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Balanço
Plano Real faz 14 anos em meio a preocupações com a inflação
Medidas que trouxeram o controle inflacionário ao País fazem aniversário em cenário de nova alta de preços
01 Jul 2008 - 11h59min
O Plano Real completa 14 anos nesta terça-feira, 1º, em meio a preocupações com a inflação. O temor de que o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) possa encerrar o ano em 6,30% (segundo a mediana da pesquisa Focus, do Banco Central), assusta, sem dúvida, e não deve ser menosprezado. Tanto que o Banco Central está vendo escapar pelos seus dedos o cumprimento da tarefa de manter uma taxa anual próxima a 4,50% e, para evitar que esse desvio permaneça nos próximos anos, optou por um ciclo de aperto monetário.
A questão é que seu começo, em abril, foi mais incisivo do que o previsto inicialmente e talvez seu final também esteja mais distante do que o imaginado num primeiro momento. É preciso ressaltar que, desta vez, o problema não é só nosso. O mundo todo busca soluções para a disparada dos preços, principalmente das commodities. E, dentro desse cenário, o Brasil, a Tailândia e o Canadá são os únicos países que aderiram ao sistema de metas de inflação e que ainda não estouraram o teto do intervalo.
Nem por isso, pode-se relaxar. Se o dragão da inflação não morreu como se gostaria, ele passou por um período de hibernação e volta e meia acorda, fazendo questão de lembrar a todos que está vivo. Mesmo assim, os tempos são outros. A taxa de inflação que na véspera do lançamento do Plano, em junho de 1994, estava ao redor de 50% ao mês, baixou para taxa mensal em torno de 1,7% nos primeiros seis meses de 1995.
Desde 1º de julho de 1994, o IPCA, que é o índice oficial de inflação no País, acumula alta de 227% até maio. No mesmo período, a Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (Fipe) registrou que o Índice de Preços ao Consumidor (IPC) teve elevação de 194,28%. Nada mal, se for levado em conta que, apenas no ano anterior ao início do Plano Real, o mesmo indicador de preços da capital paulista disparou 2.490,99%.
A criação do Plano Real, no governo Itamar Franco, e sua perpetuidade até hoje não trouxeram como benefício apenas o controle inflacionário. Trouxeram também seus reflexos, como a estabilidade e a previsibilidade econômica. "De 2004 para 2005 houve um aumento muito rápido da taxa de crescimento (do Produto Interno Bruto, PIB), mas o padrão de investimento no Brasil era menor e ainda refletia as arrancadas e freadas das últimas décadas, já que não existia, na época, algo que é fundamental para o crescimento e que se chama previsibilidade", avaliou o presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, há cerca de 15 dias, durante palestra em São Paulo.
Nesse evento, ele ressaltou também que as projeções do mercado para a inflação de 2011 e 2012 estavam abaixo da meta dos últimos anos de 4,50% - na segunda-feira, também foi definida essa taxa até 2010. "Há alguns anos, eu via essas projeções (de longo prazo) nos Estados Unidos e na Europa e pensava: 'Que coisa maravilhosa, eles têm previsões para inflação na meta para os próximos anos e todos estão acreditando nisso", ressaltou. "Agora, no Brasil, temos isso. E isso é importante porque faz com que o custo da política monetária seja menor", acrescentou.
Planejamento
Além de representar um custo menor para a política monetária, a estabilidade e a previsibilidade facilitam o planejamento de investimentos das empresas, são o ponto de partida para o Brasil crescer e dão subsídios para que o País tenha conseguido este ano o selo de grau de investimento - primeiro, pela Standard & Poors (S&P), ao final de abril, e, um mês depois pela Fitch.
"O grau de investimento que foi dado ao Brasil pelas agências de rating levou em consideração a previsibilidade, que é algo que está sendo incorporado agora ao vocabulário econômico brasileiro. Não valorizávamos isso nas últimas décadas", comentou Meirelles na mesma ocasião.
A presidente da S&P no Brasil, Regina Nunes, enfatizou na segunda, à Agência Estado, os ganhos da estabilidade macroeconômica advindos desde o início do Plano Real. "O sucesso do real é tão grande, proporcionando estabilidade econômica e inflação baixa, que as pessoas se esquecem do 14º aniversário do Plano", comentou. Para ela, não há mais espaço no País para a discussão de novos planos, e o que sobram agora para o debate são ações micro e macroeconômicas de outra ordem.
Regina insiste na continuidade da melhora do perfil dos títulos da dívida brasileira. Ela elogiou o fato de a parcela atrelada ao câmbio ter atingido a marca zero, mas sugere um aumento da fatia de títulos prefixados, considerados como o ideal. Justamente para que o governo não aumente seus gastos com juros da dívida num momento de aumento de inflação, como o atual.
