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Política
EM DECISÃO

Moro cogitou prisão preventiva de Lula, mas negou por "prudência"

Apesar de não ter sido requisitada pelo MPF no caso, prisão de Lula seria justificável por uma série de episódios no decorrer do processo, diz Moro

14:55 | 12/07/2017

Segundo Moro, Lula teria agido para atrapalhar investigação e intimidar agentes da Justiça envolvidos no processo (Foto: Cristophe Simon/AFP)
 

Na sentença em que condena o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silvanove anos e seis meses de prisão, o juiz Sérgio Moro afirma que cogitou decretar a prisão cautelar do petista. Afirmando que foi "intimidado" no caso, o juiz diz que não optou pela prisão antes de confirmação pelo Tribunal Regional Federal da 4ª Região (TRF-4) por "prudência".

Apesar de não ter sido requisitada pelo Ministério Público Federal no caso, prisão de Lula seria justificável por uma série de episódios no decorrer do processo. Segundo Moro, houve pelo menos dois depoimentos afirmando que Lula teria orientado a destruição de provas no caso. O juiz ainda se queixa de queixa-crime movida contra ele pela defesa do ex-presidente.

"Aliando esse comportamento com os episódios de orientação a terceiros para destruição de provas, até caberia cogitar a decretação da prisão preventiva", diz Moro. "(Lula) tem ainda proferido declarações públicas no mínimo inadequadas sobre o processo, por exemplo sugerindo que se assumir o poder irá prender os procuradores da República ou delegados da PF”.

Apesar destas questões, Moro diz que teria optado por não prender Lula antecipadamente por questão de prudência. "Considerando que a prisão cautelar de um ex-presidente da República não deixar de envolver certos traumas, a prudência recomenda que se aguarde o julgamento pela Corte de Apelação antes de se extrair as consequências próprias da condenação".

Condenado

O juiz federal Sergio Moro, relator da Lava Jato no Paraná, condenou nesta quarta-feira, 12, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) a nove anos e seis meses de prisão. A condenação ocorre pelos crimes de corrupção passiva e lavagem de dinheiro, no caso do tríplex no Guarujá (SP).

Como a condenação ocorre ainda em 1ª instância, Lula segue elegível e poderá recorrer em liberdade ao Tribunal Regional Federal da 4ª Região (TRF-4), em Porto Alegre. Apesar de Lula ser réu em outros processos da Lava Jato, esta é a primeira vez que o ex-presidente, hoje com 71 anos, é condenado na Justiça.

"Entre os crimes de corrupção e de lavagem, há concurso material, motivo pelo qual as penas somadas chegam a nove anos e seis meses de reclusão, que reputo definitivas para o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva", diz decisão do juiz.