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RELATÓRIO OEI

Homicídio é causa da morte de quase 40% dos jovens no País

No Brasil, 39,7% dos jovens são vítimas de homicídios. O quadro mais grave ocorre em Pernambuco, Rio de Janeiro e Espírito Santo. Os acidente de trânsito são causas de 17,1% das mortes e os suicídios por 3,6%. O País lidera também quanto ao número de mortes por armas de fogo entre os jovens


17 Nov 2006 - 01h52min

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O risco de morte por homicídio, acidente de trânsito e suicídio no Brasil é muito maior entre jovens de 15 e 24 anos. É o que aponta o Mapa da Violência 2006 - Os Jovens do Brasil, divulgado hoje pela OEI (Organização dos Estados Ibero-Americanos para a Educação, a Ciência e Cultura), em Brasília.

De acordo com o estudo, que abrange a década de 1994 a 2004, as causas externas são responsáveis por 72,1% das mortes entre jovens que estão nessa faixa etária.

Outro dado apontado pela OEI: neste período os homicídios cresceram 48,4%. Somente entre os jovens o aumento de mortes por homicídios cresceu 64,2%. O crescimento populacional não acompanhou o de homicídios, com apenas 16,5% de acréscimo.

Em todo o País, 39,7% dos jovens são vítimas de homicídios -no entanto a situação é mais grave é em Pernambuco, Rio de Janeiro e Espírito Santo, onde metade dos jovens foi vítima de homicídio.

O Estado de São Paulo está em nono lugar no ranking de mortalidade de jovens, com taxa de 56,4 mortes a cada 100 mil jovens.

Os acidentes de trânsito são responsáveis por 17,1% das mortes e os suicídios por cerca de 3,6%. Juntas, as causas externas são responsáveis por ao menos 60,4% das mortes entre os jovens brasileiros.

A OEI utilizou como base de dados o SIM (Sistema de Informação sobre Mortalidade), do Ministério da Saúde, que centraliza as certidões de óbito emitidas no país. Esse sistema caracteriza como mortes por causas externas homicídios, suicídios e mortes por acidentes de trânsito.

O cálculo das taxas de mortalidade foi feito com informações do SUS (Sistema Único de Saúde), com base nas previsões populacionais do IBGE.

O estudo mostra que houve uma pequena redução no ritmo de crescimento de homicídios entre 2003 e 2004, atribuído à Campanha pelo Desarmamento. A pesquisa aponta queda no número de homicídios entre jovens a partir de 2004.

O autor do trabalho, Julio Jacobo Waiselfisz, no entanto, adverte que tal redução dificilmente irá se manter, caso campanhas semelhantes ou outras políticas não sejam adotadas. Entre 2003 e 2004, a taxa geral de homicídios caiu 5,2%.

O relatório mostra que, apesar da campanha, o Brasil continuou a ocupar a vergonhosa marca de campeão de mortes por arma de fogo entre jovens: em 2004, entre 100 mil jovens, 43,1 morreram por ferimentos causados por armas de fogo. As taxas de homicídio no Brasil são entre 30 a 40 vezes superiores a de países como Inglaterra, França e Japão. Entre jovens, o índice brasileiro chega a ser 100 vezes superior ao de países como Áustria e Japão.

A pesquisa alerta ainda para outro fenômeno, que vem se acentuando nos últimos anos no país: a interiorização da violência. Jacobo atribui esse fenômeno a três fatores: criação de novos pólos econômicos no interior, investimentos maiores feitos em regiões metropolitanas na área de segurança e melhor coleta de dados. (das agências de notícias)

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