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Um quinto da lista é formada por parentes

01:30 | 13/04/2017

Mais de um quinto dos investigados na lista do relator da Lava Jato no Supremo Tribunal Federal (STF), ministro Luís Edson Fachin, tem parentesco entre si. Pais e filhos, maridos e esposas e até uma dupla de irmãos são delatados pelos executivos da Odebrecht aos investigadores.

A lista tem, por exemplo, quatro casais que, segundo os delatores, receberam caixa 2 para campanhas eleitorais. Um dos pares é formado pela senadora Kátia Abreu (PMDB-TO) e o marido, Moisés Pinto Gomes. Segundo a Procuradoria-Geral da República, há indícios de que Gomes tenha recebido R$ 500 mil, divididos em duas parcelas, para a campanha eleitoral em 2014.

A senadora Vanessa Grazziotin (PCdoB-AM) também é apontada como beneficiária, por intermédio do marido, Eron Bezerra, de caixa 2 para a campanha eleitoral de 2012. Outro casal que, de acordo com as delações, também está envolvido é a senadora Marta Suplicy (PMDB-SP) e seu marido e arrecadador de campanhas, Márcio Toledo. As campanhas eleitorais de Marta à Prefeitura de São Paulo, em 2008, e ao Senado, em 2010, foram, segundos os delatores, instrumento para o recebimento de R$ 550 mil e, posteriormente, R$ 500 mil, em caixa 2. Os repasses foram feitos a Toledo.

Dois delatores afirmaram também em depoimento que o deputado federal Décio Lima (PT-SC) pediu dinheiro para a campanha da esposa, a deputada estadual de Santa Catarina Ana Paula Lima (PT-SC), à prefeitura de Blumenau em 2012. O pagamento foi de R$ 500 mil.

As delações trazem ainda várias situações em que pais pediram dinheiro em nome de seus filhos. O senador Renan Calheiros (PMDB-AL) e o filho dele, Renan Calheiros Filho, receberam dinheiro da Odebrecht. Em negociação com executivos, o senador solicitou o pagamento de R$ 1,2 milhão ao PMDB.