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Queda de Boeing pode ter sido sem pânico a bordo

Os exames indicam que o Boeing caiu verticalmente de 37 mil pés de altitude. Nessa hipótese, os que estavam a bordo perderam rapidamente a consciência. Norte-americanos e canadenses que investigam o acidente estão em Brasília


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09/11/2006 02:04

PIRES questiona dona do Legacy Foto: Marcello Casal JR./ABr)
PIRES questiona dona do Legacy Foto: Marcello Casal JR./ABr)

As primeiros análises das caixas-pretas do Boeing 737-800 da Gol Linhas Aéreas, que caiu no dia 29 de setembro na região da serra do Cachimbo, em Mato Grosso, matando 154 pessoas, entre passageiros e tripulantes, mostram que não houve pânico nem tumulto depois da colisão com o jato executivo Legacy, que seguia em sentido contrário para Manaus (AM). A revelação foi feita ontem pela colunista da Folha de S. Paulo, Eliane Catanhêde.

Isso, a princípio, indica que, depois do choque, o avião caiu verticalmente. Nessa hipótese, os pilotos, os demais tripulantes e os passageiros perderam rapidamente a consciência e mal tiveram tempo de perceber que iam morrer. O Boeing, que seguia de Manaus para Brasília, estava a 37 mil pés de altitude, pesava até 79 toneladas e ainda tinha quase três toneladas de combustível (querosene de aviação). Foi uma queda vertiginosa.

O coronel Rufino Antônio da Silva Ferreira, que comanda as investigações aeronáuticas, chegou terça-feira a Brasília com as equipes de norte-americanos e canadenses que participam dos trabalhos. Eles estão hospedados em hotéis da capital.

Ontem, Rufino e os demais especialistas foram ao Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (Cenipa) e ao Cindacta-1, o centro de defesa e de controle de tráfego aéreo sediado em Brasília, para levantar mais detalhes sobre o momento do acidente. De Brasília, eles irão também a Manaus para concluir os trabalhos no Cindacta-4.

O ministro da Defesa, Waldir Pires, afirmou ser "irracional" a idéia de que controladores de vôo tenham autorizado o Legacy a manter a altitude de 37 mil pés, na qual ocorreu o choque com o Boeing da Gol. A informação é sustentada pelos advogados dos pilotos norte-americanos do jato fabricado pela Embraer, Joseph Lepore e Jan Paul Palladino.

Pires reafirmou que o Legacy devia ter seguido o previsto no plano de vôo: "Todos os pilotos, de qualquer país do mundo, são compelidos a acompanhar o plano de vôo, que determina quais são suas altitudes, para impedir que, no curso da viagem, haja choques". O ministro disse que os pilotos do jato tinham o dever de saber que estavam na contramão.

O ministro não fez comentários sobre a nota divulgada pela ExcelAire, dona do Legacy. Segundo o texto, a torre de controle de São José dos Campos autorizara o Legacy a permanecer na altitude do Boeing da Gol, que vinha em sentido contrário.

O Superior Tribunal de Justiça (STJ) decidiu, por unanimidade, que caberá à Justiça Federal de Mato Grosso, no município de Sinop, decidir sobre o pedido dos advogados dos pilotos do jato Legacy, que se chocou com um avião da Gol.

Os advogados de Lepore e Palladino queriam que o STJ determinasse que os passaportes dos norte-americanos fossem entregues ao Consulado-Geral dos Estados Unidos no Rio de Janeiro. Os passaportes estão retidos na Polícia Federal do Rio.

A relatora, ministra Maria Thereza Moura, da 3ªSeção do STJ, decidiu anular todas as decisões tomadas pela Justiça estadual da comarca do município de Peixoto Azevedo (MT), mantendo como foro único para decisões relacionadas ao caso a Justiça Federal do município de Sinop (MT), cujo único juiz é Charles Frazão Moraes. (das agências de notícias)

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