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Entre a incerteza e o otimismo

Quatro meses após o anúncio da nova direção da Vila das Artes, classe artística segue desconfiada sobre execução das ações. Discurso da gestão é de boas perspectivas para 2018

01:30 | 19/06/2017

A produtora cultural Eliza Gunther assumiu a direção da Vida das Artes em fevereiro  FÁBIO LIMA
A produtora cultural Eliza Gunther assumiu a direção da Vida das Artes em fevereiro FÁBIO LIMA
Desde que o vereador Evaldo Lima (PCdoB) assumiu a Secretaria da Cultura de Fortaleza (Secultfor), em janeiro deste ano, a Vila das Artes -escola que oferta formação em Audiovisual e Dança - se destacou como palco dos acirramentos recorrentes entre a gestão e a classe artística. De início, nove dos 15 funcionários do quadro da escola foram demitidos; depois, a Casa do Barão de Camocim, patrimônio ligado à Vila, foi ocupada por membros do movimento Vila Viva, que cobravam diálogo e transparência da gestão. Em fevereiro, junto ao anúncio da nova direção da escola, assumida pela gestora cultural Eliza Gunther, a Secultfor anunciou a implantação de novas escolas, de Circo e Teatro, coordenadas respectivamente pelo circense Breno Moroni e pela atriz e diretora Graça Freitas. Com atividades, hoje, resumidas a oficinas (como de monociclo e dramaturgia no circo), as novas escolas seguem sem estabelecimento e definição pedagógica.

Para Cláudia Pires, ex-diretora da Vila das Artes e atual coordenadora do Programa de Dança do Porto Iracema das Artes, o que se vê em relação ao Circo e ao Teatro é um “arremedo”. “Não se discutiu e não se conhecem quais são as ações formativas dessas escolas. Ocorrem oficinas pontuais que acontecem à revelia de uma discussão”, aponta. “Você vê um aumento de estrutura anunciado, mas, na prática, é fantasioso. Não se vê ali estruturação financeira e de pessoal para garantir um bom funcionamento. O que são as escolas? Qual o orçamento? Os coordenadores vão apresentar os projetos para os pares?”.

Questionada acerca da situação das novas escolas, a diretora Eliza Gunther afirma que as implantações devem acontecer “plenamente” em 2018. Segundo a gestora, a principal atuação dos coordenadores anunciados hoje é no projeto de estabelecimento das escolas. “A Graça Freitas e o Breno Moroni estão fazendo análises do campo cultural em cada área, dialogando com as pessoas e já ofertando atividades experimentais”, pontua. O fechamento do formato e das diretrizes das escolas, acredita a gestora, deve ocorrer até o fim do ano.

Sobre o orçamento, Eliza afirma que o valor geral para as programações de formação da Vila neste ano é de R$ 750 mil; atualmente, segundo a gestora, a escola possui R$ 450 mil em caixa. “A nossa realidade de orçamento nos assegura plenamente manter todas as atividades de formação que já vinham acontecendo nas escolas”, aponta. Perguntada se o orçamento atual conseguirá abarcar também as atividades das duas novas escolas, a diretora afirma que “existe um propósito da gestão e um compromisso do secretário com a implantação dessas duas escolas. Naturalmente, isso também requer orçamento”, reconhece. “Sabemos que para ampliar as ações, temos o desafio de captação de recursos num cenário que não é o mais favorável a isso”, pondera. A crise financeira que atinge o País não afetou diretamente a escola na avaliação de Eliza, mas, segundo a gestora, a situação pede “otimização dos recursos e muito mais criatividade”.

JOãO GABRIEL TRéZ