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Brasil

ACIDENTE DA GOL

Delegado vê culpa em pilotos de jato e controladores

Sônia Filgueiras
da Agência Estado

Segundo Renato Sayão, responsável pelo inquérito, o piloto e o co-piloto foram negligentes, por não manterem ligado o equipamento anticolisão do jato Legacy


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22/01/2007 01:40

JATO Legacy que se chocou com o Boeing da Gol(Foto: banco de dados)
JATO Legacy que se chocou com o Boeing da Gol(Foto: banco de dados)

A tendência é de que o inquérito da Polícia Federal que apura as causas do acidente que derrubou o Boeing da Gol, matando 154 pessoas, seja concluído apontando a responsabilidade compartilhada entre o piloto e o co-piloto do Legacy e controladores de vôo que orientaram o jatinho durante parte de sua viagem no dia do acidente. A informação é do delegado Renato Sayão, que preside as investigações.

"Os controladores tinham um avião sob controle, que não estava aparecendo na tela do radar, e parecem ter achado normal. Deveriam ter adotado procedimentos de emergência para localizar o Legacy ou desviar o Gol da rota. Isso não foi feito", diz.

Ainda conforme Sayão, a parcela responsabilidade de Joe Lepore e Jan Paladino, respectivamente piloto e co-piloto do Legacy estaria nos indícios de que os dois foram negligentes na operação dos equipamentos do jatinho. Lepore e Paladino já foram indiciados no inquérito precisamente por esse motivo.

Os diálogos dos dois gravados pela caixa-preta do Legacy mostram que dois minutos após o choque com o avião da Gol, eles teriam percebido que o equipamento anticolisão, chamado de TCAS, estava desligado. Nas aeronaves modernas, o transponder, que acusa a presença de outro avião na mesma rota, funciona acoplado ao TCAS. Os dois foram enquadrados no artigo 261 do Código Penal (expor a perigo embarcação ou aeronave, própria ou alheia).

O delegado pediu laudos periciais para confirmar se efetivamente o equipamento foi desligado. Ainda conforme Sayão, o inquérito também deve apontar que falhas técnicas dos equipamentos de comunicação contribuíram para o acidente. Controladores relatam a existência de um buraco negro sobre parte da região Norte, onde os equipamentos de controle de tráfego aéreo e de rádio não funcionam ou funcionam precariamente.

O inquérito é a primeira etapa da investigação. Depois de concluído, caberá à Justiça e aos Ministérios Públicos Federal e Militar se há ou não elementos para abertura de processo contra os envolvidos. O delegado informou que o grupo de controladores, supostamente co-responsáveis pela queda, não foram indiciados até o momento por serem ligados à Aeronáutica. Pela lei, estão sujeitos à Justiça Militar e não à Justiça Federal, como os pilotos do Legacy. Assim, após a conclusão do inquérito, todos os indícios da eventual responsabilidade dos controladores serão remetidos à Justiça Militar.

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