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Saúde
PUBLIEDITORIAL Dr. Ageu Brasil

Análise Genética Embrionária na Fertilização in Vitro permite verificar saúde do embrião

Análise Genética Embrionária (PGS) garante saúde do embrião e maiores chances de sucesso da gravidez antes mesmo da implantação no útero da mãe

07:00 | 12/06/2017

Foto: u3d/Shutterstock
Foto: u3d/Shutterstock

Com os avanços da tecnologia na medicina, cada vez mais os métodos de reprodução assistida proporcionam meios de garantir a saúde do embrião e maiores chances de sucesso da gravidez. Um desses meios é a chamada Análise Genética Embrionária ou Screening Genético Pré-implantacional (PGS) na Fertilização in vitro (FIV), capaz de diagnosticar possíveis alterações genéticas no embrião. “As técnicas de reprodução assistida, particularmente a fertilização in vitro (FIV) vieram revolucionar esta capacidade diagnóstica da genética”, afirma o médico Fábio Eugênio, especialista em reprodução humana.

Em um procedimento de FIV, o embrião é formado em laboratório, a partir do óvulo maduro e do espermatozoide, e cultivado em laboratório por cerca de 3 a 5 dias, até ser implantado no útero para que se estabeleça a gravidez. É durante esse período em laboratório que é possível realizar, caso os pais desejem, o PGS, para diagnosticar a integridade genética do embrião antes de implantar no útero.

"Pela biópsia de algumas células do embrião, antes da transferência ao útero, podemos analisar todos os 46 cromossomos das células embrionárias”, explica o médico, citando, entre as doenças cromossômicas que podem ser detectadas: Síndrome de Down (trissomia do cromossomo 21), Síndrome de Edwards (trissomia do 18), Síndrome de Patau (trissomia do 13) e Síndrome de Turner (monossomia do cromossomo X).

O procedimento

Para o diagnóstico, é necessário que se faça uma biopsia embrionária, por meio da extração de uma das células do embrião, na qual será realizado o estudo genético para as diferentes patologias. De acordo com Fábio Eugênio, se antes o procedimento podia oferecer riscos mínimos à integridade dos embriões, hoje a análise é feita de forma ainda mais segura.

"Antigamente, a biópsia era feita no dia 3 de desenvolvimento, quando os embriões possuem de seis a oito células, então havia risco, embora pequeno, de comprometer sua vitalidade. Atualmente, a técnica se refinou muito, e a biópsia é realizada no dia 5 ou 6, quando os embriões estão no estágio de blastocisto, possuindo de 50 a 100 células”, explica o especialista. Ele destaca que, dessa forma, a retirada de algumas poucas células não compromete a vitalidade embrionária, desde que realizada por profissional habilitado (embriologista) e com técnica precisa.

As demais avaliações para atestar a chamada qualidade embrionária (embriões com maior capacidade de implantação) já fazem parte do processo habitual da FIV. Os principais parâmetros analisados para determinar essa qualidade são: o número de células do embrião em cada dia de desenvolvimento, a velocidade de clivagem embrionária (divisão celular) e a presença ou não de fragmentos citoplasmáticos.

Indicações

A realização do exame é, geralmente, indicada para mulheres em idade mais avançada (acima de 40 anos), característica que aumenta a probabilidade do desenvolvimento de alguma alteração genética no embrião. “Para doenças cromossômicas, sem dúvida o fator de risco principal é a idade da mulher. Como a mulher nunca renova seus óvulos, estes têm a mesma idade da paciente. Então, erros de migração cromossômica durante a divisão e amadurecimento dos óvulos, e no momento da fertilização, respondem pela imensa maioria das doenças cromossômicas nos embriões”, detalha Fábio Eugênio.

Histórico familiar de doenças genéticas também é um indicativo para a realização de análises extras. Segundo o médico, em casos de doenças gênicas, apenas um pequeno fragmento do DNA (o gene) que codifica uma proteína no organismo está alterado. “As doenças gênicas não dependem de idade do casal e tendem a ser transmitidas hereditariamente, ao longo de gerações em uma mesma família. Neste caso, pode-se fazer a detecção deste gene alterado - técnica chamada PGD – e, assim, eliminar aquela transmissão de gene defeituoso na família, evitando o nascimento de descendentes com aquela doença”, destaca.

Outra forte indicação do PGS é em caso de abortos de repetição inexplicados. Como o exame possibilita a análise da saúde do embrião, aumenta a possibilidade reprodutiva da paciente. “Porém, mesmo se não há uma indicação específica, é um direito do casal realizar o PGS caso deseje”, afirma o especialista.