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Fortaleza
Aldeota

Tapete de Corpus Christi é tradição mantida na igreja do Cristo Rei

Dezenas de fiéis passam dias e noites na confecção do tapete de mais de 33 metros de comprimento. A celebração ocorre no fim da tarde desta quinta, 15, com missa e procissão

12:37 | 14/06/2017

Dezenas de fiéis se dedicam à confecção do tapete (Foto: Evilázio Bezerra)

A cada pastoral, a responsabilidade de um pedaço dos quase 33 metros de arte. Mais que um adorno, o tapete de Corpus Christi é feito por dezenas de voluntários que mantêm a tradição viva. Na paróquia do Cristo Rei, na Aldeota, a obra deve ficar pronta ainda nesta quarta-feira, 14, para a missa desta quinta, às 17 horas, seguida de procissão pelas ruas do bairro.

A dona de casa Neli Dias, 52, é uma das voluntárias na paróquia há três anos. “O carinho por Nossa Senhora e o amor por Jesus” a motivam a trabalhar para a obra, como ela diz. Na manhã desta terça-feira, 13, ela era acompanhada de uma dúzia de pessoas para a confecção artesanal do tapete. Com areias, tecidos, adornos e sais, a imagem de Nossa Senhora era desenhada.

Em 2017, ano Mariano, a igreja do Cristo Rei decidiu homenagear a mãe de Jesus. Maria é retratada de várias formas. Nossa Senhora Aparecida, Mãe de Deus, Desatadora dos Nós, das Graças, das Dores, do Perpétuo Socorro, da Conceição, da Saúde, dos Pobres, de Lourdes, de Guadalupe e de Fátima.

Talita Amaro, 38, advogada, há dois anos participa da confecção do tapete, acompanhada do marido. O casal foi um dos vários que optaram comemorar o Dia dos Namorados servindo – na última segunda-feira, 12. Dando cor à imagem de Nossa Senhora da Saúde, ela revela que o dia de Corpus Christi é especial à paróquia. “Fé, gratidão, serviço e partilha são os sentimentos envolvidos no trabalho”, pontua.

O tapete 

O pároco do Cristo Rei, padre Resende, conta que a tradição está há 13 anos na paróquia, mas vem de séculos antes, trazida ainda pelos portugueses ao Brasil Colonial. Antes feita apenas com serragem, lã, grãos e acessórios como flores e folhas, a confecção foi aprimorada. Montado em ruas e igrejas de todo o mundo, o tapete de Corpus Christi surgiu na Idade Média.

O tapete na nave central da igreja do Cristo Rei (Foto: Evilázio Bezerra)

Normalmente, o tapete leva quase três dias para ficar pronto. Voluntários até viram noites para confeccionar. “Pelo tapete, passa a procissão, seguida pelos fiéis. A tradição vem dos imigrantes açorianos e praticamente desapareceu em Portugal, mas foi mantida nos Açores e onde chegaram os imigrantes, como em Florianópolis”, diz padre Resende. Ainda segundo ele, o barroco enriqueceu a festa “com características de pompa”.

Corpus Christi

A tradição católica conta que a celebração de Corpus Christi teve origem em 1243, na Bélgica, quando a freira Juliana de Cornion teria tido visões de Cristo demonstrando desejo de que o mistério da Eucaristia fosse celebrado com destaque. Em 1264, o papa Urbano IV expandiu a festa para toda a Igreja. No Brasil, a festa passou a integrar o calendário religioso em 1961.

A celebração de Corpus Christi abrange missa, procissão e adoração ao Santíssimo Sacramento, lembrando a caminhada do peregrino povo de Deus, em busca da Terra Prometida. Na paróquia do Cristo Rei, a procissão segue na avenida Santos Dumont e ruas Carlos Vasconcelos, Costa Barros e volta à Nogueira Acioly.

Mais de duas mil pessoas devem participar do evento religioso. “Lembramos aos católicos que a missa é preceito dominical, orientação da Igreja para a celebração, expressando fé em Jesus eucarístico”, convidou padre Resende.

Serviço

Missa e procissão de Corpus Christi

Onde: Paróquia do Cristo Rei (rua Nogueira Acioli, 805 - Aldeota)

Quando: quinta-feira, 15 de junho, a partir das 17 horas

(Foto: Evilázio Bezerra)
 

LUCAS BRAGA