PUBLICIDADE
VERSÃO IMPRESSA

Manifesto no CCBJ homenageia travesti Dandara

Ato Dandaras Vivem, que ocorre hoje no Centro Cultural Bom Jardim (CCBJ), é manifestação de repúdio à LGBTfobia através da arte e da cultura

01:30 | 18/03/2017

No mesmo local da violência e da barbárie que resultaram na morte da travesti Dandara dos Santos, tomam lugar a resistência, a luta e a diversidade. O bairro Bom Jardim recebe hoje, 18, no CCBJ, o ato Dandaras Vivem, manifestação artística de repúdio à violência sofrida por LGBTs. Dandara foi violentamente assassinada no dia 15 de fevereiro, mas o caso só chegou ao conhecimento da sociedade — e das autoridades — no começo de março, quando um vídeo do crime foi divulgado nas redes sociais.


Com início marcado para as 16 horas, o ato de hoje segue até as 21h30min com diversas apresentações artísticas e momentos políticos. Entre as atrações, estão DJs, concurso de dublagem, apresentações de swingueira, performances musicais, exibição de curtas e a leitura de um manifesto pelos direitos LGBTs. Uma das atrações do dia, a banda de forró Mulheres de Preto é, como conta a vocalista Karlinha Alves, ligada ao movimento LGBT. “Trabalhamos muito isso da aceitação. Estivemos na parada gay e, junto do projeto Arte de Amar, um movimento feito só por mulheres, colocamos um grande trio nas ruas. É preciso falar sobre isso”, aponta.


Encerrando as apresentações, a banda A Mulher Barbada e os Caixeiros Viajantes apresenta um repertório marcado por canções voltadas à aceitação e ao empoderamento. “É importante lembrar que o caso da Dandara não é isolado, não foi a primeira vez que aconteceu e não é algo recente. Desde que o mundo é mundo nós LGBTs somos assassinados”, afirma Rodrigo Ferrera, vocalista da banda.


Cultura como resistência

Além das apresentações, o evento surge também na intenção de reforçar a necessidade de políticas públicas e culturais voltadas para e feitas pela população LGBT. Na semana passada, o diretor do Instituto Dragão do Mar, Paulo Linhares, se encontrou com representantes de grupos artísticos e coordenadorias ligadas aos direitos humanos e, juntos, propuseram uma série de ações culturais para a valorização e incentivo da produção artística LGBT. “A gente tem que aproveitar esse momento para criar políticas mais consistentes e pertinentes”, afirma Paulo. “Chegamos à conclusão de que as carreiras artísticas são muito importantes para a reafirmação de gênero”, completa.

 

Entre as propostas, estão as criações de um festival de artes e de núcleos de formação artística LGBT. Para Rodrigo Ferrera, é natural que a cultura funcione como local de acolhimento para as minorias. “Na escola sofremos represálias, na família somos negados e na Igreja não temos espaço. A cultura é o lugar que nos acolhe, que encontramos para existir, resistir e se fazer ouvir”, finaliza.


Outras conquistas

Em resposta à transfobia, algumas ações foram adotadas pelo Estado, como a garantia do nome social em serviços públicos e o atendimento de travestis e transexuais na Delegacia da Mulher.

 

As medidas tomadas pelo Governo do Ceará podem parecer tardias no contexto de um País que, segundo dados da ONG Transgender Europe, é o terceiro do mundo que mais matou pessoas trans de 2008 a 2015 (em números relativos, em que se considera o número de assassinatos/milhão de habitantes), e o que mais matou no ano de 2016, em números absolutos. No entanto, atrasadas ou não, são estas ações que poderão impactar nas vidas das Dandaras que, diariamente, seguem lutando por suas vidas no Ceará.

 

SERVIÇO

 

Ato Dandaras Vivem

Quando: hoje, 18, das 16h às 22 horas

Onde: Centro Cultural Bom Jardim (Rua 3 Corações, 400)

Entrada franca.

Programação completa:

16h - DJs


17h - Exibição de curtas-metragens em parceria com o Festival For Rainbow


18h - Concurso de Dublagem


18h40min - Grupo de Swingueira


19h - Show de Perfomance / Manifesto


20h30min- Show “As Mulheres de Preto”


21h- Show “A Mulher Barbada”

 

JOãO GABRIEL TRéZ