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Exposição na Caixa Cultural apresenta 100 gravuras de Salvador Dalí

Exposição traz 100 gravuras do pintor espanhol Salvador Dalí inspiradas em A Divina Comédia, do autor italiano Dante Alighieri

01:30 | 26/04/2017
São Tiago e a esperança: gravura de Salvador Dalí faz parte da seção Paraíso, que compõe a exposição A Divina Comédia DIVULGAÇÃO
São Tiago e a esperança: gravura de Salvador Dalí faz parte da seção Paraíso, que compõe a exposição A Divina Comédia DIVULGAÇÃO

Mais de 600 anos separam o ano de 1321 — data em que o escritor e filósofo italiano Dante Alighieri finalizou o poema épico A Divina Comédia, obra referencial da literatura clássica — dos anos 1960, década na qual o pintor espanhol Salvador Dalí, conhecido pelas obras surrealistas, finalizou e apresentou a produção de uma série de 100 gravuras inspiradas na obra de Dante.

O projeto das gravuras, que marcou o encontro entre as obras do poeta e do pintor, se deu a partir de um convite que o governo italiano fez a Dalí para ilustrar A Divina Comédia em comemoração aos 700 anos de nascimento de Dante.

O resultado desse “encontro” pode ser conferido a partir de hoje na exposição Dalí: A Divina Comédia, em cartaz na Caixa Cultural Fortaleza. A mostra oferece acesso às obras dos dois artistas, paradigmáticos em seus respectivos tempos e contextos históricos, e até hoje relevantes para a cultura ocidental.

Tendo como protagonista o próprio autor, A Divina Comédia segue a jornada espiritual de Dante, dividida em três partes: o Inferno, o Purgatório e o Paraíso. Cada uma é composta por 33 cantos, que se somam a um canto introdutório, totalizando 100 — ou seja, Dalí fez uma gravura inspirada em cada canto do poema.

A história contada em A Divina Comédia é descrita por Ania Rodriguez, curadora da exposição, como “uma oportunidade para rever pecados e misérias humanas”. Além do lado artístico, Ania ressalta ainda outro ponto de relevância da obra. “Dante é considerado o ‘pai da língua italiana’ porque A Divina Comédia não foi escrita em latim, como era costume na época, mas no dialeto toscano, que é a base do italiano atual”, explica. Já Dalí, por sua vez, é um dos mais conhecidos e emblemáticos pintores espanhóis da história recente. Encarnando a “essência do gênio criativo”, como destaca Ania, e sendo um dos principais representantes do movimento surrealista, Dalí alcançou status de ícone.

Para a curadora, a exposição será uma oportunidade de o público conhecer outro lado da obra de Dalí. “Ele assume o desafio, realiza 100 obras e dá sua visão pessoal dos acontecimentos que Dante narra. Na parte dedicada ao Inferno e ao Purgatório, temos várias referências do Dalí surrealista, com clássicas imagens. Em contraste, na parte dedicada ao Paraíso, o público entrará em contato com o lado místico, em que as imagens adquirem impressão de serenidade e paz”, diferencia.

Ania ainda ressalta a importância do público ter acesso à conexão entre os dois artistas no contexto moderno. “Mesmo que o público não tenha tido acesso ao texto literário de Dante, as imagens que Dalí fornece criam uma ponte efetiva com o poema, e o impacto visual das ilustrações pode levar o espectador a ter uma compreensão inicial das palavras de Dante”, defende. “A Divina Comédia tem sido ilustrada por vários grandes artistas, mas é um luxo ter a oportunidade de aceder à visão de Salvador Dalí. Através dos séculos, os artistas se comunicam entre si e essa releitura renovada, agora com a visão de um artista do século XX, renova também a conexão com o público contemporâneo”, finaliza.

SERVIÇO

Exposição Dalí: A Divina Comédia

Quando: de 26 de abril a 2 de julho; terça a sábado, das 10 às 20 horas, e domingo, das 12 às 19 horas

Onde: Caixa Cultural Fortaleza (Av. Pessoa Anta, 287 - P. Iracema)

Entrada franca.

Telefone: 3453 2770

JOãO GABRIEL TRéZ