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Família comemora Dia das Mães com bolo doado pela igreja


14 Mai 2007 - 01h44min

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ERIDINALVA está entre as mães que não têm como garantir a alimentação da família

Eridinalva Souza Lopes, 33 anos, mora na Estrutural (DF) com seis filhos. A família passou o Dia das Mães na igreja evangélica para aproveitar o bolo feito pelo pastor. Desempregada, tem renda familiar de R$ 130, conseguidos por meio de trabalhos domésticos. O marido abandonou a família há três anos. Eridinalva e os filhos vivem hoje num barraco de madeirite de não mais de 30 metros quadrados, com cozinha, banheiro e dois quartos, sem qualquer porta em seu interior.

"É um dia muito especial e, quando dá, a gente prepara um bolinho e umas lembrancinhas para as mães lá na igreja. Eu acho que vai ter bolinho este ano porque o pastor é padeiro. Ele disse que vai preparar um bolo para a festa ficar melhor e todo mundo vai compartilhar", dizia ela antes de ir à igreja.

As filhas, entretanto, prometiam algo mais para a mãe, mesmo sem terem tomado o café da manhã do último sábado e nem o de ontem. Como é "surpresa", Aniele, a mais velha, com 14 anos, recusou-se a revelar o que dariam a Eridinalva: "Vamos dar um presente básico, simples, mas pelo menos nós vamos dar", disse a adolescente.

A dona de casa está entre as muitas trabalhadoras do País que não tiveram condições sequer de garantir o almoço da família no Dia das Mães. Estudos da Organização Internacional do Trabalho (OIT) e da Fundação Sistema Estadual de Análise de Dados de São Paulo mostram que a participação e remuneração das mulheres negras no mercado de trabalho brasileiro continua preocupante.

Na Estrutural, área com a maior população negra do Distrito Federal, em termos proprocionais, as mães buscaram as igrejas e as associações comunitárias para ter um domingo mais farto com os filhos. De acordo com pesquisa realizada por Marcel Cláudio Sant'Ana, mestre em Planejamento Urbano pela Universidade de Brasília (UnB), o bairro tem 66% de moradores negros (pretos e pardos).

Relatório divulgado há três dias pela Organização Internacional do Trabalho (OIT) mostra que a participação e a remuneração das mulheres no mercado de trabalho brasileiro melhorou, mas continua preocupante. As mulheres negras seguem recebendo 50% a menos que os homens brancos. Em comparação ao que ganham as mulheres brancas, as negras recebem 33% menos.

Em 2005 apenas 25% das trabalhadoras domésticas (1,56 milhão) tinham carteira assinada. As empregadas domésticas brancas com carteira assinada somavam 29,9%, enquanto que as negras, 23,4%. De acordo com a Fundação Sistema Estadual de Análise de Dados de São Paulo, as mulheres negras ganham, na indústria e no setor de serviços, 58,1% e 54,8%, respectivamente, do recebido pelas não-negras. (das agências)

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