Paulo Verlaine
da Redação
Transcorre hoje o 10º aniversário da queda do avião Fokker 100, da TAM, em São Paulo, que causou a morte de 102 pessoas: 99 (entre passageiros e tripulantes) e três pessoas que se encontravam no solo, em área residencial
31/10/2006 01:57

Há dez anos, na manhã do dia 31 de outubro de 1996, o Brasil era abalado por um grande desastre aéreo: o Fokker F100 da TAM, vôo 402, que saía de São Paulo com destino ao Rio de Janeiro, caía 25 segundos após a decolagem no Aeroporto de Congonhas, chocando-se com prédios residenciais no bairro de Jabaquara, na capital paulista.
O 10º aniversário do desastre transcorre quando o País ainda está sob o impacto de outra tragédia aérea: a queda do Boeing 737 800, da Gol, em plena Floresta Amazônica, com 148 passageiros e seis tripulantes (todos morreram), após chocar-se com o jato executivo Legacy, fabricado pela Embraer.
No acidente com o Fokker F100 da TAM, 99 pessoas que estavam no aparelho, entre passageiros e tripulantes, morreram imediatamente. Três outras pessoas que se encontravam no solo foram atingidas pelos destroços do aparelho e também tiveram morte imediata.
Na época, foi o segundo maior acidente aéreo da história brasileira. Até àquela data, o maior ocorrera em 8 de junho de 1982: um Boeing-747 da Vasp bateu contra a serra da Aratanha, em Pacatuba, no Ceará, e matou 137 pessoas. O acidente ocorreu minutos antes da aterrissagem no aeroporto Pinto Martins, de Fortaleza.
Por ter caído em área urbana, o acidente com o Fokker da TAM teve lances dramáticos. O avião atingiu dois prédios, 14 carros e oito casas. O quadro era de muita desolação e desespero. Bombeiros procuravam partes de corpos que podiam estar debaixo dos escombros, técnicos da aeronáutica recolhiam pedaços do avião que pudessem ajudar a descobrir o que causou o acidente.
Uma década depois da tragédia, ainda permanece entre alguns habitantes da área o sentimento de medo. Muita gente estremece ao ouvir o ruído de um avião em procedimento de decolagem. A causa daquele acidente teria sido a abertura do reverso - peça que tem o objetivo de frear o avião durante o pouso jogando o fluxo do jato para a frente - em pleno ar em função de uma falha de projeto.
Há quem conteste a versão oficial: o professor de Engenharia aposentado Fernando Lobo Vaz de Mello perdeu um filho. Ele jamais aceitou a conclusão de que o avião foi derrubado por um relé defeituoso que acionou a reversão de uma turbina.
"Durante a operação de taxiamento do vôo 402", escreveu Vaz de Mello, "a aeronave emitiu dois alarmes sonoros indicativos de problemas, ignorados pela tripulação, o mesmo acontecendo quando pela terceira vez soou um alarme na cabine. Caso a tripulação tivesse considerado quaisquer desses alarmes, teria condição de retornar e estacionar a aeronave com segurança", conclui em artigo publicado no Jornal do Brasil.
Hoje, 90% das famílias receberam reparação. Dez famílias que perderam parentes ou bens no acidente ainda não foram indenizadas. Alguns casos são de vítimas que se casaram duas vezes, cujos filhos da primeira união não chegaram a um acordo com a viúva (segunda mulher) sobre o valor a ser recebido. (com agências)