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Brasil

ABUSO

Menina de 4 anos é levada presa em camburão da PM

Eduardo Kattah
da Agência Estado

Uma menina de 4 anos foi levada presa num camburão da PM na companhia do pai, em Belo Horizonte. A garota atingira um menino com uma pedrada. O pai da menina quer processar o sargento que comandou a operação por abuso de autoridade e infração ao Estatuto da Criança e do Adolescente


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12/01/2007 00:45

Um acidente ocorrido durante uma brincadeira de crianças terminou com a menina J.C.C.S., de apenas quatro anos, sendo levada para uma delegacia, em Belo Horizonte, acusada de causar "lesões corporais" em um garoto da mesma idade. Da "operação" participaram seis policiais e três viaturas da 18ª Companhia do 13º Batalhão da Polícia Militar mineira.

Assustada, J.C.C.S. foi levada para o 4º Distrito Policial em um camburão, junto com o pai, o auxiliar administrativo E.S.J. (O POVO opta por publicar também apenas as iniciais do nome dele para não facilitar a identificação da menina), de 35 anos. Após cerca de três horas, um boletim de ocorrência foi registrado e pai e filha liberados. "Dentro do camburão ela chorou e ficou me perguntando: 'Papai eu estou presa?'", contou o auxiliar administrativo, que teme que a menina fique traumatizada e decidiu denunciar o episódio. "Desde então ela tem sonhado muito com isso".

De acordo com E.S.J., por volta das 15 horas de domingo a filha brincava com o coleguinha T.J.C. num parque do bairro Floramar. Em determinado momento, chorando e com um corte na testa, o menino correu para a mãe, R.C.C., e disse que um rapaz havia lhe agredido. Rosalina então acionou uma viatura que passava pelo local. Mas pouco depois, a menina revelou o que tinha acontecido. Ela pediu desculpas e assumiu que durante a brincadeira acertou uma pedrada no garoto.

Vizinhos e amigos, os pais das duas crianças consideraram o incidente resolvido. Mas, segundo E.S.J., o sargento Joval Ribeiro Araújo Filho, que comandava a "operação", foi "irredutível" e solicitou reforço para que ele e a filha fossem levados para a delegacia. Para a operação, foram acionados seis policiais e três viaturas. T.J.C. foi encaminhado para o Pronto-Socorro de Venda Nova, onde permaneceu em observação por cerca de seis horas.

Revoltado com o fato, o auxiliar administrativo pretende acionar judicialmente o sargento por abuso de autoridade, humilhação e danos morais. Joval não foi encontrado para falar sobre o assunto. O major Alex Augusto de Souza, subcomandante do 13º Batalhão, disse que foi aberto um procedimento administrativo para apurar possível abuso de autoridade.

Os policiais envolvidos poderão sofrer sanções administrativas e até criminais. A apuração será repassada ao Ministério Público Estadual (MPE), que poderá oferecer denúncia. O major observou que a ocorrência contrariou o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) e que o caso deveria ser levado ao Conselho Tutelar, que não funciona nos finais de semana.

O episódio gerou críticas também da Promotoria de Infância e Juventude da capital mineira e da Divisão de Orientação e Proteção à Criança e ao Adolescente (Dopcad) da Polícia Civil. (das agências de notícias)

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