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Mercosul cria grupo para discutir segurança alimentar

Presidente brasileiro anuncia criação e diz que proposta foi feira por Hugo Chávez, da Venezuela


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01/07/2008 14:31

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva anunciou nesta terça-feira, 1º, a criação de um grupo de alto nível para discutir segurança alimentar no Mercosul. A proposta foi feita pelo presidente da Venezuela, Hugo Chávez, disse Lula em seu discurso na 35ª Cúpula do Mercosul, na cidade argentina de San Miguel de Tucumán. "Esse grupo vai permitir que nós possamos discutir no Mercosul e na União de Nações Sul-Americanas (Unasul) as necessidades alimentícias de cada país e a crise alimentar que ainda não está muito explicitada", disse Lula.

O presidente afirmou que a crise alimentar tem duas particularidades: "Uma, é prazerosa porque é o fato das pessoas mais pobres estarem comendo mais (...); e isso é um bom problema porque significa que estamos desafiados a produzir mais alimentos para alimentar mais gente; é mais simples produzir alimentos do que construir uma fábrica ou fazer uma via".

Lula opinou que os países sócios do Mercosul não devem ver a crise "como um problema a longo prazo, porque no curto prazo podemos ajudar a resolver esse problema". A segunda particularidade mencionada pelo presidente "é que até agora não se discutiu os estoques reguladores que não tiveram reposição, desde 2001. Foram 175 bilhões de toneladas de grãos consumidos dos estoques que haviam no mundo".

"E não foram repostos porque os países ricos pagavam para seus produtores não produzirem nem leite, nem outros produtos", disse. O presidente considera que um aspecto grave do momento é que "a crise da especulação imobiliária nos Estados Unidos envolveu muitos bancos europeus que até agora não assumem a responsabilidade pela crise". "Parece que os bancos centrais não perderam dinheiro; parece que não houve crise e até agora o FMI não deu palpite de como os Estados Unidos pode consertar a crise", criticou.

"O dado preocupante é que nós temos dois problemas importantes que não estão sendo discutidos com muita clareza: o mercado de futuro de alimentos, que permite que um produtor de milho ou de soja possa vender sua produção daqui três anos sem ter produzido a preço do mercado futuro que precifica o preço do presente e isso pode ser extremamente grave; é preciso aprofundar essa discussão e fazer uma investigação do que está acontecendo", afirmou.

Agência Estado


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