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Mundo

Maduro investiga empresa de telefonia por incentivar protestos

07:14 | 21/04/2017
Segundo Maduro, Movistar teria sido subornada para convocar protestos da oposiçãoPresidente venezuelano diz que Movistar, subsidiária da espanhola Telefónica S.A., enviou mensagens aos clientes incentivando participação em manifestações antigoverno. Nove países latino-americanos condenam violência.O presidente venezuelano, Nicolás Maduro, iniciou um inquérito oficial contra a operadora de telefonia móvel Movistar por supostamente incentivar os clientes a aderirem aos protestos antigoverno da quarta-feira (19/047), na capital Caracas, convocados pela oposição venezuelana. "Eu denuncio (a Movistar) e pedi a abertura de uma investigação", disse Maduro em pronunciamente televisivo. "Eles se juntaram à chamada pelo golpe contra o país." Segundo o presidente, subornada por políticos da oposição, a subsidiária da companhia espanhola Telefónica S.A. enviou mensagens de texto aos clientes pedindo que participassem da "mãe de todas as marchas". Nesta quinta-feira, milhares de venezuelanos voltaram às ruas em protesto contra Maduro, um dia depois da jornada de manifestações que terminou com três mortes, vários feridos e mais de 500 detidos. A convocação foi feita pelo ex-candidato presidencial Henrique Capriles, que exige libertação de presos políticos, realização de novas eleições e abertura de um canal humanitário para a entrada de alimentos e medicamentos no país. Os protestos contra o regime de Maduro se intensificaram há três semanas, depois da divulgação de duas sentenças em que o Supremo Tribunal de Justiça concede poderes especiais ao chefe de Estado, limita a imunidade parlamentar e assume as funções do parlamento. A decisão foi revertida após pressão internacional. Desde então, pelo menos nove pessoas foram assassinadas, dezenas ficaram feridas e centenas foram detidas pelas autoridades venezuelanas durante as manifestações, que têm sido fortemente reprimidas pela Guarda Nacional Bolivariana (GNB, a polícia militar) e a Polícia Nacional Bolivariana (PNB). Países latino-americanos condenam violência Nesta quinta-feira, nove governos da América Latina condenaram em comunicado conjunto a violência na Venezuela e lamentaram as mortes ocorridas nos protestos a favor e contra Maduro. "Condenamos energicamente a violência desencadeada na Venezuela e lamentamos a perda de mais vidas", diz o documento divulgado em Bogotá, assinado pelos governos da Argentina, Brasil, Chile, Colômbia, Costa Rica, México, Paraguai, Peru e Uruguai. "Juntamo-nos à declaração feita pelo secretário-geral das Nações Unidas, António Guterres, instando à adoção de medidas concretas de todas as partes para reduzir a polarização e criar as condições necessárias para enfrentar os desafios do país, em benefício do povo venezuelano", diz o comunicado. O secretário-geral da ONU, António Guterres, manifestou preocupação com os crescentes confrontos na Venezuela. "A ONU insta o governo e a oposição da Venezuela a se esforçarem para reduzir as atuais tensões e evitar mais confrontos." Ataque contra hospital infantil Nesta quinta-feira, grupos armados atacaram um hospital infantil na área de El Valle, em Caracas, durante confrontos entre manifestantes e forças de segurança. O governo e a oposição trocaram acusações sobre a autoria do ataque. A ministra das Relações Exteriores da Venezuela, Delcy Rodríguez, escreveu no Twitter que "grupos armados contratados pela oposição" atacaram o hospital, que atendia 54 crianças. Ela acrescentou que Maduro "deu a ordem de esvaziar o hospital para proteger as crianças e recém-nascidos". Já o deputado da oposição José Manuel Olivares desmentiu a versão da ministra. "Crianças do Hospital Materno Infantil Hugo Chávez foram afetadas pelas bombas lacrimogêneas lançadas pela GNB", publicou no Twitter. Na região de El Valle, registraram-se vários saques a estabelecimentos comerciais e confrontos entre forças de segurança e grupos de manifestantes, que montaram barricadas nas ruas, ateando fogo em pneus. Agentes da PNB e da GNB empregaram gás lacrimogêneo para dispersar os protestos. KG/efe/lusa