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Brasil

CRATERA

Van é localizada e Serra duvida que existam vivos

Daniela Tófoli, Kleber Tomaz, Alencar Izidoro, Gilmar Penteado e Catia Seabra
da Folhapress

A lotação foi localizada a oito metros do solo, coberta de terra e escombros. No local, estariam quatro das sete possíveis vítimas. A escavação está sendo obstaculizada por deslizamentos. O governador José Serra duvidava ontem que no veículo soterrado ainda haja sobreviventes


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15/01/2007 01:17

ESCAVADEIRA é usada na procura de veículo e de vítimas dentro da cratera (Foto: Filipe Araújo/AE)
ESCAVADEIRA é usada na procura de veículo e de vítimas dentro da cratera (Foto: Filipe Araújo/AE)

Esperança, desânimo e trabalho frustrado. O terceiro dia de buscas por vítimas soterradas na cratera formada após o desabamento do canteiro de obras do metrô na Estação Pinheiros, em São Paulo, foi de boatos e de apenas uma certeza: encontraram a van, engolida pelo buraco na sexta-feira, que teria quatro das sete possíveis vítimas. Anteriormente, acreditava-se que no veículo só estavam o motorista e o cobrador.

Sua retirada, porém, não foi possível porque dois deslizamentos de terra causaram a paralisação dos trabalhos. Assim, nenhuma vítima até as 23h30 de ontem, 56 horas e meia após o acidente, tinha sido encontrada. Abatidos, os parentes dos desaparecidos tentavam manter as esperanças.

A boa notícia do domingo foi pela manhã. Por volta das 8 horas, grupos de resgate visualizaram a parte traseira do veículo enquanto escavavam a terra que soterrou a boca do fosso e entrou em parte do túnel abaixo dele. A van estava a oito metros do solo, toda coberta de terra e escombros.

Para dificultar o trabalho dos bombeiros, dois caminhões da obra, um vermelho e outro branco, estavam na superfície do fosso, sobre uma estrutura de concreto e terra que encobria o carro. Içar os caminhões por guindastes seria arriscado, segundo um bombeiro, porque o veículo poderia cair. Três caminhões que não representavam risco para a área foram rebocados por tratores no sábado.

A estratégia adotada durante a tarde foi puxar a van pelo túnel, ligando um cabo de aço entre o veículo e um trator. O movimento, porém, não chegou a ser feito porque dois deslizamentos de terra atingiram o local e tornaram o trabalho impossível. Dezoito homens dos grupos de resgate que estavam no local tiveram de deixar seus postos. A informação era de que o veículo estava bastante amassado.

No fim da tarde, depois da tentativa frustrada, a má notícia: as buscas pelos corpos foram suspensas por baixo da terra às 18 horas. Apenas os trabalhos de escavação na superfície continuavam mantidos. "Se a gente continuasse escavando por baixo, o ambiente poderia se tornar perigoso para os homens do resgate", explicou o capitão Minori, coordenador dos trabalhos: "Teremos de definir uma nova estratégia".

Contar apenas com a escavação pela superfície não é possível porque o trabalho levaria mais tempo e tornaria ainda mais difícil o resgate de vítimas com vida. Após descer numa gaiola até o túnel onde foi localizada a van e assistir um vídeo, feito pelos bombeiros, com a imagem do veículo bastante amassado, o governador José Serra (PSDB) duvidou da possibilidade de que seus passageiros tenham sobrevivido ao impacto.

"Vítimas? Quem estiver dentro, terá sido vítima", disse o governador, após vistoria na área do acidente. Ao ser questionado sobre a hipótese de sobreviventes, disse: "Não sei. Deus queira. Mas parece pouco provável".

Serra, que usou máscara de proteção na vistoria, explicou que só foi possível ver os destroços do carro no vídeo. Às 19h04, quando chegou ao túnel, a área já estava encoberta pelos novos desabamentos. O governador negou a acusação de que se esteja sonegando informação aos parentes das vítimas. "Não há sonegação. O que não há é efetivamente uma notícia de que se chegou e está podendo se chegar à van. Fui lá. Vi o novo desabamento. Não dá mais para ver a van".


SAIBA MAIS

* O desabamento na obra da linha quatro do metrô, em Pinheiros, já condenou à demolição quatro imóveis do entorno do acidente (um estacionamento e três casas). Há 55 imóveis interditados pela Defesa Civil, que realizará hoje uma varredura na região. Duas das demolições já foram realizadas, a do estacionamento e de uma casa, destruída parcialmente, com pertences do dono no interior.

* O prefeito de São Paulo, Gilberto Kassab (PFL), afirmou que as pistas local e expressa da marginal Pinheiros, no sentido rodovia Castello Branco, ficarão interditadas até as 20 horas de hoje, em razão dos trabalhos no canteiro de obras da Estação Pinheiros. O rodízio municipal de veículos permanece suspenso, apesar de o prefeito ter cogitado a possibilidade de retomá-lo.

* Com lama até os joelhos, escavando manualmente e sob o risco iminente de serem soterrados, os bombeiros trabalham com dificuldades nas buscas pelas vítimas do desabamento das obras da linha quatro. As escavações estão concentradas em dois pontos: dentro do túnel e na boca do fosso. A movimentação das máquinas retroescavadeiras na parte superior acabou fazendo a terra se deslocar dentro do túnel.

* O cobrador Wescley Adriano da Silva, 22, pediu para que a mulher, Thaís Ferreira Gomes, 20, não pegasse carona em sua van na sexta-feira para visitar à mãe. Grávida do primeiro filho do casal, ela não foi. Wescley foi provavelmente soterrado com o veículo em que trabalhava há três meses. Antes, ele era segurança e se tornou cobrador porque estava desempregado há muito tempo e queria dar uma vida mais tranqüila a Cauã, o filho que nascerá nas próximas semanas.

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