24/02/2007 03:22
Aos 37 anos, pobre, separada e mãe de um filho de 14 anos, a faxineira Léia Rodrigues de Souza tem motivos de sobra para festejar e acreditar que sua vida vai mudar para melhor. Ela voltará aos bancos escolares depois de 20 anos. Aos 16, largou a escola, sem concluir o primeiro ano do ensino médio, para dedicar seu tempo ao trabalho e ao casamento.
No fim de 2006, já separada do marido e com um salário de R$ 700, a faxineira se submeteu ao vestibular da Universidade Estadual Paulista (Unesp), um dos mais concorridos do País. Passou. A partir do dia 26, será uma das alunas do Curso de Licenciatura em Pedagogia do campus de São José do Rio Preto, onde trabalha desde maio de 2005 com vassoura e rodo, limpando a sujeira deixada por alunos e professores.
Léia conta que foi justamente o ambiente de trabalho que despertou novamente nela o gosto pela escola, que tinha deixado em 1986 e depois voltado em 2000, desta vez em casa, para fazer as provas de supletivo e terminar o ensino médio. Influenciada por uma amiga, Léia prestou em 2005 o vestibulinho para o cursinho pré-vestibular que estudantes da Unesp oferecem aos alunos carentes. Apesar de não ser aprovada imediatamente, Léia acabou entrando no curso pela lista de segunda chamada.
Esforçou-se ao máximo, estudou dentro do ônibus e nos domingos e feriados, até melhorar as notas e se achar pronta para tentar entrar na Unesp. Mas veio outro empecilho. Os R$ 118,00 cobrados para a inscrição do vestibular iriam lhe fazer falta. Mas conseguiu a isenção destinada a alunos carentes. Léia prestou exame apenas para o Curso de Licenciatura em Pedagogia. Ela passou em nono lugar entre 40 alunos. Eram sete candidatos por vaga.
Esse caminho já foi trilhado em Campinas. A ex-faxineira Marinalva Imaculada Cuzin, hoje com 42 anos, formou-se pedagoga em 2001, pela Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), e conclui neste ano o doutorado em Educação. (das agências)