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Reencontro com a obra de Cícero Dias, 22 anos depois

01:30 | 28/03/2017
Cícero Dias (1907-2003) é a segunda exposição dedicada ao artista que a Galeria Multiarte recebe Foto: Mateus Dantas
Cícero Dias (1907-2003) é a segunda exposição dedicada ao artista que a Galeria Multiarte recebe Foto: Mateus Dantas

Foi em 20 de novembro de 1995 que a Galeria Multiarte recebeu, pela primeira vez, uma exposição de Cícero Dias em Fortaleza. “Foi a primeira exposição de Cícero numa capital nordestina, tirando Recife. Eu me lembro do grande entusiasmo dele na época, ele acolheu a exposição com muito carinho”, rememora Max Perlingeiro, curador da galeria. Juntando a comemoração dos 22 anos da exposição inicial com o que seriam os 110 anos de Cícero, a atual mostra, apesar de ter uma maioria de obras inéditas, traz também alguns trabalhos que fizeram parte da mostra de 1995. “Eu achava importante ter essas referências. Entropia, inclusive, está na mesma colocação da época”, conta.

Cícero pintor

Após focar nas aquarelas, nas gravuras e no período europeu, a exposição, em seu núcleo final, se debruça sobre pinturas em geral do pernambucano. As obras, que têm datas que vão dos anos 1930 aos anos 1970 e foram feitas entre o Brasil e a Europa, resumem, em si, as principais características pelas quais Cícero ficou conhecido. “Ele é um modernista de primeiríssima grandeza. Nessas pinturas, você tem um Cícero todo figurativo, com figuras grandes e exuberantes, mas o fundo das telas é absolutamente abstrato”, explica Max. “Se você retira as figuras, vê aquele entremeado de geometrias”, ilustra.

Momento importante

A exposição Cícero Dias (1907-2003) é mais uma de destaque que chega à Capital. Para Max, o crescimento das grandes exposições se deve ao surgimento de novos espaços destinados às artes plásticas. “A Multiarte existe há 30 anos. Você pensa em Fortaleza 30 anos atrás e pensa hoje. Ao longo dos últimos 10 ou 15 anos, surgiram espaços interessantes”, avalia. “A Cidade sempre teve uma efervescência e evidentemente hoje existem locais muito fortes, como a Unifor, o Dragão do Mar, algumas galerias de arte contemporânea”, elenca.

 

“É uma coisa construída com o tempo, quase uma doação para o público, que responde bastante. A Coleção Airton Queiroz (exposição que segue em cartaz até 9 de julho, na Unifor) tem mais de 100 mil visitantes. São números absurdos para qualquer lugar do mundo”, pondera. “Há um processo de fidelização do público, que sabe que tem coisa de qualidade aqui, na Unifor, na Caixa Cultural. Fortaleza vive um momento muito importante”, finaliza.