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Brasil

SEGURANÇA

Ida de Força Nacional ao Rio está sem prazo

Raphael Gomide e Sergio Torres
da Folhapress

Por enquanto, a Força Nacional deve patrulhar as divisas do Rio com São Paulo, Minas e Espírito Santo. Já o policiamento no entorno dos quartéis por militares passa por pedido a Brasília


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04/01/2007 00:57

LUIZ Fernando Corrêa: sem condições de acionar Força Nacional (Foto: ABr)
LUIZ Fernando Corrêa: sem condições de acionar Força Nacional (Foto: ABr)

O governador do Estado do Rio, Sérgio Cabral Filho (PMDB), fracassou na tentativa de levar de imediato, como pretendia, integrantes da Força Nacional de Segurança Pública para trabalhar na repressão à criminalidade na Região Metropolitana da capital carioca. Falta data para a chegada da força. O pedido do envio da Força Nacional ao Estado o mais rápido possível foi feito por Cabral, 43, ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) no dia da posse. Mas a proposta não se concretizou em reunião ontem com o secretário nacional de Segurança Pública, Luiz Fernando Corrêa, comandantes militares e representantes das polícias Federal, Civil e Militar.

O governador ouviu de Corrêa, no Palácio Guanabara, na cidade do Rio, que está sem condições de acionar a Força Nacional para ir logo ao Estado, onde desde a semana passada criminosos atacam unidades e carros da Polícia, prédios públicos e queimam ônibus, com a morte de 19 pessoas morreram.

O secretário nacional apresentou, e o governador aceitou, a contraproposta de os agentes da Força Nacional irem para as divisas do Estado do Rio com São Paulo, Minas Gerais e Espírito Santo, a fim de desenvolver com as polícias estaduais e federais um trabalho conjunto de patrulhamento de estradas.

Não deverão ser conduzidos para o Rio, nessa primeira fase, mais do que 500 dos 7.600 homens e mulheres, originários de todo o País, que integram a Força Nacional. A expectativa inicial era que 7.000 seriam enviados ao Rio de imediato.

No ano passado, cerca de 170 integrantes da Força foram encaminhados ao Espírito Santo após uma onda de rebeliões em presídios e ataques a ônibus. Em Mato Grosso, foram 200, também por conta de rebeliões.

Cabral também deixou de convencer os três comandantes regionais militares a patrulhar os entornos das guarnições que ocupam no Estado, como defendeu na terça-feira. O general Luiz Cesário, do Exército; o vice-almirante José Antônio de Castro Leal, da Marinha; e o major-brigadeiro Aílton Pohlmann, da Aeronáutica, disseram ao governador que o pedido tem que ser submetido antes a Lula e ao Ministério da Defesa.

Ficou acertado que o gabinete de Cabral formalizaria um documento com a intenção. Na reunião, o governador conseguiu dos militares, que fizeram críticas pesadas à atuação das polícias estaduais, o fornecimento de helicópteros e barcos para operações e missões de patrulhamento, além de treinamento de pessoal e troca de informações na área de inteligência.

Os militares disseram que a sensação de insegurança no Rio é total e que é preciso começar tudo do zero. No próximo dia 9, no Rio, haverá uma reunião de Cabral Filho com os governadores de São Paulo, José Serra (PSDB); Minas Gerais, Aécio Neves (PSDB); e Espírito Santo, Paulo Hartung (PMDB), e seus respectivos secretários de Segurança.


DECISÕES

* Por enquanto, a Força Nacional de Segurança não virá para a região metropolitana

* A atuação da Força Nacional ficará, em uma fase inicial, limitada às divisas do Rio com São Paulo, Minas Gerais e Espírito Santo, em parceria com as Polícias Rodoviárias Federal e Estadual, Federal, Militar e Civil

* Submeter ao presidente Lula a idéia do governador Sérgio Cabral Filho de que Exército, Marinha e Aeronáutica passem a patrulhar os entornos das unidades militares

* As Forças Armadas cederão helicópteros e barcos às polícias estaduais e treinarão o pessoal

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