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Grávidas já podem tratar câncer durante gestação

Grávidas com câncer já podem tratar a doença sem precisar interromper a gestação. As sessões de quimioterapia feitas ainda no pré-natal não prejudicam o bebê, que nasce saudável. Além de drogas específicas o tratamento obedece a regras próprias quanto ao início e ao fim da terapia


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16/06/2007 17:06

O aumento do número de casos levou o Hospital das Clínicas (HC) a montar um ambulatório específico para tumores durante a gravidez. Só no ano passado, seis mulheres foram atendidas com sucesso e, neste ano, há sete gestantes até agora. De acordo com o obstetra Waldemir Resende, da Clínica de Ginecologia do HC, até 2003, a maior parte das doenças ginecológicas diagnosticadas durante a gravidez era benigna, como miomas ou má-formação do útero.

A partir daquele ano, aumentou o número de grávidas com tumores malignos, e houve uma mudança na conduta médica: o tratamento quimioterápico do câncer da mãe poderia ser feito sem a necessidade da interrupção da gestação, até então indicada para evitar o risco de morte materno. A gravidez e o bebê estavam preservados. "As próprias pacientes se recusavam a abortar e diziam que ou ficavam com a criança ou não tratavam o câncer", diz o obstetra. "Percebemos que seria possível fazer os dois, já que a mãe pode ser tratada com algumas drogas que permitem a evolução da gravidez, sem prejuízo ao bebê", completa.

Segundo o obstetra Pedro Luiz Lacordia, chefe do setor de oncologia ginecológica pélvica da Unifesp, algumas drogas não são usadas em grávidas porque, classificadas como antimetabólicas, podem ocasionar má formação fetal. "Mas a mulher grávida pode e deve ser tratada com quimioterapia, apenas evitamos determinados medicamentos". Entre os tumores ginecológicos, o câncer de colo de útero é o mais comum em mulheres grávidas, de acordo com Lacordia. O dado tem a ver com a idade: esse tipo de câncer atinge geralmente jovens, ainda em idade fértil.

De acordo com Resende, além da dose e do tipo de droga, a quimioterapia em gestantes tem de obedecer a regras próprias quanto ao início e ao fim do tratamento. A primeira sessão só pode ser feita a partir da 15ª semana, período de formação dos órgãos do feto. Em casos de câncer de mama, o risco de má formação fetal em mulheres que começam a quimioterapia findo o primeiro trimestre de gestação é de 14% em média, contra 30% no início da gravidez.

Dentro da barriga da mãe, o bebê é protegido tanto pela placenta como por órgãos maternos, como fígado e rins, que ajudam a depurar a droga. Mesmo assim, a última sessão de quimio tem de acontecer entre quatro e seis semanas antes do parto para que o organismo fetal seja desintoxicado de qualquer resíduo quimioterápico. (da Folhapress)


FIQUE POR DENTRO

O câncer de colo de útero é facilmente evitável por meio do exame Papanicolau, que detecta o HPV, vírus do papiloma humano, presente em 94% dos casos.


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