PUBLICIDADE
VERSÃO IMPRESSA

Walter Filho: "Vivíamos no paraíso"

01:30 | 19/06/2017
O Brasil já foi um lugar onde se vivia em harmonia e com respeito entre as pessoas. Nas cidades do interior e mesmo na capital havia uma relação de boa vizinhança e cordialidade. No colégio público, de excelente qualidade, todos nós respeitávamos os professores, os colegas, os diretores e não existia essa coisa de cor da pele. Jogávamos bola na quadra e todos conviviam sem esse ódio que nos divide hoje.

 

Era comum sair do estádio Presidente Vargas ou do cinema tarde da noite e caminhar tranquilamente até o ponto do ônibus ou mesmo para casa. As praias eram tranquilas e todos tomavam banho sem ficar olhando constantemente suas coisas. Não havia o medo que hoje nos ronda e a violência que destrói vidas. Um único homicídio repercutia muito. A criminalidade era baixíssima. Nossa casa sequer tinha muros altos ou grades – éramos livres para ir e vir a qualquer lugar.

Viajávamos de carro para outros estados e nunca sofremos nenhum tipo de constrangimento - isso nos anos 1970 e início dos anos 1980. Assaltos! Algo raríssimo. No trem para o interior, dormíamos nas plataformas e cadeiras e, de repente, alguém nos acordava para dizer que havíamos chegado.

Nas praças todos se misturavam e ninguém era insultado por pertencer a qualquer grupo ou religião. Os únicos que eram isolados eram os maconheiros, uma vez que eles ficavam distantes.

Hoje, andar nas ruas, sair de carro, pegar um ônibus, ir ao centro da cidade (sujeira generalizada) é sempre uma aflição. O ensino público está falido e o sistema de saúde beira o colapso. Os relatos de crimes são tantos que nos levam a uma paralisia diante da inércia do Estado e a ação firme dos facínoras que controlam os bairros da cidade – se o bandido for menor de idade, é algo quase intocável. Haverá sempre um dizendo que o marginal é fruto da sociedade opressora.

A corrupção toma conta do dinheiro público e aproveitadores gozam da fragilidade da lei em liberdade – corromper e depois rir de todos nós. São tempos difíceis, e o inferno é aqui.

 

Walter Filho

walterfilhop@gmail.com

Promotor de justiça