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Bovespa retoma negócios com queda de mais de 15%

Novo limite de baixa para esta segunda-feira, quando um terceiro circuit breaker poderá ser anunciado, é 20%


06 Out 2008 - 14h45min

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Depois de ter os negócios interrompidos por duas vezes nesta segunda-feira, 6, a Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) retoma os negócios em queda de 15,50% aos 37.616 pontos. O primeiro circuit breaker aconteceu às 10h18, quando a Bovespa chegou aos 40 mil pontos, acumulando uma queda de 10%. O segundo, às 11h43, quando a Bolsa atingiu uma queda de 15%, aos 37.814pontos. É a terceira vez na história que o circuit breaker é acionado duas vezes no mesmo dia. A primeira vez foi em 28 de outubro de 1997 e a segunda, em 10 de setembro de 1998.

Após a retomada dos negócios, não haveria mais limite de baixa para o Ibovespa. Contudo, o diretor do pregão, André Demarco, decidiu que o novo limite de baixa para esta segunda-feira, quando um terceiro circuit breaker poderá ser anunciado, é 20%.

O circuit breaker é um mecanismo utilizado pela Bovespa que permite, na ocorrência de movimentos bruscos de mercado, o amortecimento e o rebalanceamento das ordens de compra e de venda. Esse instrumento constitui-se em uma "proteção" à volatilidade excessiva em momentos atípicos de mercado, segundo informa a Bolsa.

Na retomada dos negócios, as maiores quedas do Ibovespa - índice que mede o desempenho das ações mais negociadas na Bolsa - eram as preferenciais (PN, sem direito a voto) da Rossi Residencial (26,24%); as preferenciais da Cesp (21,23%) e as ordinárias (ON, com direito a voto) da Companhia Siderúrgica Nacional (21,57%).

A crise de confiança com os bancos, as incertezas sobre a economia norte-americana e européia e a forte queda das commodities no mercado internacional provocaram estragos na Bolsa. Na retomada dos negócio, as ações ON da Vale caíam 15,27% e as PN da Petrobras recuam 10%.

Dólar

No mercado cambial, a moeda norte-americana chegou a ser vendida a R$ 2,1790 e, às 13h05, está em R$ 2,1650, em alta de 5,92%. A redução da alta é resultado da decisão do Banco Central de ofertar papéis atrelados ao câmbio. A instituição vai colocar em leilão 41,6 mil contratos de swap cambial (troca de títulos em juros por dólar) nesta segunda-feira, entre 13 horas e 13h30. Cada contrato de swap tem valor equivalente a US$ 50 mil, portanto, a oferta corresponde a cerca de US$ 2 bilhões.

Lula

Lula convocou para esta segunda, no Palácio do Planalto, uma reunião dos líderes e dirigentes dos 14 partidos que o apóiam. O presidente quer o engajamento de toda sua base no Congresso na aprovação de projetos que, segundo ele, podem ajudar o País a se resguardar da crise econômica mundial, que começou nos Estados Unidos, já chegou à Europa e pode alastrar-se por outras regiões.

Duas dessas propostas, disse o presidente no domingo, logo depois de votar, em São Bernardo do Campo (SP), são a aprovação, até o fim do ano, da reforma tributária e da política para o salário mínimo.

Incertezas se agravam

Na semana passada, a Bovespa encerrou a semana com perdas de 12,34%, a maior queda semanal desde julho de 2002, quando recuou 12,9% em meio à tensão pré-eleitoral que resultou no primeiro mandato do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Na última sexta-feira, o Ibovespa caiu 3,53%, aos 44.517,32 pontos.

Naquele dia, já se previa que o pacote de socorro às instituições norte-americanas - aprovado na na sexta-feira pelo Congresso - não seria suficiente para conter a crise de confiança nos bancos e nos mercados de crédito que se espalha pelo mundo, atingindo com mais força hoje a Europa. As preocupações na região aprofundaram-se depois que os ministros de finanças da zona do euro não conseguiram chegar a um consenso no final de semana sobre como reagir aos problemas do setor.

"O sistema bancário não funciona mais. Está quebrado. Os bancos estão entrando num período de recessão sem capital e o banco central é o único credor a recorrer. As pessoas estão com dúvida sobre o que fazer", disse o analista de ações européias da Standard and Poor’s Robert Quinn.

O euro está despencando ante o dólar, enquanto o dólar cede em relação ao iene, com a busca por refúgio na moeda japonesa. As perdas no setor financeiro na Europa são generalizadas. Londres fechou em baixa de 7,29%. Frankfurt caiu 7,07%. Em Paris, a baixa foi de 9,04%. Madri caiu 6,06%.

Na Itália, as ações do UniCredit foram suspensas em Milão, após perdas de 14,5%, mais cedo, provocadas pela notícia de que o banco divulgou planos para aumento de capital de US$ 3 bilhões com o intuito de se fortalecer. Tentando conter uma corrida aos bancos, os governos da Alemanha e Suécia elevaram as garantias para depósitos. Na Holanda, as autoridades reguladoras anunciaram que não permitirão mais posições vendidas em ações financeiras.

A Islândia suspendeu negócios com as ações do setor financeiro. Na Ásia, o índice Tóquio caiu 4,3% e o Xangai Composto, da China, 5,2%.

A duas principais bolsas da Rússia suspenderam negociações após os preços das ações despencarem, pressionados pela preocupação de que as medidas tomadas até agora para combater a crise financeira são insuficientes para proteger a economia do país. O declínio nos mercados ocorre mesmo após as autoridades russas elaborarem um pacote de US$ 180 bilhões para auxiliar o mercado financeiro local.

Às 13h05, em Nova York, o índice Dow Jones cai 4,23%. A Nasdaq recua 5,22%. É a primeira vez em quatro anos que o Dow Jones cai abaixo de 10 mil pontos. "Não é possível curar todos os aspectos dessa crise de uma vez só", disse Peter McCorry, oerador da Keefe Bruyette & Woods, em referência à ausência de reação positiva à aprovação do pacote nos EUA. "A confiança é o principal foco agora, assim como o fundamento de tudo o que estamos fazendo".

Agência Estado

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