PUBLICIDADE
Brasil
NESTA QUINTA

Em Salvador, Operação Chuva começa no mês de abril com 423 voluntários

Durante a Operação ficaremos de prontidão para a necessidade da população. Todo o sistema fica em alerta

17:37 | 16/03/2017

A partir do dia 1º de abril, a Defesa Civil de Salvador entrará em alerta 24 horas, para atender possíveis ocorrências relacionadas ao período chuvoso da capital baiana que segue até o fim de junho. A Operação Chuva foi anunciada hoje (16) pela prefeitura de Salvador, que anunciou, dentro da operação, a Estratégia Resiliência, conceito adotado por outras cidades do mundo e prevê a busca pela capacidade de se adaptar ou enfrentar as dificuldades.

“Eu diria que este ano a gente entra mais preparado do que os anos anteriores, por conta deste trabalho de prevenção e planejamento que não pode ser feito apenas nos meses da operação chuva. Temos de abril a julho o momento mais crítico, mas a gente encara a questão da chuva o ano inteiro, nos 12 meses”, disse o Prefeito de Salvador, ACM Neto, que destacou a possibilidade de extensão da operação, caso haja necessidade.

A Defesa Civil de Salvador (Codesal) informou que, atualmente, a cidade tem cerca de 600 áreas de risco de desabamento ou deslizamento que podem ser provocados por chuvas constantes, devido à existência de encostas. Entre estas áreas, as regiões de Calabetão, Mamede, Liberdade de São Caetano, Bom Juá são destaques do diretor-geral da Codesal, Gustavo Ferraz.

“Durante a Operação ficaremos de prontidão para a necessidade da população. Todo o sistema fica em alerta. É evidente que, quando a chuva chega, aumenta a demanda e temos de ter o contingente todo à disposição da cidade para gerenciar esta crise”, comentou Ferraz, a respeito do alerta de 24 horas, a partir do mês de abril.

Tecnologia na prevenção

Com a operação foi anunciada inovações tecnológicas na prevenção e resposta a possíveis ocorrências. Segundo a prefeitura de Salvador, os recursos administrativos, tecnológicos e gerenciais foram  incorporados desde 2015, mas este ano serão utilizados em escala máxima.

Apesar de recursos utilizados em anos anteriores, em 2017, as encostas de Salvador serão monitoradas por sensores. A tecnologia é considerada pioneira e foi desenvolvida no Rio Grande do Sul. Na capital baiana, o projeto piloto será testado na localidade de Bom Juá, área considerada pela Defesa Civil de "alto risco geológico". O monitoramento online será feito em tempo real e permitirá o controle do volume de chuva, e se o terreno registra algum tipo de movimentação que pode acarretar em deslizamento ou desmoronamento. 

Além dos sensores, outras tecnologias farão parte da Operação Chuva, a exemplo do programa de computador que permite a visualização gráfica de dados meteorológicos e de terrenos, além do uso de pluviômetros automáticos. Neste ano, serão 38 unidades instaladas em Salvador, 23 a mais que em 2016.

Com medidas preventivas a cidade vem recebendo ferramentas e instalações que podem evitar danos às famílias que vivem em locais de risco. Entre as encostas, 200 casas passam pelo processo de troca de lonas de contenção e geomantas, em 68 áreas de risco. No Centro Histórico,  passarão por vistorias 240 casarões antigos, com estruturas condenadas.

Apesar da tecnologia e investimento na Operação, o prefeito ACM Neto destacou que todo o suporte não tem eficácia sem a colaboração dos moradores, que devem permanecer atentos a qualquer sinal de alerta, e evitar o descarte de lixo e entulho em locais inapropriados.

"Estes voluntários nos ajudam permanentemente, no dia a dia, conscientizando a comunidade, preparando eventuais planos de evacuação e mobilizando as pessoas em geral, levando a mensagem de que o mais importante, no período de chuvas é não correr riscos”, destacou ACM Neto.

A Operação Chuva mantém, até o momento, cerca de 423 voluntários (homens e mulheres), que se cadastram para representar as localidades de risco. O trabalho inclui prevenção e suporte em momentos de risco, e o acionamento da Defesa Civil no resgate e prevenção de casos.

Há 8 anos atuando como voluntário, Gilvanildo da Paixão faz parte do grupo que cuida e dá suporte à região da Baixa do Fiscal, onde existem encostas. Para ele, o papel de conscientizar os moradores é uma responsabilidade que faz questão de manter. 

“Fomos treinados e capacitados para praticamente salvar vidas e o próximo. No meu bairro somos oito. Orientamos os moradores e tentamos tirá-los dos locais com risco de desabamento, quando não há mais nada a ser feito. Comunicamos os moradores para não jogar lixo em locais errados, porque isto prejudica eles próprios,” disse.

As famílias que ficarem desabrigadas ou desalojadas, em decorrência de desabamentos ou que correm o risco serão avaliadas para a concessão de benefícios municipais, como o pagamento do auxílio aluguel, no valor de R$ 300 mensais.

De acordo com dados da Codesal, em 2016, Salvador registrou 709,8 milímetros de chuva, entre os meses de abril e agosto. Em 2015, ocorreram 1.657,5 mm, no mesmo período. Devido à redução de chuvas houve diminuição de ocorrências e mais de 3 mil famílias receberam auxílio-aluguel.

Até o fim da Operação Chuva, está previsto um investimento superior a R$ 71 milhões. O prefeito alertou que este valor pode ser maior ou menor,  de acordo com o volume de chuva e das ocorrências registradas.

 

Agência Brasil