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Política
recebimento de propina

Delações envolvem políticos cearenses; veja vídeos

Cid Gomes, Eunício Oliveira, Arialdo Pinho e Antonio Balhmann foram citados por executivos da JBS em suas contribuições premiadas. O conteúdo foi divulgado hoje pelo STF

18:20 | 19/05/2017

Vídeos envolvendo políticos cearenses em delações dos executivos da JBS foram divulgados pelo Supremo Tribunal Federal (STF) nesta sexta-feira, 19.

Em uns dos depoimentos à Procuradoria-Geral da República (PGR), Wesley Mendonça cita o nome do ex-ministro da educação, Cid Gomes (PDT). Segundo ele, ainda em 2010, o então governador do Ceará teria pedido - por meio do então secretário da Casa Civil do governo do Ceará, Arialdo Pinho, atual secretário do Turismo do Estado - uma contribuição para sua campanha de reeleição ao cargo.

"O Joesley concordou em dar R$ 4,5 milhões". R$ 3,5 milhões da propina foram pagos por notas frias e R$ 1 milhão via doação oficial, detalha. O objetivo dos empresários era receber em troca o crédito de incentivo fiscal "legítimo", ICMS, referente à implantação de uma fábrica do grupo em Cascavel. Apesar de liberar o crédito em 2010, o Governo teria parado de efetuar os pagamentos entre 2011 e 2014.

 

Ainda assim, em 2014, Cid teria procurado os executivos no intuito de conseguir doação para a campanha de Camilo Santana (PT). Sem sucesso, enviou Arialdo Pinho e o então deputado federal Antonio Balhmann a São Paulo para pedir a "contribuição" de R$ 20 milhões. Em troca, o Estado liberaria o crédito. "Preferia receber os R$ 110 milhões (do crédito) e concordei em pagar a propina", afirma Wesley.

O montante da propina foi pago da seguinte forma: R$ 9,8 milhões por meio de notas fiscais falsas em nome de várias empresas e R$ 10,2 milhões via doações oficiais para vários candidatos, inclusive Camilo, e para o Partido Republicano da Ordem Social (Pros).      

Em outro vídeo, o diretor da JBS, Ricardo Saud, afirma que, em 2013, pagou R$ 5 milhões ao cearense e atual presidente do Senado, Eunício Oliveira. Na época, Eunício era relator de Medida Provisória (MP) que disciplinava créditos de PIS/Cofins. Mesmo com o dinheiro em mãos, o senador traiu executivos do grupo. "Ele era meu amigo. Oito meses depois, foi relator de outra medida provisória e voltou atrás", confidencia Saud.  

+ Confira todos os vídeos das delações no canal do O POVO no Youtube

 

LÍGIA COSTA