88 no RJ

Para o dono dos Diários Associados, Assis Chateaubriand, Joel Silveira era "A Víbora". O jornalista e escritor acompanhou a FEB na Itália, na Segunda Guerra Mundial. Também ficaram famosas reportagens dele sobre a sociedade paulistana


16 Ago 2007 - 01h42min

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Joel Silveira chegou a se candidatar, sem êxito, à Academia Brasileira de Letras
(Foto: Fábio Motta/AE)
O escritor e jornalista Joel Silveira morreu ontem aos 88 anos completos, no Rio de Janeiro. Ele estava em casa e sofria de câncer de próstata. Silveira estava doente havia muitos anos. Nas últimas semanas, apresentou uma anemia profunda, piorando o quadro. Segundo sua filha Elisabeth Silveira, 61, ele faleceu dormindo, às 8 horas. "Ele tinha um tumor há muitos anos e não quis fazer nenhum tratamento", afirmou ela. "Mas morreu em paz, como merecia".

A pedido antecipado do jornalista, não haverá velório. A cerimônia de cremação ocorrerá hoje, no crematório da Santa Casa de Misericórdia. A despedida será iniciada às 14 horas. Silveira deixa três filhos. Ele tinha mais de 60 anos de carreira no jornalismo. Nascido em 1918 na cidade de Lagarto (SE), começou a trabalhar em um jornal local.

Mudou-se para o Rio aos 19 anos e trabalhou em grandes publicações, como da rede dos Diários Associados, revistas Diretrizes e Manchete, jornais O Estado de S. Paulo, Correio da Manhã e Última Hora. Ele foi repórter especial, correspondente de guerra e lançou mais de 40 livros. Devido a seu estilo, o jornalista ganhou do fundador dos Diários Associados, Assis Chateaubriand, o apelido de "A Víbora".

Ficaram famosas duas grandes reportagens sobre a sociedade paulistana, "Eram assim os grã-finos em São Paulo" e "A milésima segunda noite da avenida Paulista". Um dos maiores destaques de sua carreira foi a cobertura que realizou da Segunda Guerra Mundial na Itália, junto à Força Expedicionária Brasileira (FEB), como correspondente dos Associados.

Silveira ganhou da Academia Brasileira de Letras o Prêmio Machado de Assis pelo conjunto de sua obra literária. Em 2001, concorreu a uma vaga na Academia para a cadeira de Jorge Amado, que morreu naquele ano. A candidatura era uma alternativa à da viúva de Amado, Zélia Gattai, que ganhou a eleição com 32 votos contra quatro. Segundo o jornalista, Zélia estaria sendo aclamada à época "por ser viúva de Amado, não por ser escritora".

No ano anterior, o jornalista havia entrado na disputa pela cadeira que foi de Barbosa Lima Sobrinho, mas desistiu diante da candidatura do jurista Raymundo Faoro. Em maio deste ano, Silveira foi homenageado pela Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo (Abraji) no segundo congresso internacional organizado pela entidade. Ele também ganhou prêmios como Líbero Badaró, Esso e Jabuti. (da Folhapress)

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