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Brasil

PRÉ-ECLÂMPSIA

Novo exame pode evitar morte de gestantes

Constança Tatsch
da Folhapress

A dopplerfluxometria das artérias oftálmicas é um exame que avalia o fluxo sangüíneo no globo ocular e pode apontar se a mulher sofre de pré-eclâmpsia, aumento da pressão que pode levar à morte da mãe e do feto


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06/01/2007 14:33


Um novo tipo de exame que está sendo estudado pode ajudar no diagnóstico precoce da pré-eclâmpsia, a maior responsável por mortes maternas. A doença é grave e afeta de 5% a 10% das gestantes no País. A evolução pode levar à morte da mãe e do feto, risco que eleva o Brasil ao 2º lugar em mortes maternas na América Latina.

A pré-eclâmpsia não é uma simples hipertensão. O aumento da pressão é um dos principais problemas, mas não o único: "Hipertensão, edema generalizado e proteinúria (perda de proteína na urina). Essa é a tríade clássica. Mas é só a ponta do iceberg porque a mulher pode estar com todos os órgãos comprometidos", explica Nelson Sass, professor do Departamento de Obstetrícia da Unifesp e chefe do setor de hipertensão arterial e nefropatias na gravidez. "No ápice, afeta o cérebro, quando a paciente sofre a eclâmpsia ou convulsão. É uma doença extremamente dramática", diz ele.

A dopplerfluxometria das artérias oftálmicas é um exame que avalia o fluxo sangüíneo no globo ocular e pode apontar se a mulher sofre de pré-eclâmpsia e qual a gravidade do quadro. No Hospital das Clínicas de Belo Horizonte é realizado desde 2000. Pesquisas na mesma direção estão sendo realizadas na Unifesp.

No HC mineiro, o oftalmologista Alexandre Simões Barbosa estava pesquisando a recuperação de pacientes após cirurgia na retina. Encontrou entre mulheres com pré-eclâmpsia alterações importantes, que indicavam um aumento de fluxo sangüíneo nos olhos. Mudou o objeto da tese e desde então se dedica a descrever a descoberta, por duas vezes premiada em congressos internacionais. O exame se assemelha a um ultra-som do olho.

"O impacto dessa pesquisa é que a gente tem um parâmetro para dar o diagnóstico da pré-eclâmpisa. Pode diferenciar quem tem a doença de quem tem só a hipertensão, ou se é sobreposta. Isso melhora a qualidade do tratamento. Dá para avaliar a evolução da doença", diz. "É um exame complementar, mas que define condutas."

O médico Nelson Sass afirma que o novo exame também está em estudo na Unifesp, mas considera que ainda é cedo para utilizá-lo na prática clínica. Mesmo a mulher mais saudável pode desenvolver pré-eclâmpsia, que costuma ocorrer após a 20ª semana de gravidez. Isso porque a hipótese mais aceita para designar a causa da doença é que ela seja uma resposta imunológica do corpo da mulher aos antígenos do parceiro, presentes especialmente na placenta. Simplificando bastante, é como a rejeição a um órgão transplantado.

"O problema é que é uma gestação que começa sem ser de risco e vira de risco do nada. É uma doença muito rápida, em uma ou duas semanas ela piora muito", afirma Eduardo Cordioli, coordenador da maternidade do Hospital São Camilo.

Os principais fatores de risco são: ter mais de 40 anos ou ser jovem demais, primepaternidade (primeira gravidez desse parceiro), quem já teve pré-eclâmpsia, histórico familiar e até tabagismo. Alguns homens têm componentes protéicos mais difíceis de serem tolerados. Por outro lado, algumas mulheres têm uma sensibilidade imunológica exagerada.


SAIBA MAIS

- Como é feito o exame?
O exame é simples e não é invasivo. Funciona como um ultra-som. A paciente deita, fecha os olhos e o aparelho é colocado sobre o olho. Numa tela aparecem o globo e os vasos sangüíneos, que serão analisados.

- Em que momento da gestação ocorre a doença?
Geralmente, a pré-eclâmpsia aparece após a 20ª semana. Em alguns grupos, os sintomas surgem antes da 34ª semana. Esses são considerados os casos mais graves. Acima desse período, o mais indicado é interromper a gestação e fazer o parto, uma vez que o bebê já está maior, para evitar que o quadro se agrave.

- O bebê também corre riscos?
Sim, porque a saúde da mãe como um todo pode estar comprometida. Pode haver sofrimento fetal com a falta de oxigênio, uma vez que não há troca adequada entre a placenta e a mãe, podendo ocorrer necrose. Ainda assim, quem sofre primeiro é a mulher e, em casos críticos, pode ser preciso antecipar o parto.

- Como deve ser o parto de uma mulher com pré-eclâmpsia?
Segundo os médicos, se possível, é preferível optar pelo parto normal. Como o quadro da mulher é complicado, e a cesárea é mais delicada, o parto normal é considerado mais seguro.

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