Na segunda-feira mesmo, o chefe do Departamento Econômico do BC, Altamir Lopes, explicou que a elevação recente dos principais índices de preços, como IPCA, IGP-M e IGP-DI, têm elevado a despesa. "Ainda que seja melhor do que vinculação a dólar ou euro, dívida vinculada a indicadores de inflação podem ser um alimento de alta da mesma", argumentou a presidente da S&P.
A questão é que seu começo, em abril, foi mais incisivo do que o previsto inicialmente e talvez seu final também esteja mais distante do que o imaginado num primeiro momento. É preciso ressaltar que, desta vez, o problema não é só nosso. O mundo todo busca soluções para a disparada dos preços, principalmente das commodities. E, dentro desse cenário, o Brasil, a Tailândia e o Canadá são os únicos países que aderiram ao sistema de metas de inflação e que ainda não estouraram o teto do intervalo.
Nem por isso, pode-se relaxar. Se o dragão da inflação não morreu como se gostaria, ele passou por um período de hibernação e volta e meia acorda, fazendo questão de lembrar a todos que está vivo. Mesmo assim, os tempos são outros. A taxa de inflação que na véspera do lançamento do Plano, em junho de 1994, estava ao redor de 50% ao mês, baixou para taxa mensal em torno de 1,7% nos primeiros seis meses de 1995.
Desde 1º de julho de 1994, o IPCA, que é o índice oficial de inflação no País, acumula alta de 227% até maio. No mesmo período, a Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (Fipe) registrou que o Índice de Preços ao Consumidor (IPC) teve elevação de 194,28%. Nada mal, se for levado em conta que, apenas no ano anterior ao início do Plano Real, o mesmo indicador de preços da capital paulista disparou 2.490,99%.
A criação do Plano Real, no governo Itamar Franco, e sua perpetuidade até hoje não trouxeram como benefício apenas o controle inflacionário. Trouxeram também seus reflexos, como a estabilidade e a previsibilidade econômica. "De 2004 para 2005 houve um aumento muito rápido da taxa de crescimento (do Produto Interno Bruto, PIB), mas o padrão de investimento no Brasil era menor e ainda refletia as arrancadas e freadas das últimas décadas, já que não existia, na época, algo que é fundamental para o crescimento e que se chama previsibilidade", avaliou o presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, há cerca de 15 dias, durante palestra em São Paulo.
Nesse evento, ele ressaltou também que as projeções do mercado para a inflação de 2011 e 2012 estavam abaixo da meta dos últimos anos de 4,50% - na segunda-feira, também foi definida essa taxa até 2010. "Há alguns anos, eu via essas projeções (de longo prazo) nos Estados Unidos e na Europa e pensava: 'Que coisa maravilhosa, eles têm previsões para inflação na meta para os próximos anos e todos estão acreditando nisso", ressaltou. "Agora, no Brasil, temos isso. E isso é importante porque faz com que o custo da política monetária seja menor", acrescentou.
Planejamento
Além de representar um custo menor para a política monetária, a estabilidade e a previsibilidade facilitam o planejamento de investimentos das empresas, são o ponto de partida para o Brasil crescer e dão subsídios para que o País tenha conseguido este ano o selo de grau de investimento - primeiro, pela Standard & Poors (S&P), ao final de abril, e, um mês depois pela Fitch.
"O grau de investimento que foi dado ao Brasil pelas agências de rating levou em consideração a previsibilidade, que é algo que está sendo incorporado agora ao vocabulário econômico brasileiro. Não valorizávamos isso nas últimas décadas", comentou Meirelles na mesma ocasião.
A presidente da S&P no Brasil, Regina Nunes, enfatizou na segunda, à Agência Estado, os ganhos da estabilidade macroeconômica advindos desde o início do Plano Real. "O sucesso do real é tão grande, proporcionando estabilidade econômica e inflação baixa, que as pessoas se esquecem do 14º aniversário do Plano", comentou. Para ela, não há mais espaço no País para a discussão de novos planos, e o que sobram agora para o debate são ações micro e macroeconômicas de outra ordem.
Regina insiste na continuidade da melhora do perfil dos títulos da dívida brasileira. Ela elogiou o fato de a parcela atrelada ao câmbio ter atingido a marca zero, mas sugere um aumento da fatia de títulos prefixados, considerados como o ideal. Justamente para que o governo não aumente seus gastos com juros da dívida num momento de aumento de inflação, como o atual.
Na segunda-feira mesmo, o chefe do Departamento Econômico do BC, Altamir Lopes, explicou que a elevação recente dos principais índices de preços, como IPCA, IGP-M e IGP-DI, têm elevado a despesa. "Ainda que seja melhor do que vinculação a dólar ou euro, dívida vinculada a indicadores de inflação podem ser um alimento de alta da mesma", argumentou a presidente da S&P.
Agência Estado
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