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Parada Gay reúne 3,5 milhões em São Paulo

A 11ª Parada do Orgulho GLBT reuniu 3,5 milhões de pessoas de todo o País, ontem, na Avenida Paulista. A festa foi marcada pela luta por legislação que iniba a violência contra homossexuais. O evento contou com 23 trios elétricos e 800 soldados na segurança


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11/06/2007 02:34

A irreverência e alegria dos gays, lésbicas, travestis e simpatizantes que foram à Parada estava estampada nas fantasias e camisas com protestos (Foto: JÚLIA MORAES / FOLHA IMAGEM)
A irreverência e alegria dos gays, lésbicas, travestis e simpatizantes que foram à Parada estava estampada nas fantasias e camisas com protestos (Foto: JÚLIA MORAES / FOLHA IMAGEM)

A enorme bandeira com as cores do arco-íris, que representa a luta da 11ª edição da Parada do Orgulho GLBT em foi aberta às 14h20min, no meio da multidão presente na Avenida Paulista. Uma hora antes do evento, um carro de som tocou o Hino Nacional Brasileiro, em frente ao prédio da TV Gazeta. Logo na abertura, a ministra do Turismo, Marta Suplicy, que estava dentro do carro, pediu o fim do preconceito contra os gays. "Essa é a maior parada do planeta. Nossa cidade está mostrando cada vez mais que respeita as diferenças", disse.

Segundo a Polícia Militar, que esteve com 800 soldados distribuídos pelas ruas da região, cerca de 3,5 milhões de pessoas ocupavam as duas faixas da Avenida Paulista. Por volta das 12 horas, uma hora e meia antes de começar a parada, o prefeito de São Paulo Gilberto Kassab (DEM) passou rapidamente pela festa. Em coletiva realizada no Vão Livre do Museu de Arte de São Paulo (Masp), ele disse que a Prefeitura tem feito o possível para combater a discriminação contra gays e lésbicas e dá total apoio ao encontro.

A cerimônia oficial de abertura da Parada Gay foi marcada por críticas à falta de uma legislação que iniba a violência contra homossexuais. "Mais uma vez, a gente vai fazer um grande evento. Infelizmente, a nossa visibilidade ainda não foi suficiente para reverberar em ações de políticas públicas. Ainda somos tratados como cidadãos de segunda", disse Nelson Matias Pereira, presidente da Parada do Orgulho GLBT de São Paulo. "Estamos aqui para pedir apoio à lei importante que criminaliza a questão da homofobia", completou, dirigindo-se ao prefeito Gilberto Kassab e ao ministro dos Esportes, Orlando Silva.

O Projeto de Lei n° 122/2003 tramita no Congresso Nacional e torna a homofobia um crime nos moldes do racismo. "Prefeito Kassab, nosso companheiro, queremos que o senhor peça aos senadores que votem favorável", reforçou Toni Reis, do grupo gay de Curitiba. Kassab, que vetou o Projeto de Lei n° 440/01, que criminaliza práticas homofóbicas no comércio, apontando problemas na redação do texto.

A ministra do Turismo, Marta Suplicy, que chegou logo após a abertura oficial, disse que falta "vontade política" dos parlamentares para aprovar leis que melhorem as condições dos gays. O chefe de gabinete da Secretaria Especial de Direitos Humanos, Vinicius de Carvalho, disse que a União planeja organizar uma conferência de políticas públicas para GLTB.

Os 23 trios elétricos que embalaram os participantes do evento, relembraram hits de Pet Shop Boys, Xuxa, Balão Mágico e outros sucessos os anos. Entre o público da festa, destacaram-se centenas de famílias que vieram de longe apenas para conhecer o evento. A dona-de-casa Marta Soares, de 52 anos, trouxe a filha de 12 anos. As duas se dizem simpatizantes e vieram do Rio de Janeiro. "Estamos adorando. É impressionante a união das pessoas e a vontade acabar com o preconceito", disse Marta, vestida toda de rosa e com plumas no pescoço.

Armando Pereira, 20, afirmou que a festa é o evento mais esperado da vida dele. "É o único dia em que podemos nos soltar sem medo de levar tapa dos outros e ser vítima de preconceito". Ele mora em Campinas (SP) e veio especialmente para participar da parada.

Em meio ao mar de gente que ocupou a Avenida Paulista, os camelôs aproveitaram para lucrar a mais do que em dias comuns. Uma lata de refrigerante não saiu por menos de R$ 3. Já os saquinhos de pipoca custaram entre R$ 4 e R$ 5. "Hoje é dia de sair do prejuízo visto no ano inteiro", comenta Carlos de Jesus, camelô há oito anos.


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