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Mais de 60 pessoas morrem em incêndio sem precedentes em Portugal

Por mais de 24 horas as chamas de um incêndio florestal arderam em vilarejos no centro de Portugal. Mais de 60 pessoas morreram num drama sem precedentes na região

01:30 | 19/06/2017
Uma enorme parede de chamas se formou nas árvores FOTOS PATRÍCIA DE MELO MOREIRA/AFP
Uma enorme parede de chamas se formou nas árvores FOTOS PATRÍCIA DE MELO MOREIRA/AFP
Um incêndio florestal deixou ao menos 61 mortos na região central de Portugal. O fogo começou na tarde de sábado e durante todo o domingo equipes de bombeiros ainda tentavam debelar as chamas. Algumas das vítimas foram atingidas enquanto tentavam fugir, disseram autoridades. O primeiro-ministro português, Antonio Costa, considerou o incêndio “a maior tragédia” que Portugal já vivenciou em décadas e decretou luto nacional de três dias.

 

Uma enorme parede de fumaça espessa e chamas vermelhas brilhavam acima das árvores em Pedrógão Grande, a cerca de 150 quilômetros de Lisboa, onde acredita-se que um raio pode ter provocado o incêndio. Investigadores encontraram uma árvore atingida por um raio durante uma “tempestade seca”, disse o chefe da polícia nacional aos meios de comunicação portugueses. As tempestades secas ocorrem quando a chuva evapora antes de atingir o chão por causa das altas temperaturas. Autoridades dizem que os termômetros marcavam cerca de 40 graus naquela área nos últimos dias, o que pode ter influenciado o incêndio.

Portugal, como a maioria dos países da Europa Meridional, é propenso a incêndios florestais nos meses secos do verão. Pelo menos quatro outros incêndios significativos afetaram diferentes áreas do país no domingo, mas o de Pedrógão Grande foi responsável por todas as mortes.

“As dimensões deste fogo causaram uma tragédia humana além de qualquer memória”, disse o primeiro-ministro português, Antonio Costa, a jornalistas em sua chegada à cena neste domingo. “Algo extraordinário ocorreu e temos que esperar que os técnicos determinem adequadamente suas causas”.

Mais de 350 soldados se juntaram ontem aos 700 bombeiros que lutavam para apagar as chamas. Em resposta a um pedido de ajuda de Portugal, a Espanha enviou quatro aeronaves de combate a incêndio, enquanto a França disponibilizou mais três. A Grécia também ofereceu ajuda.

O secretário de Estado da Administração Interna, Jorge Gomes, disse que as equipes de combate a incêndios estavam tendo dificuldades em combater o fogo, que era “muito intenso” em pelo menos duas das quatro frentes. Segundo ele, as autoridades estavam preocupadas com os fortes ventos que poderiam ajudar a espalhar o fogo ainda mais.

Gomes disse que pelo menos 30 pessoas morreram dentro de seus carros enquanto tentavam fugir, entre as cidades de Figueiró dos Vinhos e Castanheira de Pêra. Outras 17 morreram fora de seus carros ou pela estrada, 11 pessoas morreram na floresta e duas em um acidente de carro relacionado ao incêndio Não havia informações de vítimas atingidas pelo fogo dentro de uma casa. O secretário informou também que 54 pessoas ficaram feridas, 5 delas gravement, incluindo quatro bombeiros e uma criança.

 

Repercussão

No Vaticano, o Papa Francisco expressou sua “proximidade com o querido povo português em função do devastador incêndio que arrasa as florestas (...) causando muitos mortos e feridos”.

 

O presidente português, Marcelo Rebelo de Sousa, viajou à zona atingida para prestar suas condolências às famílias das vítimas.

“Meus pensamentos estão com as vitimas em Portugal”, afirmou em um tuíte o presidente da Comissão Europeia, Jean-Claude Juncker.

A seleção portuguesa lembrou dos mais de 60 mortos no incêndio florestal depois de empatar em 2 a 2 com o México, na estreia da Copa das Confederações. Antes do jogo, as duas seleções respeitaram 1 minuto de silêncio em homenagem às vítimas. Portugal entrou em campo com uma braçadeira preta, em luto. (Com agências)

 

Saiba mais

Outros grandes incêndios em Portugal

 

1966. Um incêndio na floresta de Sintra, oeste de Lisboa, provocou a morte de 25 militares que tentavam lutar contra as chamas.

 

2003. Entre julho e setembro, incêndios alimentados por uma onda de calor, arrasaram por semanas o centro e sul de Portugal e deixaram 20 mortos. O verão de 2003 foi o mais catastrófico da história, com cerca de 425 mil hectares destruídos.

 

2005. Quatro bombeiros morreram num incêndio em uma floresta próxima a Mortagua (200 km a nordeste de Lisboa). Em julho e agosto, vários incêndios arrasaram o norte e sul do país, e levaram o governo a pedir ajuda aos sócios europeus. Naquele ano, os incêndios deixaram 18 mortos, 11 deles bombeiros, e arrasaram 300 mil hectares, em meio à pior seca desde 1945.

 

2006. Em 9 de julho, seis bombeiros morreram carbonizados em uma floresta próxima a São Famalição da Serra (centro).

 

2013. Oito bombeiros e um civil morreram e milhares de hectares de florestas foram destruídos. A zona mais afetada foi a Serra de Caramulo (centro), apelidada de “pulmão de Portugal” por sua quantidade de pinheiros e eucaliptos.