"Nossos principais recursos para financiamento provavelmente virão de dívida", afirma presidente da estatal
03/07/2008 13:06
Os enormes custos para desenvolver os campos de petróleo da área do pré-sal vão aumentar o nível de endividamento da Petrobras, afirmou o presidente da companhia, José Sérgio Gabrielli, durante o 19º World Petroleum Congress (WPC). "Nossos principais recursos para financiamento provavelmente virão de dívida", disse o executivo, em entrevista à agência Dow Jones. "Provavelmente nossa taxa de alavancagem aumentará dos cerca de 17% atuais para 25% a 30%, o que não é um grande problema", afirmou.
A estatal planeja apresentar um novo plano de investimentos em agosto ou setembro, que inclui 2.500 projetos, alguns "muito grandes", na área do pré-sal, disse Gabrielli. Ele acrescentou que os custos de exploração "certamente vão aumentar" em relação ao atual plano de investimentos para o período 2008-2012, que prevê gastos de US$ 112 bilhões. O executivo não informou, porém, de quanto será o aumento.
Segundo Gabrielli, o novo plano de investimentos pode cobrir um horizonte de tempo maior do que os cinco anos contemplados nos planos da empresa até agora, a fim de incluir projetos na área do pré-sal que se encontram em "estágios mais preliminares" de desenvolvimento.
Carioca
Ele afirmou que a produção de petróleo no campo gigante Carioca pode começar até 2015. "Pode haver alguma produção no Carioca até 2015, mas não há nada definido ainda", disse. Segundo o executivo, o novo plano de investimentos que a companhia apresentará em agosto ou setembro incluirá recursos para o campo Tupi, e pode incluir também gastos para o desenvolvimento do campo Carioca.
Repetindo o que tem afirmado em entrevistas recentes, Gabrielli disse que as atuais discussões no governo e no Congresso sobre as mudanças da legislação de petróleo deveriam levar em consideração os diferentes graus de risco exploratório.
Ele voltou a sugerir que as áreas com baixo risco exploratório, como as do pré-sal, sejam exploradas por meio de acordos de compartilhamento da produção. Dessa forma, disse o presidente da Petrobras, o governo teria "maior controle". Gabrielli destacou, porém, que as áreas já leiloadas, como Tupi e Carioca, não sofreriam alteração.
O executivo informou que a empresa se encontra em negociações finais sobre um acordo para procurar petróleo na parte cubana do Golfo do México. Depois que o acordo for fechado, a Petrobras pode desenvolver estudos sísmicos durante seis a doze meses, antes de decidir se realizará ou não perfurações, afirmou.
Agência Estado